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Vislumbres da Índia – Octavio Paz

Postado às 15:00 do dia 15/08/12

Farei as apresentações, porque esta mania de dizer que tal escritor as dispensa só contribui pra nossa ignorância. Octavio Paz nasceu no México (1914-1998), foi autor de vários livros (poesia e prosa) e ensaios, ganhou em 1990 o Nobel de literatura e trabalhou no corpo diplomático mexicano em Paris, no final dos anos 40. O livro Vislumbres da Índia, escrito em 1995, quando Paz já era uma unanimidade, busca entender a si próprio e sua identidade mexicana a partir da experiência que teve como embaixador na Índia no começo dos anos 60. A Índia estava independente desde 1947 e o escritor foi enviado ao país com o objetivo de abrir uma missão diplomática em Dehli. Por isso, o livro é carregado de história e de política, mas com o olhar de alguém que entende que ambas são feitas por pessoas.

Se você gostou do “dicionário” Índia, Um Olhar Amoroso, de Jean-Claude Carrière, ou de Por Amor à Índia, de Catherine Clément, pode comprar e ler este Vislumbres que está na mesma medida.

Abaixo transcrevo três partes. Nem me lembrava do livro, mas descobri um caderno de anotações, que mantive possivelmente em 2003, e estavam elas lá, ao lado das de O Primo Pons, de Balzac, também já resenhado aqui. Quando li o livro, estava grávida do primeiro filho, e meu marido estava na Índia. Foi tudo o que pude ter do subcontinente: vislumbres.

 

 

“O diálogo entre o poeta e o santo é difícil porque o primeiro, antes de falar, deve ouvir os outros, quero dizer, a linguagem, que é de todos e de ninguém; em compensação, o santo fala com Deus ou consigo mesmo, duas formas de silêncio.” (p. 115)

– Imagino que uma coisa que deva ter chocado Octavio Paz foi constatar que há mais santos depravados na Índia que poetas depravados em Paris. Frases antes, ele comenta que encontrou mais poetas com bom-senso que santos. É chocante mesmo. Eu vivi por onze anos mergulhada no yoga e notei, não raras vezes, haver muito mais apego e vaidade entre yogis que entre empresários.

“O que aprendi na música – além do prazer de percorrer essas galerias de ecos e esses jardins de árvores transparentes, onde os sons pensam e os pensamentos dançam – foi algo que também encontrei na poesia e no pensamento: a tensão entre a unidade e a vacuidade, o contínuo ir e vir entre ambas.” (p. 132)

– Ele fala da música indiana. De fato, a experiência da música indiana é desconcertante: é uma música feita para fruição espritual. Não que todas não possam sê-lo, mas é que, quando o fazem, é meio no chute; a música indiana é descaradamente para o gozo espiritual. Em si, ela já é um contradição ou, nas palavras de Paz, esse ir e vir.

“Mas na arte popular a sensibilidade indiana e a mexicana convergem: fantasia, humor, cores violentas e formas bizarras. O mundo do sagrado cotidiano e da poesia diária.”

– Todo mundo que viaja à Índia diz que a tatibilidade do etéreo é algo arrebatador.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

 

PAZ, Octavio. Vislumbres da Índia. São Paulo: Mandarim, 1996.

OBS: O livro está esgotado em português. Só mesmo em bibliotecas públicas ou sebos para achá-lo.

 

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