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162 frases do maior escritor brasileiro – org. Maria Lucia Rangel

Postado às 21:11 do dia 03/06/12

No facebook, escrevi:

Cara, Machado é inimitável; o Lara Resende é hilário; a Maria Lucia é gentilíssima; esta edição da Casa da Palavra é fofa. Ótimo presente pra bibliófilos, escritores, ou aforistas.

De fato, fiquei muito apaixonada por este livro, impresso naquele papel beginho lux cream de 70g/m2 com capa dura pela Casa da Palavra. Não tenho nem o que comentar desta edição, mas vou; ou comentários não são, parecem declarações de uma apaixonada.

Antes de atacar a leitura das frases, resolvi fazer a numerologia de Machado, coisa que, não sei por que cargas d´água, ainda não tinha atentado fazer. Ei-la: Alma 53/8; Aparência 52/7; Missão 105/15/6; Lição 48/3; Quintessência 9. Tá tudo explicado, né? Estes são, de fato, números de um gênio das letras. Pois as frases deste gênio foram escolhidas pelo jornalista Otto Lara Resende a pedido da jornalista Maria Lúcia Rangel, quando esta era editora do Jornal Nacional. Fazia-se a comemoração dos 150 anos de Machado e a ideia era encerrar o JN com uma frase dele. Esta história é contada por ela, que também abre o livro nos contando a divertida eleição do Lara Resende à ABL, da qual Machado é fundador. Só por estas histórias o livro já valeria a pena. Jornalismo heroico o desta época!

Quanto às frases, ora, uma melhor que outra. Veja que o livro traz o título oficial “Machado de Assis por Otto Lara Resende”. Então você junta o melhor dos escritores brasileiros com um dos mais notáveis jornalistas e sai uma seleção deliciosa, impecável.

Aqui vão as minhas preferidas entre as preferidas do Lara Resende.

 

“1. Se achares três mil réis, leva-os à polícia; se achares três contos, leva-os a um banco.”

– Muito curioso que Maria Lucia tenha aberto o livro com esta frase. Terá sido a primeira datilografada pelo Lara Resende também? Bem, esta frase me leva imediatamente ao capítudo Um Embrulho Misterioso, do Memórias Póstumas, quando Brás-Cubas topa com um pacote na praia de Botafogo e descobre haver nele cinco contos. Entre levar ou não o pacote à polícia, ele decide fazer uma boa ação com o dinheiro, entregando-o, finalmente, como um pecúlio à D. Plácida, a boa senhora que cuidava da casa na Gamboa onde ele se encontrava às escondidas com Virgília. O que amo neste trecho de Um Embrulho Misterioso é que as vergonhas de Brás-Cubas quanto a pegar o dinheiro para si se desfazem quando ele conclui: “Não se perdem cinco contos, como se perde um lenço de tabaco.” Entretanto, os cinco contos estavam perdidos. É cômico!

 

“2. Há muitos modos de afirmar; há um só de negar tudo.”

– A frase vem do conto A Igreja do Diabo, mas poderia ser ouvida da boca de qualquer uma das mulheres de Machado que negam de todos os jeitos, mas nunca afirmam a verdade.

 

“4. Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular.”

– Já mencionei em algum canto que acho incrível que Balzac, só por ter defendido a Monarquia, seja até hoje considerado reacionário e Machado, por defender a República, seja considerado um liberal. Acho que a crítica de ambos aos mecanismos corruptores da política é igual, em e de ambos os regimes.

 

“34. Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.”

– Para mim, isto é a essência do espírito do marketing de luxo. Pasma fico eu deste monte de marca popular querer ser repaginada como marca bacana. Não entendo: Riachuelo, Renner, C&A, Ana Hickmann… Não se avança à exclusividade; a exclusividade é apenas retroativa.

 

“36. O casamento não é uma solução, é um ponto de partida.”

– Tirante o fato das mocinhas se casarem por arranjo – é a esta época que fala a frase – , a frase serve perfeitamente aos dias de hoje: não devemos casar por que estamos apaixonados, mas porque já estivemos apaixonados, desapaixonados e apaixonados de novo um par de vezes.

 

“47. O coronel Macedo tinha  a particularidade de não ser coronel. Era major.”

– Num país onde médico é doutor depois de cinco anos, advogado é doutor com apenas um semestre, e um doutor continua sendo tão somente professor depois de seus dez ou doze anos passados numa universidade, é claro que Macedo tinha que ser coronel. O poder é exercido estranhamente no Brasil.

 

“53. O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco.”

– Vou indicar a frase ao marketeiro da oposição em 2014.

 

“69. As pequenas dívidas são aborrecidas como moscas. As grandes logicamente deviam ser terríveis como leões, e são mansíssimas.”

– Mas isto, a esta altura do campeonato, o brasileiro já aprendeu.

 

“79. O burro não é propriamente um animal, mas a imagem quadrúpede do homem”

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“100. O mal calado não se muda, mas não se sabe.”

– De novo, vem à mente aquele célebre frase usada pelo vegetarianos: “o silêncio da testemunha fortalece o algoz.”

 

“143. Homem gordo não faz revolução. O abdômen é naturalmente amigo da ordem; o estômago pode destruir um império; mas há de ser antes do jantar.”

– Devemos temer os ascetas.

 

“162. A vida é uma ópera bufa com intervalos de música séria.”

– Bravo! Bravo! Bravo!

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

 

RANGEL, Maria Lucia (Org.) Machado de Assis por Otto Lara Resende: 162 frases do maior escritor brasileiro. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012.

 

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