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Faça acontecer – Sheryl Sandberg

Postado às 17:06 do dia 04/09/13

Este livro é uma sorte. Uma sorte pra quem o editou, pra quem o escreveu, pra quem o ler. Um livro honesto mostrando que, sim, baby, o mundo ainda é comandado pelos homens. Um livro corajoso que diz que o feminismo empacou por culpa nossa, meninas. Bem escrito, lotado de dados estatísticos e pesquisas, no melhor estilo american way of making best sellers, você deve ler Faça Acontecer.

Eu fiquei até às 2 da madrugada devorando cada página. Chorei, ri, pensei, cismei, concordei um monte com a autora, Sheryl Sandberg, o braço direito de Mark Zuckerberg, do Facebook. Basicamente, Sheryl diz que estamos limitadas pelo mito de que uma mulher de sucesso dá conta de fazer tudo (carreira, filhos, casamento, saúde e beleza) e pelo autoboicote à nossa ambição profissional. Partindo da constatação de que o mundo ocidental não é igualitário pra homens e mulheres, a autora nos ensina que: 1) você só terá uma carreira bacana se assumir pra si que quer uma carreira bacana; e 2) pra você ter uma carreira bacana, você terá que contar com a ajuda de outras pessoas, principalmente do pai de seus filhos, se os tiver.

Depois que Sheryl escreveu o livro, o movimento Lean In (expressão inglesa que dá título ao livro e foi traduzida por “faça acontecer”) se expandiu. Existe site, fan page e grupos de apoio Lean In. Novamente, o lance é buscar ajuda. Não dá pra fazer tudo sozinha, definitivamente. Então minha ajuda é esta resenha, repleta de citações do livro.

 

 

O buraco é mais embaixo

“Um mundo de fato igualitário seria aquele em que as mulheres comandassem metade dos países e das empresas e os homens dirigissem metade dos lares.” (p. 20)

– É um juízo radical, mas verdadeiro.

“Meu argumento é que, para ganhar poder, é fundamental se livrar dessas barreiras internas. Há quem diga que as mulheres só poderão chegar ao topo quando acabarem as barreiras institucionais. É o caso típico do ovo e da galinha. A galinha: nós mulheres derrubaremos as barreiras externas quando alcançarmos papéis de liderança. […] O ovo: precisamos antes eliminar as barreiras externas para que as mulheres assumam esses papéis. Os dois lados estão certos. Então, em vez de entrar em longas discussões filosóficas sobre o que vem primeiro, vamos travar batalha nas duas frentes. São igualmente importantes. De minha parte, dou a maior força para as mulheres assumirem a abordagem da galinha, mas também dou pleno apoio a quem se encontra no ovo.” (p. 21-22)

– A melhor coisa da Sheryl escritora é seu senso prático. Possivelmente, deve ser uma grande qualidade de seu perfil profissional também. Da minha parte, quando vejo mulheres que têm condição sócio-econômica favorável abrindo mão de vencer profissionalmente, tendo a achar que, realmente, as barreiras são internas.

“Podemos reacender a revolução interiorizando a revolução. A mudança para um mundo mais igualitário vai se dar nas pessoas, uma a uma. A meta maior da verdadeira igualdade fica mais próxima cada vez que uma mulher faz acontecer.” (p. 24)

– É tão difícil, mas tão difícil esse conceito entrar na cabeça das pessoas. Nossa história foi feita de lutas e reivindicações sociais, em que grupos grandes conseguiram seus direitos. Num mundo com bilhões de pessoas, isso simplesmente não é mais factível. Quem quer lutar sozinho ou dentro de sua tribo é acusado de reacionário, apenas porque não está participando de lutas ditas maiores. Mas creio firmemente que, em algum momento, a máxima “seja a mudança que você quer ver no mundo” ganhará massa crítica e iniciará a transformação de dentro pra fora.

“Continua a me espantar não só como nós mulheres não nos pomos em evidência, mas também como não percebemos e não corrigimos essa diferença.” (p. 53)

– Falemos de cotas. Há muita crítica em cima da determinação de cotas para as minorias, eu sei, mas a verdade é que elas ajudam a corrigir realidades. Eu me imponho cotas feministas. Toda santa vez que compro ou empresto um livro, me obrigo a levar pelo menos um que tenha sido escrito por uma mulher. É por isso que, neste blog, existe a TAG autoras, mas não existe a TAG autores.

“Uma das razões pelas quais as mulheres evitam tarefas além de suas atribuições e novos desafios é que elas se preocupam demais se, naquele momento, dispõem ou não das qualificações necessárias para uma nova função. É o tipo de coisa que se reproduz sozinha, já que muitas qualificações são adquirias no próprio trabalho. Um relatório da Hewlett-Packard revelou que as mulheres só se candidatam a novas funções se acharem que atendem integralmente a todos os critérios arrolados. Já os homens se candidatam se acharem que atendem a 60% dos requisitos.” (p. 84)

– Isso explica um bocado porque sentimos que fazemos mais do que aquilo pra que fomos contratadas.

“Os homens estavam interessados em gestão de empresas, as mulheres estavam interessadas em gestão de carreira. Os homens queriam respostas, as mulheres queriam permissão e  ajuda. Percebi que procurar um mentor tinha se tornado o equivalente profissional de esperar o Príncipe Encantado.” (p. 88)

– Sheryl conta que, ao terminar uma palestra, os homens vieram lhe perguntar sobre negócios, mercado; as mulheres lhe perguntaram sobre como achar um mentor…

“Agora O´Connor se refere a si mesma como ‘genitora que adora a carreira’, uma boa alternativa à ‘mãe que trabalha fora’.” (p. 122-123)

– As pessoas torcem o nariz pra termos politicamente corretos porque acreditam que eles cerceiam a liberdade de expressão. Como linguista, acredito que expressões dessa natureza ajudam a criar novas realidades. Também não acredito que devam ser uma camisa de força. Mas, se uma mulher se sente mal por ser classificada como uma mãe que trabalha fora, como se trabalhar a fizesse se sentir menos mãe ou uma mãe pior, genitora que adora a carreira me parece bom.

“As mulheres casadas com homens de mais de mais recursos deixam de trabalhar por uma série de razões, mas um fator importante é o número de horas que os maridos trabalham. Quando eles cumprem uma jornada de cinquenta ou mais horas por semana, as esposas com filhos têm 44% mais probabilidade de deixar o emprego do que as esposas com filhos cujos maridos têm uma menor jornada de trabalho. Muitas dessas mães são as que possuem os níveis mais altos de instrução.” (p. 126)

– Acho esse dado excepcional. Nunca achei que as mulheres com mais recursos financeiros que não trabalham são madames por convicção. Há certas tarefas com os filhos que necessariamente têm que ser feitas por um dos pais. Se o pai estiver sempre trabalhando, sobra pra mãe. É uma decisão dolorosa parar de trabalhar pra mulheres que têm filhos, tanto quanto voltar a trabalhar após a licença maternidade pra aquelas que não têm outra opção. A questão é pararmos de ver ambas as opções com preconceito.

“Se é difícil prever como a pessoa vai reagir ao ter um filho, é fácil prever a reação da sociedade. Quando um casal anuncia que vai ter um filho, todos dizem ‘Parabéns!’ ao homem e à mulher ‘Parabéns! O que você vai fazer com o trabalho?’.” (p. 126)

– Não se iluda: as mulheres nascem aprendendo que os filhos diminuirão sua ambição de vencer profissionalmente.

“As escolhas pessoais nem sempre são tão pessoais como parecem. Todas nós sofremos a influência das convenções sociais, da pressão dos colegas e das expectativas familiares. Coroando todos esses fatores, as mulheres que têm recursos para deixar de trabalhar costumam receber não só permissão mas também incentivos de todos os lados para sair do emprego.” (p. 127)

– Não quero fazer defender a mulher que pode parar de trabalhar e tampouco ignoro as injustiças sociais da sociedade brasileira, mas quero pegar o ponto de que grande parte da desigualdade entre carreiras femininas e masculinas é porque a sociedade exclui as mulheres mais bem preparadas, muito cedo, do mercado de trabalho. Como esperar que as mulheres assumam mais altos cargos se são as mais bem preparadas são primeiras a abandonar a carreira? Outro ponto, mas isso é polêmico: quando as mulheres decidiram ter filhos depois dos 30, inventamos mais um jeito de truncar nossas carreiras. Pense bem: nossas mães nos tinham com 20 anos. Então, aos 30, seus filhos estavam com 10 anos que, convenhamos, é uma idade muito mais fácil de cuidar; com 40, em plena forma intelectual, nossas mães tinham filhos adolescentes e então podiam se dedicar a voltar ao mercado de trabalho com todo o pique. Agora, com 30, resolvemos ter filhos. Até os 40 estamos presas à rotina dos cuidados com crianças, que são muito exigentes. Será apenas com 50 que nossos filhos estarão andando por conta própria e, pense, com 50 anos a gente tem pique de trabalhar 10 horas por dia de novo?! Ter filhos mais cedo me parecia bem mais inteligente.

“Tentar fazer tudo e esperar que tudo saia perfeito é a receita certa para a decepção. A perfeição é a inimiga. Gloria Steinem disse bem: ‘Você não consegue fazer tudo. Ninguém consegue ter dois empregos em tempo integral, criar filhos perfeitos, cozinhar três refeições por dia e ter múltiplos orgasmos até o amanhecer […] A supermulher é a adversária do movimento feminista’.” (p. 155)

– Uma das imagens mais nocivas à autoestima das mulheres são as de celebridades que têm filhos, aquelas mulheres que estão lindas, continuam fazendo novela, estão com um corpão e parecem realizadas. Pense em você mesma logo depois de ter filhos. É possível mesmo tanta perfeição?! Acorde! Photoshop existe na imagem e também no texto. Aliás, quando falamos de nós mesmos, sempre douramos a pílula; então imagine uma celebridade dando um depoimento a jornalistas?! Acorde! Nesse sentido, admiro a atriz Juliana Paes. Numa entrevista a Marília Gabriela, Juliana confessou que a parte difícil de ter ganhado o primeiro filho foi a vida conjugal, com o sexo diminuindo e ela estressada com a falta de sono.

 

 

Dilemas

“Para muitos homens, o pressuposto fundamental é que podem ter uma vida profissional de sucesso e uma vida pessoal completa. Para muitas mulheres, o pressuposto é que tentar fazer as duas coisas é, na melhor das hipóteses, difícil ou, na pior das hipóteses, impossível. […] Pôr a questão em termos de “equilíbrio trabalho/vida” – como se fossem diametralmente opostos – é quase uma garantia de que o trabalho vai sair perdendo. Quem escolheria o trabalho em detrimento da vida?” (p. 39)

– Um dos pontos de Sheryl é que não existe perfeição. Dãh! Pois é, sempre se faz necessário alguém para nos lembrar disso. Sendo assim, é hora de acabar com a história de que dá pra ser bom em tudo e, mais importante ainda, que ser bom em tudo é o desejável. O malemá é perfeitamente aceitável.

“O medo está na base de muitas barreiras enfrentadas pelas mulheres. Medo de não ser apreciada. Medo de fazer a escolha errada. Medo de atrair uma atenção negativa. Medo de ser uma fraude. Medo de ser julgada. Medo do fracasso. E a santíssima trindade do medo: o medo de ser má filha/ esposa/ mãe.

Sem o medo, as mulheres podem procurar o sucesso profissional e a realização pessoal – e ter a liberdade de escolher um ou outro, ou ambos.” (p. 40)

– Não é coincidência que haja muito mais mulher que homens com síndrome do pânico.

“A metáfora mais usual de ascensão profissional é a escada, mas essa analogia não se aplica mais à maioria dos trabalhadores. (…) Lori gosta de citar Pattie Sellers, que bolou uma metáfora muito melhor: ‘Carreira é um trepa-trepa, não uma escada’.

[…]

Como diz Lori, a escada é limitante – a pessoa só pode subir ou descer. Já o trepa-trepa pode ser explorado de maneira mais criativa. Existe apenas uma maneira de chegar no alto de uma escada, mas existem muitas maneiras de chegar ao alto de um trepa-trepa. O modelo do trepa-trepa beneficia a todos, principalmente às mulheres que podem estar iniciando a carreira, trocando de área, sofrendo o bloqueio de barreiras externas ou voltando ao mercado de trabalho depois de ficar fora por algum tempo. A possibilidade de criar um caminho único, com ocasionais descidas, desvios e mesmo becos sem saída, oferece uma melhor oportunidade de realização. Além disso, um trepa-trepa fornece ótimos panoramas para muita gente, não só para quem está no topo. Numa escada, quem está subindo geralmente fica com os olhos presos no traseiro da pessoa logo acima.” (p. 73)

– É tão libertadora essa metáfora. Incorpore-a já!

“Cheguei a ouvir alguns homens dizerem que estão indo para casa ‘ficar de babá’ dos filhos. Nunca ouvi uma mulher dizer que cuidar dos próprios filhos era ‘ficar de babá’. Uma amiga minha coordenou uma exercício de fortalecimento das equipes durante um retiro da empresa em que as pessoas tinham de citar seus passatempos. Metade dos homens do grupo colocou ‘filhos’ como passatempo. Passatempo? Para a grande maioria das mães, filhos não são passatempo. Tomar banho é um passatempo.” (p. 136)

– Dispensa comentários, senão um: na próxima vez que lhe perguntarem como passa seu tempo, diga: eu tomo banho.

“Para as mães, a administração do sentimento de culpa pode ser tão importante quanto a administração do tempo.” (p. 172)

– Ou até mais.

“Como observou Marie Wilson, fundadora do Projeto Casa Branca: ‘Mostrem-me uma mulher sem sentimento de culpa e mostrarei a vocês um homem’.” (p. 172)

– Culpa é um sentimento aprendido, lembre-se disso.

 

 

Marketing pessoal

“As pessoas em geral, inclusive eu, realmente querem que os outros gostem delas – e não só porque a gente se sente bem. Gostarem de nós é também um fato central para o sucesso profissional e pessoal. A disposição de apresentar, defender ou promover alguém depende dos sentimentos positivos que se tem em relação àquela pessoa. […]

Expor o próprio sucesso é fundamental para ter mais sucesso. Para ter um avanço profissional, é preciso que as pessoas acreditem que um funcionário está contribuindo para os bons resultados. Os homens não têm nenhum constrangimento em reivindicar crédito pelo que fazem, desde que não caiam na arrogância. Para as mulheres, pegar esse crédito tem um custo social e profissional muito concreto.” (p. 63)

– Sheryl indica uma pesquisa que aponta que as mulheres que falam de suas conquistas numa entrevista de emprego tendem a não ser contratadas. É mole?!

“É fácil não gostar de mulheres em cargos altos porque são pouquíssimas. Se as mulheres ocupassem 50% dos cargos mais altos, simplesmente seria impossível desgostar de tanta gente.” (p. 70)

– Concordo! Pense nisso na próxima vez em que disser que todos seus chefes foram legais e que a única chefe que teve era uma megera.

 

 

Um novo jeito de trabalhar (para homens e mulheres)

“Foi uma evolução, mas agora acredito firmemente em ir inteira para o trabalho. Deixei de achar que as pessoas têm uma identidade profissional de segunda a sexta e uma identidade real no restante do tempo. Esse tipo de separação provavelmente nunca existiu, e hoje, na era da expressão individual, em que as pessoas atualizam constantemente seu status no Facebook e tuítam cada passo que dão, essa separação é ainda mais absurda.” (p. 113-114)

“A abordagem só profissional nem sempre é muito profissional” (p. 113)

– Uma crítica que os homens fazem a nós é de que não separamos o lado profissional do pessoal. Acho que Sheryl busca um meio-termo nisso, embora possa dar a impressão de que buscaria divisão nenhuma. De qualquer forma, as leis trabalhistas ainda nem imaginam como tratar a privacidade nesse novo mundo interconectado.

“Um cálculo equivocado que algumas mulheres fazem é abandonar cedo a carreira porque o salário mal dá para cobrir os custos dos cuidados com os filhos, seja com babá ou creche. É um despesa enorme, e é frustrante trabalhar muito só para empatar. Mas as mulheres precisam calcular os custos dos cuidados com os filhos tomando como base não o salário atual, e sim o salário futuro.” (p. 129)

– Isso é tão importante! Se pensarmos no incremento que nossos salários e ganhos terão no longo prazo, faz sentido empatar no presente. Se abandonássemos a carreira, ao voltar estaríamos ganhando talvez até menos. Mulheres, visão de longo prazo, rápido!

“Assim como as mulheres têm de ser mais reconhecidas no trabalho, os homens têm de ser mais reconhecidos em casa. Tenho visto mulheres que, sem perceber, desestimulam o marido na hora de fazer sua parte, porque são controladoras ou críticas demais.” (p. 136-137)

– Verdade.

“Nunca ficamos numa situação totalmente paritária – é difícil definir ou sustentar a igualdade completa – , mas o pêndulo oscila ora para um, ora para outro.” (p. 141)

– Outro conceito libertador que Sheryl nos traz, como o do trepa-trepa: não existe igualdade, existe uma gangorra que ora sobe, ora desce. A vida é um parquinho de diversões!

“Também tenho a forte impressão de que, quando uma mãe fica em casa, as horas do dia devem ser consideradas como trabalho de verdade – porque são mesmo. Criar os filhos é, no mínimo, tão desgastante e exigente quanto um emprego remunerado. Não é justo que se espere que as mães continuem a trabalhar à noite por horas a fio, enquanto os pais que trabalham fora podem relaxar depois do expediente.” (p. 149)

– Mas quem primeiro tem que admitir isso é a mãe que trabalha como dona de casa.

“Se tivesse de escolher uma definição de sucesso, seria a de que o sucesso é fazer as melhores escolhas que pudermos… e aceitá-las.” (p. 174)

– Bacana!

“Uma cruzada ‘nós contra eles’ não nos levará à verdadeira igualdade. Tampouco uma cruzada ‘nos contra nós’ (…)” (p. 205)

– O ponto é: não existe nem certo nem errado. Homens e mulheres erram e acertam na mesma medida, uns em relação aos outros e em relação a si mesmos.

“O objetivo é trabalhar por um mundo onde não existam mais essas normas sociais. Se um maior número de crianças vir os pais pegando os filhos na escola e as mães ocupadas no emprego, poderão conceber mais opções para si mesmas. As expectativas se darão não pelo sexo, mas pelo gosto, talento e interesse pessoal.” (p. 209)

– É isso aí!

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2013

 

SANDBERG, Sheryl. Faça acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar. Com Nell Scovell. Tradução Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, 1ª edição.

Se preferir, compre a versão ebook.

 

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