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Sai Baba, a experiência suprema – Phyllis Krystal

Postado às 13:19 do dia 02/12/12

Phyllis Krystal (Inglaterra, 1914), autora deste comovente livro, está viva, enquanto que seu Guru fez o mahasamadhi na Páscoa do ano passado, deixando dezenas de milhares de seguidores consternados em todo o mundo. Um desses seguidores que ficou surpreso com a notícia da passagem de Sathya Sai Baba foi nosso querido Professor Hermógenes, que estava em Fátima, Portugal, ministrando um seminário. Diante da comoção das pessoas que estavam lá para ouvi-lo, teve ele próprio que consolá-las, encontrando, como esse tipo de seva yoga, possivelmente, conforto a seu próprio coração.

Mesmo aqueles que não eram devotos de Sai Baba sentiram a notícia que foi dada em 24 de abril de 2011. Quando ele próprio anunciava que deixaria este plano terreno com a idade de 96 anos, deixá-lo aos 85 foi confuso para muitos. Famoso pelo que deveria ser apenas uma demonstração superficial de seu poder e amor, a saber, o siddhi de materializar vibhuti e adornos como colares e anéis, Sai Baba será lembrado como um grande educador e guia espiritual. Sua vida tocou centenas de discípulos que são, eles próprios, hoje em dia, conhecidos mundialmente por realizarem trabalhos seja na área da saúde, seja na área da educação. Uma dessas pessoas é a psicoterapeuta Phyllis Krystal, que o conheceu quando estava para completar 60 anos de idade – o que torna seu livro ainda mais inspirador.

Phyllis abre o livro dizendo que escrever a história sobre sua convivência com Sai Baba foi uma tarefa formidável. Ela já vinha trabalhando há 25 anos com psicoterapia e buscando mestres e conhecimento que a levassem à Iluminação, mas encontrar Sai Baba foi definitivo para transformar sua vida. Tendo sido mãe, esposa e avó, é surpreendente que tenha tido tempo e energia suficientes para empreender viagens anuais até a Índia para desfrutar de horas de entrevistas particulares com Sai Baba, ficando, na maior parte do tempo – aliás, como todos os outros milhares de pessoas que afluíam todos os dias ao local – , sentada no chão esperando o momento em que ele sairia para abençoar a multidão.

Após alguns anos, Phyllis veio a se tornar uma palestrante e escritora de sucesso, requisitada tanto na Europa quanto nos Estados Unidos para falar de seu método psicoterapêutico ou para relatar os ensinamentos que recebeu de Sai Baba. Lançado em 1994, quando Phyllis tinha 80 anos de idade, Sai Baba, A Experiência Suprema não se pretende um relato definitivo sobre quem ele foi. Como a autora mesmo alerta, qual ser humano conseguiria captar todas as facetas de alguém que é considerado um avatar? A intenção dela é despertar as pessoas para a mensagem de esperança de Sai Baba. Uma mensagem, aliás, muito especial: “Levante! Acorde! Comece a trabalhar.” Sai Baba acreditava que o trabalho para despertar a divindade que habita cada um é a ação mais edificante a ser feita, muito mais que meditar ou ler. É o que Phyllis continua fazendo, com quase 100 anos. Sai Ram!

 

 

Levante! Acorde! Comece a trabalhar!

“Desde que pude viajar livremente com meu marido, fiz questão de incluir em cada ocasião pelo menos um lugar ou uma pessoa de natureza inspirada, para garantir que a jornada fosse uma experiência significativa e não apenas um passeio turístico.” (p. 38-39)

– Um das coisas que Phyllis conta em seu livro é o do programa de economia em quatro áreas da vida que Sai Baba exortou seus discípulos empreenderem: diminuírem seus desejos com relação ao dinheiro, à comida, ao tempo e à energia. Não posso imaginar maneira mais interessante de viajar a lazer e, ainda assim, atender a esses propósitos. Fiquei encantada com a ideia dela e penso quantas Disneys seriam necessárias para causar o mesmo impacto de uma única viagem a qualquer lugar sagrado do planeta. (Ah, a título de curiosidade, uma dessas viagens que Phyllis incluiu em seus roteiros foi ter vindo ao Brasil para conhecer o médium José Arigó. Ela conta essa experiência no livro.)

“Baba acha que a educação oferecida agora aos estudantes na Índia não inclui um embasamento espiritual. Ele censura a presente tendência de copiar os métodos ocidentais, que enfatizam o materialismo em detrimento da conduta ética e dos ideais. Ele opina enfaticamente que a educação deveria estimular os homens e as mulheres a levar uma vida de serviço ao país, em vez de lutar somente pela obtenção de ganhos financeiros. O currículo seguido em todas as escolas primárias e secundárias que ele fundou inclui ensinamentos védicos, além das matérias regulamentares.” (p. 249)

– E o que ele acharia da situação do Brasil, onde servir ao país significa obter ganhos financeiros pessoais?!

 

 

Índia

“Todos os sentidos são literalmente bombardeados pelas visões, pelos sons e pelos cheiros desse imenso país e de sua população fervilhante – tanto a humana, quanto a animal.” (p. 45-46)

– Gosto de colecionar impressões de autores sobre a Índia. Adorei o fato de Phyllis ter mencionado a questão da convivência entre humanos e animais referindo-se a isso em termos igualitários: população humana e população animal. Temos, ambos, os mesmos direitos e deveres sobre a Terra, embora eu prefira pensar que nós, humanos, tenhamos ainda mais deveres que nossos irmãos animais.

“Costumamos julgar como definitivos os muitos elementos de conforto que na Índia ainda são considerados luxos, se é que estão disponíveis.” (p. 139)

– Jean-Claude Carrière, em seu Índia, Um Olhar Amoroso, disse que é difícil amar a Índia. Outro autor, que não lembro quem, disse que ninguém que visita a Índia consegue ficar indiferente a ela.

 

 

Siddhis

“Será que a ciência algum dia conseguiria entender sua materialização? Baba respondeu que a ciência material não podia jamais entendê-la. O escopo da ciência lida com experimentos, ao passo que a espiritualidade trabalha com experiência e visão interior. Ele conseguiu ver matéria onde o melhor telescópio não consegue descobrir nenhuma.” (p. 178)

– São abundantes os vídeos na internet e os livros que mostram ou contam dos diversos objetos que Sai Baba materializava do nada. Sobre isso, gosto de lembrar uma frase que li em algum livro e que dizia mais ou menos assim: para a Natureza não existem milagres, pois tudo que ocorre nela é natural.

“O que pode ter mais probabilidade de fazer alguém se sentir superior do que um avatar divino falar com ele, sorrir para ele e materializar presentes para ele? No entanto, Baba nunca se cansa de insistir em que a força divina inata é nossa única realidade, e nesse ponto somos todos iguais, e unos com ela.” (p. 376)

– O livro de Phyllis é comovente sobretudo porque não percebemos nem um pingo de afetação no fato dela ter tido contato pessoal com Sai Baba.

 

 

Iluminação

“Ele [Sai Baba] diz: ‘Liberdade é independência ante coisas externas. Quem necessita de ajuda de outra pessoa, coisa ou condição, vira escravo deles. A perfeita liberdade não é concedida a ninguém neste mundo, porque o verdadeiro significado da vida do mortal é a relação com o outro, a dependência do outro. Quanto menos necessidades, mais liberdade; por conseguinte, liberdade perfeita é absoluta renúncia aos desejos.” (p. 208)

– Reli esse parágrafo umas dez vezes, para ter certeza de que nele está escrito que a liberdade não é concedida. Para não restar dúvidas, precisaria checar no original em inglês. Se alguém tiver o livro em inglês, adoraria que me enviasse a transcrição do trecho no original. Saber que a liberdade não será concedida é aliviante.

“Todos nós nos agarramos muito ao que imaginamos necessitar e resistimos muito ao que tememos que nos aconteça sem aviso.” (p. 360)

– Phyllis é uma mulher que explica as coisas de uma forma franca e doce, expondo seus medos que, de resto, são os medos de todos nós.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

 

KRYSTAL, Phyllis. Sai Baba, a experiência suprema. Rio de Janeiro: Nova Era, 2009, 3ª edição.

 

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