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Por amor à Índia – Catherine Clément

Postado às 20:00 do dia 19/07/12

(Este comentário foi publiado originalmente em meu site Casa Máy em 07/01/10. Para ver fotos citadas, acesse o comentário original.)

 

Apaixonando-se “Por Amor à Índia”, de Catherine Clément

Ontem ou antes de ontem, terminei de ler o romance histórico Por Amor à Índia, de Catherine Clément. Estou encantada com o livro. Primeiro porque, igonorância confessa, desconhecia a história de amor entre a última vice-rainha e o primeiro primeiro-ministro da Índia que está por trás da independência deste país. Esta história de amor, que perpassa todo o livro, é absolutamente arrebatadora.

Depois, porque o livro explica tintim por tintim os meandros políticos da formação da Índia e Paquistão e explica até onde ia ou não ia a influência de Gandhi. Mesmo se você já viu o filme Gandhi, o livro acrescenta inúmeras perspectivas, porque traz o ponto de vista do inglês, do indiano, do indiano comum, do marajá, do hindu, do hindu extremista, do muçulmano, do muçulmano extremista, do sikh, da mulher, do homem, do chefe-de-estado, do militar, do santo, da realeza, do intocável. São 485 páginas que se devoram num fôlego só.

Pelo que percebi, a autora pesquisou diversas fontes para escrever o romance, além de ter colhido depoimentos diretos de pessoas que estavam vivas na época. É de uns tempos para cá que a “História” virou fashion, principalmente depois que adentrou o cotidiano. Não é por acaso que a série The Tudors faz sucesso e que os volumes portentosos da História da Vida Privada viraram best-seller de bolso.

Por Amor à Índia vai nesta mesma onda, firmada na teoria (e não é o que ocorre mesmo?) de que os traçados políticos são costurados em meio aos desejos, inquietudes e fraquezas da pessoas que estão em seu epicentro. Louis e sua esposa, Edwina Mountbatten, mortos como Barão e Baronesa da Birmânia, ele aparentado em primeiro grau com o então Príncipe da Inglaterra, são designados como vice-reis na Índia, para conduzir o processo de independência deste país. Seus interlocutores são hoje nomes tão famosos que fica até esquisito conhecê-los intimamente como personagens desta história: Gandhi, Jawaharlal Nehru, Jinnah, Sarojini, os artífices da criação da Índia e do Paquistão.

O que é muito interessante neste livro é como Catherine entrelaça a vida de todos, sem banalizar a importância das decisões políticas que cada um teve de tomar, mas também não cedendo à glamourização de suas vidas. Estes personagens choram, agem mal, agem certo, lutam, perdem e vivem como nós, sem tirar nem pôr. O mais incrível é que a história de amor entre Edwina e Jawaharlal vai chegando de mansinho, como quem não quer nada, parecendo que o livro que temos nas mãos é puramente histórico, preocupado com datas, precisões técnicas e, de repente, nada mais importa: o caso deles se avoluma e engole todo o fim do livro, terminando como uma linda história de amor.

Edwina foi tomada pela Índia, que se caracterizou na figura de Jawahar, um hindu até muito laico, que praticava sirsasana, tinha ficado anos na prisão, declamava poesia e era considerado filho espiritual de Gandhi. Percebemos que a mudança dela foi profunda, sobretudo porque participou ativamente do cuidado nos campos de refugiados quando o Paquistão foi criado. Sua mudança não me surpreende, pois todos que começam a conhecer a Índia, seja através do yoga, seja através de seu misticismo, arrebata-se mesmo, não tem jeito.

E como a figura de Gandhi é traçada então, não deixa dúvidas sobre o caráter enigmático deste homem. Mas a figura mais contundente do livro, me desculpem, é mesmo Lorde Mountbatten. Se ele foi ou não foi conivente com as infidelidades de sua esposa não sabemos, embora Catherine mencione uma carta que ele escreveu à filha onde relata o amor entre sua esposa e o primeiro-ministro. Sabemos, sim, que ele encarna aquele tipo de realeza de sentimentos que sonhamos: que dá valor à palavra empenhada, que é fiel aos seus amigos, que é sangue-frio ou sentimental nas horas certas. Um James Bond que odiamos mas aprendemos depois a admirar.

Bem, depois de toda esta explanação, é óbvia minha recomendação: leia o livro. Além disso, não custa muito caro, está na faixa dos 20 reais. Depois, alugue o filme Gandhi, que é maravilhoso também. Acho que dá uma boa dupla de infoentretenimento para as férias.

Namaste, Mayra.

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2010-2012

 

CLEMENT, Catherine. Por amor à Índia. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009.

 

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