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Faça boa arte – Neil Gaiman

Postado às 23:10 do dia 06/12/14

Os discursos de formatura nos Estados Unidos são show-business. De Stanford ao MIT, de Harvard a Princeton, mas também em universidades menos conhecidas e mesmo em colégios de segundo grau, personalidades do mundo dos negócios, do entretenimento, das artes, das ciências e da política se revesam ano a ano para concorrer ao Top 10 da temporada. As listas de melhores discursos são infindáveis e há para todos os gostos: o emocionante Steve Jobs, em 2005; a engajada J.K. Rowling, em 2008; a cômica e genial Ellen DeGeneres, em 2009; o feminismo pós-moderno de Sheryl Sandberg em 2012; a inspiradora Oprah Winfrey, também em 2012; e o sincero Neil Gaiman, no mesmo ano. É dele o discurso transcrito neste livro.

Mensagens mostrando que errar é meio caminho para acertar sempre são boas de ouvir, mas sobretudo nas épocas do ano em que ficamos mais humildes, quando pensamos “uau, ainda estou vivo”. Para mim, essas datas são Natal e aniversário. (Se você tem a felicidade aniversariar em 25 de dezembro, então passa pela lição num golpe só.) Formaturas também são bastante propensas a reflexões do tipo “sim, sou um afortunado”. O sucesso – esta meta insana que insiste em se posicionar acima da felicidade – , quando vem pela boca daqueles que o obtiveram, nos torna mais realistas: você sabe que jamais será como eles, e descobre que eles também nunca o perseguiram – e por isso o encontraram. Nesses períodos, pôr em perspectiva a felicidade – agora não mais como meta, antes como estratégia – é graduar-se continuamente para a vida, que reinicia todo ano, a cada aniversário, a cada Natal, a cada dia.

Selecionei algumas partes do discurso de Neil Gaiman. Espero que o ajude num reinício.

 

 

O benefício da educação

“Jamais me imaginei oferecendo conselhos a formandos de uma instituição de ensino superior. Nunca me formei em nenhuma instituição do tipo. Nunca nem mesmo me inscrevi.” (as páginas deste livro não são numeradas, portanto, não farei referência àquela onde está a citação)

– Uma coisa bastante engraçada que ouvia do meu pai é que devíamos fazer faculdade para o caso de, em sermos presos, poder gozar de cela especial. Imagino que a vida sempre teve um aspecto de muito insegura e injusta para ele, afinal, por que ele ou seus filhos seriam presos a menos que cometêssemos algum crime? Ainda hoje, penso, se faculdade não serve pra nada, talvez sirva pra termos uma cela especial.

 

 

O benefício da ignorância

“Se você não sabe que é impossível fica mais fácil fazer.”

– Muitos são os empreendedores que ficam se debatendo: é melhor contratar gente do business ou gente de outro business? Bem, tudo depende do seu temperamento: para muitas pessoas, a ignorância é paralisante; para outras, o conhecimento é que é. Então, não leve tão a sério o conselho de Neil. Saiba quem você é – isto é o mais importante.

 

 

O benefício de uma imagem

“Algo que funcionou para mim foi imaginar que o lugar aonde eu gostaria de chegar… {ser escritor, principalmente de ficção, escrever bons livros e bons quadrinhos, e tirar meu sustento das palavras}… era uma montanha. Um montanha distante. Minha meta. E eu sabia que, contanto que continuasse caminhando na direção da montanha, ficaria bem. Quando eu não tinha certeza nenhuma do que fazer, parava e ponderava se aquele caminho me aproximaria ou me afastaria da montanha.”

– Tenho dificuldade com metas. Fiz Empretec, cursei uma pós em Gestão de Negócios, mas tenho dificuldade com metas. Metas são pra pessoas que acordam às 06 da manhã pra nadar 3 mil metros, pra quem perde 1 quilo por mês a partir de setembro pra vestir manequim 38 no verão. Metas não são para quem se perde na leitura de um livro ou pra quem assiste inúmeros discursos de formatura antes de escrever uma resenha sobre este livro. Então, achei a ideia de meta de Gaiman sensacional. Ela é visual, palpável, poética. Transforme sua M.E.T.A numa montanha: para nós, é mais motivador perseguir uma paisagem que números.

 

 

O benefício da idade

“O momento em que, hipoteticamente, você sente que está andando nu pela rua, expondo demais o coração, a alma e tudo o que existe lá dentro, mostrando demais de si mesmo. Esse é o momento em que, talvez, você esteja começando a acertar.”

– Muito jovem, ou quando maduro: apenas a inocência, ou a decepção de todos os sonhos, é capaz de trazê-lo para o cerne de si.

 

 

O benefício da nota 8

“As pessoas vão tolerar seu comportamento desagradável se seu trabalho for bom e você entregá-lo no prazo. Elas vão perdoar seu atraso se seu trabalho for bom e se gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os outros se cumprir os prazos e for sempre um prazer falar com você.”

– Ninguém consegue ser bom em matemática, em português e no futebol ao mesmo tempo. Mas se você for bom no futebol, dificilmente lembrarão que você não sabe somar nem fazer concordância nominal. Se você souber fazer concordância nominal e souber jogar bola, aumentarão muito sua matemática. E se você souber somar e for um craque, fará todo mundo seguir sua gramática. Seja bom no futebol.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2014

 

 

GAIMAN, Neil. Faça boa arte. Projeto gráfico de Chip Kidd. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014, 1ª edição.

 

 

 

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Leia outra resenha de livro de Neil Gaiman:

Coisas frágeis – leia aqui

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