O final do século XX destruiu a figura do narrador onisciente, exceto nos enredos fantásticos e amorosos, onde queremos escapar da realidade que é, fundamentalmente, caótica. Assim que, hoje, não existe nenhuma possibilidade de lermos o que está acontecendo de um ponto de vista onisciente. Quem estiver dizendo que sabe o que está acontecendo estará dizendo do alto da dificuldade de admitir sua ignorância. Nós não conhecemos a trama. A narrativa no século XXI – a narrativa da vida, a narrativa da economia, a narrativa da política – não é uma narrativa onisciente, ainda mais porque a absorvemos de algo intrinsecamente fragmentado, a internet.