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Tia Julia e o escrevinhador – Mario Vargas Llosa

Postado às 23:00 do dia 16/08/12

Fazia anos que não lia um livro tão chistoso. A leitura me salvou do desagrado que sinto quando viajo de avião e me fez dar risadas em plena turbulência. Participando de uma agenda cansativa em Belo Horizonte, ainda encontrava forças para, tarde da noite, chegar no hotel, tomar banho, comer, tudo isso bem rápido, pra pode deitar na cama e ler um pouquinho mais do Tia Julia.

Em entrevista ao Jornal Rascunho, o escritor Luiz Ruffato disse que a obra de Mario Vargas Llosa (1936) definhou à medida que se tornou panfletária, à medida que o escritor peruano foi querendo provar alguma coisa com seus romances. Tia Julia não deve ser dessa fase (foi escrito em 1977), porque não tem nada definhando nele. É um livro engraçadíssimo, apesar de volumoso (a edição de bolso conta com 462 páginas), fluente, bem escrito (e bem traduzido), possui um narrador que é um frescor de gostosura e tem um quê de autobiográfico que o torna ainda mais interessante.

A história é de um estudante de Direito, que tem 18 anos, é chamado por seus parentes ora de Marito, ora de Varguitas, trabalha como jornalista numa rádio em Lima e sonha em ser escritor e morar numa água-furtada em Paris. Varguitas acaba se apaixonando por Tia Julia, irmã da esposa de seu tio, que é divorciada, boliviana, tem 32 anos, e está em Lima, ao que tudo indica, para encontrar um novo marido. Enquanto esse romance se desenrola, Varguitas se torna o melhor amigo do escritor de novelas Pedro Camacho, recém-contratado pela rádio onde trabalhava, para produzir novelas que serão as campeãs incontestes de audiência no Peru. Acontece que Pedro Camacho, que trabalha 10 horas por dia, como um Balzac mal sucedido, começa a misturar personagens e roteiros e provoca a revolta dos ouvintes.

A maneira que Vargas Llosa encontrou de escrever o romance foi cedendo um capítulo à trama de Varguitas e Tia Julia, outro capítulo a um dos dramalhões radiofônicos de Pedro Camacho. O romance se passa nos anos 50 e tudo teria a chance de transbordar em cafonice se o autor não tivesse criado um narrador de tão contagiante jovialidade em sua admiração pelo gênio criativo por trás de Pedro Camacho. Ao invés de se transformarem num pastelão, este tom gentil, inocente e alegre dos 18 anos confere aos enredos novelísticos de Tia Julia uma saudade de quando o máximo da ousadia era querer se casar sem a anuência da família.

Abaixo transcrevo as melhores partes do livro.

 

 

O ofício de escrever

“Genaro filho comprava (ou melhor, a CMQ vendia) as novelas por peso e por telegrama. Ele mesmo me havia contado isso, uma tarde, depois de ficar pasmo quando perguntei se ele, seus irmãos ou seu pai aprovavam os roteiros antes de serem transmitidos. ‘Você seria capaz de ler 70 quilos de papel?’, me perguntou de volta (…)” (p. 14-15)

– Tá aí um troço interessante: passar numa livraria e comprar livro por quilo, que nem comida. Será que cobrariam o quilo mais caro nas prateleiras de literatura estrangeira como se cobra mais caro o buffet no domingo?

“Tinha certeza de que um erro de caligrafia ou de ortografia nunca era casual, mas sim uma falta de atenção, uma advertência (do subconsciente, de Deus ou de alguma outra pessoa) de que a frase não servia e que era preciso refazê-la.” (p. 61)

– Que martírio deve ser escrever com esse tipo de superstição!

“ – Se algum dia eu me casar, nunca terei filhos – adverti. – Os filhos e a literatura são incompatíveis.” (p. 113)

– Entanto, como há filhos e livros.

“ – Acha que é possível produzir filhos e histórias ao mesmo tempo? Que se pode inventar, imaginar, se se vive sob a ameaça da sífilis? A mulher e a arte são excludentes, meu amigo. Em cada vagina está enterrado um artista. Reproduzir-se, que graça tem isso? Não fazem isso os cachorros, as aranhas, os gatos? Temos de ser originais, meu amigo.” (p. 200)

– A fala é de Pedro Camacho, o escritor que começa embaralhar enredos e personagens. Entende-se por quê, hahaha!

“As histórias, para chegar ao público, tinham de ser frescas, como as frutas e as verduras, pois a arte não tolerava as conservas e menos ainda os alimentos que o tempo havia apodrecido.” (p. 164)

– Por isso reescrever as mesmas histórias, embora muitos achem que todas já foram contadas.

“Acaso são escritores esses políticos, esses advogados, esses pedagogos, que detinham o título de poetas, romancistas, dramaturgos porque, em breves parênteses de vidas consagradas em quatro quintas partes a atividades alheias à literatura, produziram um livreto de versos ou uma miserável coleção de contos?” (p. 243)

– Não respondo. E o que acha você, merecem ser chamados escritores?

“Não queria de nenhum modo ser um escritor pela metade e aos pouquinhos, mas um de verdade (…)” (p. 244)

– Ninguém quer, mas, quase sempre, todos são.

 

 

O ofício de atuar

“Um dia, jurou que este havia aconselhado Luciano Pando a se masturbar antes de interpretar um diálogo de amor, com o argumento de que isso debilitava a voz e provocava um ofegar muito romântico. Luciana Pando havia resistido.

– Agora dá para entender por que cada vez que tem uma cena sentimental ele se mete no banheiro do pátio, don Mario. – Grande Pablito fazia o sinal da cruz e beijava os dedos. – Para mandar ver, para que mais? Por isso fica com a voz tão suavezinha.” (p. 122)

– Esse foi um dos trechos que fez rir nas turbulências. Só de reler a cena já rio mais uma vez do ridículo.

“A gravação de um episódio é uma missa, meu amigo.” (p. 125)

– Já ouvi atores dizendo que a única coisa que preserva o sentimento de missa é a atuação no teatro. TV e cinema estariam mais pra pandemônio.

 

 

Diferenças de idade

“Durante o almoço, com aquele ar carinhoso que os adultos adotam quando se dirigem aos idiotas e às crianças, me perguntou se eu tinha namorada, se ia a festas, que esporte praticava e, com uma perversidade que eu não entendia se era deliberada ou inocente, mas que de qualquer modo me tocou a alma, me aconselhou a assim que eu pudesse deixar crescer o bigode. Ficava bem nos morenos e me facilitaria as coisas coma as garotas.” (p. 17)

– A coisa fofa que Tia Julia viu em Varguitas é a mesma que nos enternece na leitura do livro.

“A onda de alegria, alimentada pela música, pelo sol e pelo álcool havia subido dos jovens para os adultos e dos adultos para os velhos, e o doutor Quinteros viu, com surpresa, que até mesmo don Marcelino Huapaya, um octogenário aparentado da família, balançando com esforço sua rangente humanidade (…)” (p. 46)

– Muitos vivas quando um adjetivo encontra seu melhor substantivo!

“[50 anos] A idade do apogeu cerebral e da força sensual, dizia, da experiência digerida. A idade em que se era mais desejado pelas mulheres e mais temido pelos homens.” (p. 75)

– Nas novelas do boliviano Pedro Camacho, todos os protagonistas vivem seus dramas quando chegam à cinquentena. Em certa medida, o romance de Vargas Llosa é a resposta masculina a A Mulher de Trinta Anos.

“Lá, tia Julia se pôs a brincar com tio Lucho sobre os 50 anos, idade a partir da qual os homens se transformavam em velhos safados.” (p. 77)

– Então devo supor que a idade correspondente na mulher sejam os 20 anos que é quando aceitam, em dupla, entrar no lugar de uma com 40?

 

 

Diferenças de geografia

“A esposa e a filha encontravam-se na Europa, cultivando o espírito e renovando o guarda-roupa, e só voltariam dentro de um mês.” (p. 29)

– Negue se nunca esteve em Paris com a intenção de se enfeitar!

“ Já encontrou argentinos em sua vida? Quando encontrar com algum, mude de calçada, porque a argentinidade, assim como o sarampo, é contagiosa.” (p. 68)

– Achei que só o Brasil tivesse rixa com a Argentina.

“Uma vez, disse a ele que vê-lo trabalhar me lembrava a teoria dos surrealistas franceses sobre a escrita automática, aquela que brota diretamente do subconsciente, escapando às censuras da razão. Obtive uma resposta nacionalista:

– Os cérebros de nossa América mestiça podem parir coisas melhores do que os franceses. Nada de complexos, meu amigo.” (p. 164)

– É tão esquisito ler autores latino-americanos. Eles sempre me parecem muito mais ciosos de sua nacionalidade não norte-americana que nós.

 

 

Diferenças de cultura

“Quando perguntei por que gostavam [das novelas] mais do que dos livros , protestaram: que bobagem, como dá para comparar, livros eram cultura, as novelas simples disparates para passar o tempo.” (p. 117)

– De minha parte não vejo problema algum em gostar de novela, Big Brother, Jô, Roda Viva, Pânico, etc. O problema é que roubam tempo à leitura. Então, escolho ler.

“O juiz compôs mentalmente o lema que, sem dúvida, regia a vida do testemunha: levantar da cama com sono, da mesa com fome e (se é que ia alguma vez) sair do cinema antes do final.” (p. 147)

– Sabe aquele ditado que manda quem pode, obedece quem tem juízo? É a mesma coisa do de cima.

“A prefeitura, uma casa de barro com cobertura de zinco, pequena e paupérrima, preguiçava de um lado da praça.” (p. 384)

– “Preguiçava” é um dos motivos para cumprimentarmos o tradutor, seja neologismo original, seja traduzido.

 

 

Casamentos, amores e divórcios

“ – O ruim de ser divorciada não é que todos os homens se achem na obrigação de fazer propostas – me informou tia Julia. – Mas sim que por ser divorciada pensam que podem dispensar o romantismo. Não namoram, não fazem gentilezas, já vão propondo coisas de cara com a maior vulgaridade. Isso me desanima.” (p. 22)

– Me lembrei da bronca que o personagem de Cuba Gooding Jr. dá em Jerry Maguire, interpretado por Tom Cruise em filme homônimo, quando descobre que este está saindo com uma mulher divorciada e que, ainda por cima, é mãe solteira. Ele diz que uma mãe solteira é coisa sagrada e que ele não poderia lhe partir o coração. Tia Julia divorciou sem filhos, vai ver era por isso.

“Ela se queixava de que, também aqui, assim como na Bolívia, os moços bons eram pobres, e os ricos, feios, e que quando aparecia um moço bom e rico era sempre casado.” (p. 64)

– Não mudou nadica de nada, vai ver é por isso que a mulherada tá se derramando no Cinquenta Tons de Cinza, porque o carinha é bonito, rico e solteiro – uma raridade! (Não, não acho; Cinquenta Tons faz sucesso porque são muitas as que acham vulgar a pornografia visual, mas nunca a auditiva.)

“ A inexperiência erótica dos cônjuges determinou que a consumação do matrimônio fosse lentíssima, uma novela na qual, entre ameaças e fiascos por precocidade, falta de pontaria e extravio, os capítulos se sucediam, crescia o suspense, e o resistente hímen continuava não perfurado. Paradoxalmente, tratando-se de um casal de virtuosos, dona Zoila perdeu primeiro a virgindade (não por vício, mas por estúpido acaso e falta de treinamento dos noivos), heterodoxamente, vale dizer, sodomiticamente.” (p. 181-182)

– Felizmente, nesta altura da leitura, eu já tinha saído do avião, porque a gargalhada que dei ao ler o parágrafo acima teria provocado a liberação do trem de pouso da aeronave.

“Não odiava as mulheres; simplesmente, como não era um erotômano, nem um voraz, de que podiam lhe servir pessoas cujas melhores aptidões eram a fornicação e a cozinha?” (p. 184)

– Não se puna por misoginia se também rir.

“ Um bom purgante fulmina a loucura do amor.” (p. 199)

– Pedro Camacho, o escritor de rádio-novelas do livro, cria uma personagem que faz diagnósticos psicológicos e trata todos os males de alma cuidando da evacuação dos clientes. Seria ainda mais engraçado se a medicina não tivesse descoberto, assustadoramente, que os intestinos são realmente nosso segundo cérebro. Leia o trecho abaixo da tal terapeuta dos intestinos:

“ – [barriga e espírito] São indiferenciáveis – desarmou-o a médica. Um intestino que evacua pontual e totalmente é irmão gêmeo de uma mente clara e de uma alma bem ponderada. Ao contrário, um intestino carregado, preguiçoso, avarento, engendra maus pensamentos, azeda o caráter, fomenta complexos e apetites sexuais tortuosos e cria vocação para o delito, uma necessidade de castigar nos outros o tormento excrementício.” (p. 225)

– Deveríamos, portanto, dar uma medalha de benemérito ao Activia?

“O homem de La Perla foi o único, entre os mortos dessa tarde grega, que morreu de morte natural. Se se pode chamar de natural o fenômeno, insólito em tempos prosaicos, de um homem, a quem o espetáculo da bem-amada morta a seus pés paraliza o coração e mata.” (p. 367)

– Sim, é insólito, como todos os males de coração que foram escritos durante o século XIX nas águas-furtadas de Paris. Uma coisa que se deve ter mente para gostar de Tia Julia é que Vargas Llosa foi mais um dos escritores que sonharam romanticamente com Paris.

“Porque, apesar de seu retraimento e feiura, Crisanto Maravillas exercia uma feiticeira atração sobre as limenhas. Brancas com contas no banco, mestiças remediadas, negras de bordel, garotinhas aprendendo a viver ou velhas que despencavam, apareciam no modesto quarto H, com o pretexto de pedir um autógrafo.” (p. 405)

– É que a fama cega. Aos fãs.

 

 

Cumprimentos

“ – Um amigo: Pedro Camacho, boliviano e artista.” (p. 28)

– Imagine o ridículo de se fazer apresentado assim, quando se vê pela primeira vez: Uma amiga: Mayra Corrêa e Castro, brasileira e aromaterapeuta.

“Porque a filha de seu irmão Roberto era a versão mulher do homem que era Richard: uma dessas belezas que dignificam a espécie e fazem com que as metáforas sobre as garotas com dentes de pérolas, olhos de estrelas, cabelos de trigo e pele de pêssego pareçam mesquinhas. Miúda, de cabelos escuros e pelo muito branca, graciosa até no jeito de respirar, tinha um rostinho de linhas clássicas, traços que pareciam desenhados por um miniaturista do Oriente.” (p. 34)

– Você já viu uma mulher que fosse graciosa até no jeito de respirar? Permita-se ser encantado por essa descrição. O romance se passa nos anos 50 e ainda uma década depois Helô Pinheiro era chamada de garota do corpo dourado cheia de graça.

“Estava com um vestido azul, sapatos brancos, maquiagem e penteado de cabeleireira; dava uma risada forte e direta e tinha a voz rouca e olhos insolentes.” (p. 76)

– Ok, a descrição avançou um pouco, mas ainda não é um homem achando que a mulher era boazuda e gostosa.

“Por que pretender estuprar uma dama, de família, sim, mas cinquentona e manca, miúda, amorfa e, em suma, por qualquer estética conhecida, feia sem atenuantes nem remédio?” (p. 270)

– Se existe finesse pra elogiar, também existe pra insultar. Dragão, trubufu, caveirão, nada disso: o mais elegante é chamar de “feia sem atenuantes nem remédio”.

“Era uma mulher a quem fora dada essa bela voz para indenizá-la de algum modo pela aglomeração de equívocos que era seu corpo.” (p. 289)

– Mais outra hilária: “aglomeração de equívocos”.

 

 

Vocações

* a que brota na infância do futuro profissional que trabalhará com a extirpação de ratos

“Não se tratava de infligir o máximo de sofrimento por unidade do inimigo, mas sim de destruir o maior número de unidades num mínimo de tempo. Com lucidez e determinação notáveis para sua idade, extirpou de si todo sentimentalismo e seguiu em frente em sua tarefa genocida, com critério glacial, estatístico, científico.” (p. 178)

 

* daqueles que concorrem com médicos e psicólogos

“Tinha obtido brilhantes e copiosos diplomas nos grandes centros do saber – a teutônica Berlim, a fleumática Londres, a pecaminosa Paris – , mas a universidade principal em que havia aprendido muito do que sabia sobre a miséria humana e seus remédios tinha sido (naturalmente) a vida.” (p. 223)

 

* pra criar um personagem inspirado em João Gilberto

“Não tinha voz potente; seria incapaz de imitar as proezas do célebre Ezequiel Delfín que, ao cantar certas valsas, na clave de sol, trincava os vidros das janelas que tinha pela frente. Mas a falta de força era compensada por sua inabalável entonação, maníaca afinação, essa riqueza de matizes que nunca desprezava nem feria uma nota.” (p. 400)

 

 

Culpa

“Mas esta não é uma sessão especial, onde entram dois com uma entrada. Vamos nos ocupar de você.” (p. 226)

– Para que você entenda a graça do trecho, preciso explicar. Um sujeito tinha atropelado uma criança na beira da estrada e esse acidente provocou outro, onde ele próprio e mais um guarda-civil acabaram atropelados (o último, morto). Profundamente abalado, o sujeito desenvolve uma fobia a veículos e recorre a uma terapeuta para se tratar. De cara ela lhe diz, no melhor estilo psicanálise-botequim, que seu inconsciente queria matar a criança. Daí o sujeito pergunta: “ – E o guarda-civil? Também fui eu que matei?” A resposta da terapeuta é a que transcrevi. É muito engraçado.

“A mãe (…) ficou tão impressionada de ver que o filho tão sonhado e pedido a Deus era aquilo – uma larva de hominídeo, um feto triste? – que expulsou o marido de casa, responsabilizando-o e acusando-o, na frente dos vizinhos, de ser só meio homem por culpa da beatice.” (p. 394)

– Nunca me ocorreu que pudesse ser culpa deles. Que humor cruel! Hahaha

“As idas a Lima eram, pois, umas férias nas quais, literalmente, não descansava um segundo e das quais voltava exausto à Europa. Só com minha selvagem parentela e os inúmeros amigos, tínhamos convites diários para almoçar e jantar (…)” (p. 445)

– Quando se opta por morar longe, abre-se mão dos feriados tranquilos, das férias fora da cidade natal, de ficar espreguiçando numa praia deserta. Toda data esticada deve ser passada com a família e o que seriam férias viram trabalho.

 

 

Crianças e filhos

“Por outro lado, como se podia chamar de inteligentes seres [as crianças humanas] que, a uma idade em que qualquer gatinho já procura seu sustento, eles ainda bamboleiam desajeitados, dão de cara nas paredes e se enchem de galos?” (p. 232)

– Imagine um filhote humano e um filhote animal. Qual lhe parece mais evoluído? Pois é. É com argumentos dessa natureza que os especistas escrevem seus manifestos.

“Aterrorizados diante da ideia de ter procriado um fim de raça, hemofílico e tarado, que seria mais tarde motivo de riso do público, os pais recorreram à ciência.” (p. 346)

– “Um fim de raça” é algo muito cruel pra descrever uma criança. O livro é lotado deste tipo de humor negro. Seria repulsivo se não fosse tão autoirônico.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

 

VARGAS LLOSA, Mario. Tia Julia e o escrevinhador. Trad. de José Rubens Siqueira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

 

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