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Nocaute – Gary Veynerchuk

Postado às 10:32 do dia 10/01/21

Um livro que ensina a contar histórias nas redes sociais, até mesmo em redes sociais que não são mais relevantes, como Tumblr, e até nas que deixaram de existir, como Google +. Este é o único defeito do livro: ter sido publicado no Brasil 6 anos depois de ter sido lançado nos Estados Unidos, onde virou um best-seller listado no The New York Times.

Então a pergunta é se valeria a pena lê-lo, mesmo sendo datado. Bem, se você estiver com tempo sobrando, dinheiro extra e tem dado umas marretadas no Instagram e Twitter sem muito sucesso, certamente aprenderá alguns truques. Ok, não são truques. O autor do livro, Gary Vaynerchuk, dá algumas dicas obrigatórias pra exitar nas redes sociais (como a de colocar SEMPRE sua logomarca nas imagens), mas fala que não existe receita de bolo: é ir postando e testando.

Talvez você seja uma pessoa chata como eu, que usa redes sociais apenas por obrigação (como todos passamos a fazer depois que o Facebook virou palco pra polarização política em 2013), ou talvez você seja uma pessoa que realmente gosta de redes sociais, a mensagem de Gary é uma só: primeiro você dá, depois você pede. Na metáfora que ele usa, a do boxe, dar é “dar um jab“, postar conteúdos que ensinam, divertem ou emocionam e jamais têm uma call to action. E pedir é o “gancho de direita”, que leva o cliente a nocaute, ou seja, quando você o faz abrir a carteira com calls to action.

É cansativo. A coisa mais cansativa da face da terra é fazer conteúdo. E fazê-los com pouco texto não é apenas cansativo: pra mim, também julgo ser um aviltamento à inteligência humana, a mediocrização do pensamento, a subestimação de nossa capacidade de reflexão. Eu detesto redes sociais que privilegiam imagens a textos, e privilegiam textos curtos a textos longos. Eu acho que as redes sociais emburrecem, fazem com que as pessoas fiquem cada vez mais ansiosas e destrói a capacidade de leitura delas e, logo, de ganharem autonomia de pensamento.

Mas elas são inevitáveis e, por isso, esforço-me por usá-las da melhor maneira possível, o que inclui saber o que faz sucesso nelas, nem que seja pra fazer exatamente o oposto, como um ato de rebeldia e resistência.

No momento em que escrevo esta resenha, a conta do Instagram da Casa Máy já está hackeada há 1 mês. Tínhamos 13,2 mil seguidores após 2 anos e 550 postagens. Um garoto que mora na Turquia a hackeou, apagou todas as postagens, mudou o nome da conta, o telefone e o email. Pra recuperá-la, terei que gastar alguns milhares de reais porque o Instagram simplesmente ignorou meu pedido de denúncia. Agora terei que confiar em um escritório de cyber segurança pra reavê-la.

Então, ler este livro foi meio chato, porque eu leio sobre a inevitabilidade das redes sociais e estou com este sentimento de frustração por depender do Instagram e a empresa cagar e andar pra conta da minha empresa.

Enfim, c´est la vie.

Deste livro, eu separei apenas 2 citações pra comentar. Não é um livro memorável pra citações. É um livro como as postagens de redes sociais: descartáveis.

Seguem elas.

 

Opinião de especialista

“O conteúdo é rei, mas o contexto é Deus. Você até pode ter um bom conteúdo, mas, se ignorar o contexto da plataforma, o fracasso é quase certo.” (p. 25)

– O que o Gary quer dizer com esta frase é o seguinte: no Facebook, fale facebookquês, no Instagram, fale instagramês; no Twitter, fale twiitês; no You Tube, fale youtubermês etc. Eu só tenho uma coisa pra te dizer: não fale uma língua que te deixe ridículo. A coisa mais ridícula da face da terra é quando uma pessoa tenta falar com um sotaque forçado, como quando as pessoas passaram a dançar em postagens no Reels à la Tic Toc. Dá vergonha alheia. O melhor sotaque é o seu, o autêntico. Simplesmente não fale um sotaque que te deixe ridículo. Apenas pessoas que gostam de coisas ridículas é que vão te seguir (bem, ridículos compram, de repente seu mercado é o mercado de pessoas ridículas; neste caso, imite todas as modas).

 

“No mundo do marketing, logo não haverá mais separação entre Igreja e Estado.” (p, 202)

– Às vezes, no meio de um mar de postagens, surge uma pérola. É como neste livro. Esta frase é simplesmente genial e praticamente valeu a grana e o tempo que gastei com ele. O contexto desta frase é que as empresas não precisam mais postar apenas sobre o que fazem. Por exemplo: um fabricante de carros não precisará apenas postar sobre carros; ela poderá postar sobre hambúrguers caso consiga fazer o link de que você deve dirigir pra ir comer um hambúrguer. Outro exemplo: empresas se transformarão em empresas de mídia, todas elas, porque as redes sociais obrigam a isso. Desta forma, se você vende sapatos, nada impede que você seja uma empresa de mídia digital sobre sapatos. Mas eu vi outro contexto nesta frase: as redes sociais acabaram com a divisão trabalho/lazer, privado/público, trabalho/férias, empresa/dono. Ou seja, as redes sociais nos escravizaram, obrigando-nos a postar fotos de nós, do que fazemos e a saber do que os outros fazem. Pessoas introvertidas, como eu, gostariam de voltar ao Estado laico. As redes sociais são um regresso pós-moderno à Idade Média.

Escrito por Mayra Corrêa e Castro (C) 2021

 

VAYNERCHUK, Gary. Jab, jab, jab Nocaute: como contar sua história no disputado ringue das redes sociais. Tradução de Cristina Yamagami. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019.

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