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The Unspoken Truth About Essential Oils – Stacey H. e Kayla F.

Postado às 18:46 do dia 28/02/19

Talvez você seja novo na aromaterapia, tão novo e ainda tão visceralmente capturado pela beleza dos cuidados com os óleos essenciais que nem passe por sua cabeça que eles possam causar prejuízos à sua saúde. Nesse caso, você não está sozinho. A sensação de empoderamento que os primeiros contatos com a aromaterapia nos proporciona é inebriante. Mas é preciso conhecer o poder desses pequenos frascos de óleos essenciais. Mais que conhecer esse poder, “respeitá-lo”, como nos conta a corajosa autora Stacey Haluka.

Unspoken Truth Stacey Haluka

A verdade não contada sobre os óleos essenciais – Lições aprendidas, sabedoria ganha, de Stacey Haluka e Kayla Fioravanti

Sua história se iniciou em 2014 numa empresa de marketing de multinível dos Estados Unidos. Ela não conta, no livro, que empresa é esta, mas como o “caso Stacey” ficou amplamente conhecido no meio profissional de aromaterapeutas em todos os países de língua inglesa, é fácil descobrir qual foi, sobretudo porque há um relato dela, disponível num conhecido site de aromaterapia médica, dando nome aos bois. Incentivada a usar diariamente e várias vezes ao dia os óleos essenciais, ela mergulhou fundo no que seus líderes a fizeram acreditar, de que “qualquer que fosse a doença, haveria um óleo essencial para isso!” (Whatever the ailment, I had an oil for it!, posição 210 Kindle ebook)

Apenas um mês depois de ter recebido seu starter kit de óleos essenciais, Stacey notou uma pequena erupção na pele de seu braço. Como havia sido “ensinada” de que o OE de tea tree resolvia problemas de pele, aplicou na erupção o OE puro, sem diluição. Ela também relata que estava convencida que os óleos essenciais desta marca (ela a apelidou de Pure Essential Oils no livro), por serem os únicos puros do mercado, poderiam não apenas ser aplicados sem diluição na pele, mas também ingeridos. Como a erupção na pele não tinha cedido com a aplicação do tea tree, pelo contrário, apenas tinha aumentado, Stacey recorreu a outras soluções propostas pela marca.

Sempre prontamente atendida por seus pares e líderes em grupos de sua rede no Facebook, ela foi informada de que o olíbano poderia ajudá-la, já que “na dúvida, use olíbano (when in doubt, use frankincense, posição 218, Kindle ebook). Mas tampouco resolveu: no segundo mês, as erupções subiram pra seu pescoço e perna. Seus líderes já a haviam convencido de que ela não poderia estar sofrendo uma reação alérgica aos óleos essenciais porque, afinal, “o site da empresa atesta que os OEs não contêm alérgenos, não contêm moléculas proteicas e, por isso, não podem causar reações alérgicas” (PEO´s website states that essential oil do not contain allergens, nor do they contain any protein molecules, so in turn, they cannot cause a true allergic reaction, posição 218, Kindle ebook). Diante disso, sua líder veio com a hipótese de que Stacey estivesse passando por um processo de desintoxicação e que isso levaria alguns meses até que seu corpo colocasse pra fora todas as toxinas. Pra ajudar no processo de desintoxicação, ela começou a ingerir suplementos que a marca comercializava, incluindo um à base de OEs de cravo-da-índia, tomilho, laranja, olíbano, lemongrass, segurelha (savory) e niaouli.

Nesta altura, Stacey teve desconfortos abdominais e, num dia, passou uma sinergia de OEs da empresa na pele de seu abdômen. A erupção apareceu imediatamente. Ela continuava sendo encorajada a pensar se tratar apenas de uma reação de desintoxicação. No entanto, com a pele em carne viva, mal conseguindo se vestir, com episódios de diarreias, ela foi ao seu médico, que lhe receitou remédios fortes e exames de sangue. Ela ainda chegou a ir à emergência médica com febre e lá recebeu anti-histamínicos, mas a causa de suas alergias permanecia desconhecida. No período de 6 meses, Stacey já tinha emagrecido 6 quilos porque não conseguia comer, não saía de casa, não dormia direito, e estava com depressão, como se seu corpo não conseguisse sair de uma gripe forte. Depois que os medicamentos prescritos tinham terminado, Stacey achou que deveria usar novamente, por ingestão, o blend de OEs que a empresa indicava para desintoxicar o organismo. Em meados de março de 2015, ela notou uma pequena espinha em seu rosto. Aplicou olíbano nela e no dia seguinte seu rosto amanheceu inchado. Ela aplicou olíbano de novo, e ficou pior. Então ela aplicou lavanda, e o inchaço se espalhou por todo o rosto e em poucos dias abriu-se uma pústula. Foi apenas então que Stacey conseguiu relacionar o uso dos óleos essenciais à alergia em sua pele.

Assim, contrariando as informações que vinha recebendo de seus líderes, parou de usar os óleos essenciais na pele, parou de ingeri-los e começou uma lenta recuperação com auxílio de novos medicamentos alopáticos. No entanto, frequentemente ela se via de novo com vermelhões na pele, coceiras, inchaços e levou vários meses até entender que nem mesmo inalar os óleos essenciais seria possível (ela dormia com gotas de lavanda no quarto). Nem mesmo encostar seu rosto pra beijar pessoas que estivessem usando perfume ela poderia fazer. Na verdade, Stacey descobriu que ela tinha se tornado alérgica a qualquer substância fragrante, e que as moléculas dos óleos essenciais estavam presentes em absolutamente tudo à sua volta, de perfumes de uso pessoal, a aromatizantes de banheiro a saneantes domésticos. Ela, que até então tinha uma saúde excelente, agora temia entrar em ambientes cheirosos porque sairia invariavelmente com erupções na pele e inchaços, colocando mesmo sua vida em risco.

Em abril de 2015, Stacey estava decidida a tornar pública sua história e buscou o líder que estava no topo de sua rede no Canadá. Relatou-lhe tudo por que vinha passando até aquele momento e pediu (na verdade, implorou) pra que essa líder expusesse a toda a rede o que tinha ocorrido com ela, pois receava que outras pessoas pudessem passar pelo mesmo. Tudo que ouviu foi de que buscasse ajuda no departamento de segurança da empresa. Uma nova peregrinação de emails e telefonemas se iniciou sem que Stacey obtivesse sequer um telefone do Dr. Falls (nome fictício), head do departamento médico da empresa (Chief Medical Officer) que, ela veio a descobrir depois, não tinha a titulação de médico realmente, mas de quiroprático (que, nos Estados Unidos, são chamados de Doctor).

Em fevereiro de 2016, um médico dermatologista confirmou, através de biópsia, a causa de sua alergia, e o ano de 2017 trouxe uma melhora em sua saúde graças a tratamentos médicos tanto convencionais quanto integrativos, como drenagens linfáticas e meditação. Stacey relata que seus líderes e a empresa fizeram ouvidos moucos quando ela falou que as pessoas tinham de saber que poderiam se tornar alérgicas aos óleos essenciais, e como a falta de receptividade a seu apelo foi incrivelmente decepcionante e frustrante. Ela pensava “e se um bebê tivesse tido algo como ela teve, que chances teria de sobreviver?”

Instead, I was brainwashed into thinking that someone could not have an allergic reaction to these “therapeutic grade” essential oils. I believed that my rash was a good thing, as my body was expelling toxins. This belief caused me to suffer greatly. (Em vez disso, tinham me feito lavagem cerebral pra pensar que não seria possível ocorrer uma reação alérgica a esses óleos essenciais de “grau terapêutico”. Eu acreditei que minhas erupções na pele eram uma coisa boa, eram meu corpo expelindo toxinas. Essa crença me causou um sofrimento enorme, posição 322, Kindle ebook.)

Finalmente, em julho de 2017 sua história se fez conhecida em toda a comunidade de aromaterapia de língua inglesa: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Também repercutiu no Brasil. Seu livro foi lançado em 2018 e com ele um grupo homônimo no Facebook . Stacey hoje segue sua vida como life coach e instrutora de meditação, mas não pode mais usar nada que contenha moléculas de óleos essenciais, nem eles próprios, pois se tornou alérgica devido ao uso indiscriminado. O livro que escreveu trouxe alguns incrementos em termos dos apelos de marketing que essa empresa faz. No Google, se você digitar o nome dessa empresa seguida das palavras “Stacey Haluka”, você verá uma propaganda de uso seguro patrocinada pela marca. Mas a verdade é que isso é muito pouco perto do que a marca poderia fazer.

O fato do marketing multinível colocar na mão de vendedores não-aromaterapeutas a orientação de uso terapêutico a consumidores, o fato dos ganhos dentro da empresa estarem vinculados ao consumo, tudo isso acumula um efeito nefasto no médio e longo prazos. Existe um comportamento entre seus consultores que, se não é diretamente estimulado pela empresa em si, tampouco é desestimulado: usar OEs em público, carregar OEs consigo em qualquer momento de seu dia, usá-los na frente das pessoas pra que as pessoas fiquem curiosas e perguntem “o que você está fazendo?”.

Testemunhei 3 situações aberrantes assim. A primeira, num café, onde havia três mulheres conversando. Uma delas carregava um bebê no sling com não mais de 4 meses de idade. Eu tomava meu café e observava o comportamento delas falando sobre a empresa e os OEs e tudo o mais. Daqui a pouco, senti no ar o cheiro inconfundível de wintergreen: a consultora, que estava com seu bebê no colo, passava o blend pra dores musculares dessa empresa em si e o dava pra suas amigas experimentarem. Tive o ímpeto de ir lá alertá-la: existe uma restrição importante sobre o salicilato de metila, principal componente do wintergreen, com crianças pequenas, mesmo por inalação. Será que alguém a tinha alertado sobre isso? Dificilmente.

Depois, presenciei um executivo da mesma empresa pingando o blend que contém cravo-da-índia, canela, eucalipto e alecrim diretamente na própria língua na frente de mais ou menos umas 100 pessoas que assistiam a uma reunião de lançamento da marca. Esse executivo engasgou (obviamente) com as gotas, tomou 2 longos goles de água, e diante de todos exclamou que “às vezes você precisa se testar”. Testar-se exatamente em quê? No quanto você é macho pra aguentar um dos óleos mais dermocáusticos e sensibilizantes cutâneos em sua boca? Testar-se em quê? Em ingerir OEs que possuem inúmeras contraindicações? Será que ele se deu conta de que na plateia alguém poderia tomar algum anticoagulante, ou algum medicamento pra diabete, ou algum imunossupressor, ou algum anti-inflamatório que pode ter seu efeito alterado devido à interação com aldeído cinâmico, eugenol e 1,8-cineol?! Creio que não.

Na terceira vez, presenciei outro consultor, durante uma palestra, usando seguidamente um roll on de tea tree sobre os lábios, e ingerindo hortelã, e usando o blend com wintergreen, tudo no espaço de uma tarde! Pra quê, eu pergunto, pra quê esse exagero? Esse foi o mesmo exagero que levou Stacey a uma condição de saúde miserável e da qual ela só se recupera graças à renúncia completa aos óleos essenciais e a suas moléculas, graças à medicina convencional alopática e seus corticoides, e graças à adoção da meditação. A pergunta que todos que leem seu relato devem se fazer é: por quanto tempo quero usar os óleos essenciais em minha vida? Porque, afirmo isso com convicção, se você se tornar “a louca dos óleos”, se você se tornar “aromaréxico”, se você se tornar “oleocondríaco”, o risco maior pesa pro lado da sensibilização e do desenvolvimento de alergia.

Além do motivo óbvio de conhecer a história de Stacey, outros bons motivos pra você ler o livro dela são os textos de Robert Tisserand e de Martin Watt sobre a sequência de atos que levaram a autora ao seu sofrimento. Kayla Fioravanti também assina a co-autoria do livro propondo uma reflexão sobre o uso informado dos OEs e desfaz alguns mitos propalados pelo marketing multinível de empresas de aromaterapia. Finalmente, Sylla Sheppard-Hanger alerta sobre a importância de denunciar reações adversas com óleos essenciais e ressalta que o caso Stacey não é, infelizmente, único, como ela pôde vir acompanhando desde que sua escola, a Atlantic Institute of Aromatherapy, começou a coletar dados de intoxicação.

Muito mais poderia ser falado sobre esse livro, sobre a triste experiência pela qual Stacey passou. Infelizmente, consultores das empresas de marketing de multinível, ainda inebriados pela transformação que os óleos essenciais trazem às suas vidas, são muito refratários a críticas, muito mais refratários ainda a discursos de pessoas que, como eu, apelam pra questão da segurança e toxidade. Muitas vezes, acusam-me de não reconhecer o que essas empresas de marketing multinível fazem pela aromaterapia, acusam-me ir contra um movimento inexorável da popularização da aromaterapia. Não sou contra a popularização. Minha questão nunca foi contra a popularização da aromaterapia – mas sim contra sua banalização e as nefastas consequências disso. Pessoas doentes por causa do uso abusivo de OE são apenas uma dessas consequências – eu poderia enumerar muitas outras.

A lição que fica da leitura deste livro, e que eu resumiria em duas perguntas que você deve sempre se fazer antes de usar óleos essenciais, é:

– estou usando os óleos essenciais de forma responsável e informada?

– eu preciso realmente dos óleos essenciais ou usá-los está mascarando o problema que de fato eu preciso encarar? (neste caso, os OEs se tornaram muletas)

E, por favor, se você for um vendedor ou consultor de óleos essenciais, não se sinta despeitado nem desrespeitado ao ler esta resenha; absolutamente não é minha intenção atacá-lo: minha única intenção é de mostrar que você precisará abordar os óleos essenciais de forma responsável e consciente pra poder usá-los durante toda sua longa vida e de seus familiares. Tudo de pior que pode ocorrer com os óleos essenciais é eles não poderem mais ser uma solução de saúde e bem-estar.

Quando conhecemos a aromaterapia através de uma marca, e nossas vidas se transformam por causa dos óleos essenciais, tendemos a projetar na marca todo o nosso sentimento de gratidão, entusiasmo e amor. Mas, na verdade, não é nenhuma marca, nenhuma empresa que nos transformou: foram as plantas e seus incríveis óleos essenciais. Seja devotado às plantas – elas, em vez de empresas e pessoas, é que nos dão com generosidade seus óleos essenciais.

Mayra Corrêa e Castro (C) 2018

Se compartilhar, cite a fonte.

 

HALUKA, Stacey; FIORAVANTI, Kayla. The unspoken truth about essential oils – Lessons learned, wisdom gained. Foreword by Dr. Robert Pappas. United States of Amwrcia: Venessa Knisley/Selah Press, 2018.

 

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