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O menino que perdeu a magia – Celly Borges

Postado às 23:01 do dia 17/01/15

A qualidade mais evidente deste pequeno livro é o carinho da autora pelo universo da fantasia. Desde a introdução até o fechamento, é o livro de alguém que transmite afeto pelo que faz e pelos leitores que gostam do mesmo tema. Me senti abraçada –  fico grata por isso.
A história acompanha o drama de um ex-menino rico, ignorado no dia a dia por pais fúteis, que só tinha por amigos a empregada doméstica e o motorista particular. Um garoto que faz Harry Potter parecer super bem tratado pelos Dursley. Às vezes soa um pouco inverossímil, ou esteriotipado, mas a história segue e de fato criamos empatia com o garoto. Então, quando a família vai à falência, eles se mudam para um edifício pobre e ele faz amigos pela primeira vez. Amigos mágicos, que o convidam a visitar prédios encantados na vizinhança.
Estes personagens fantásticos todos têm nomes em inglês, o que me fez perceber como, hoje em dia, é natural lidarmos com estes estrangeirismos no nosso consumo de cultura. Rock tem que ser em inglês, nomes de personagens fantásticos idem: Lucy, Eric, Hannah, sr. Wilkie, Agatha soam tão familiares quanto Cristina, João, Carla, Henrique ou Patrícia. Não tenho certeza se é algo pra se lamentar, mas Narizinho, Pedrinho, Emília, Benta, Nastácia, Barnabé, Cuca, Saci e Sabugosa são nomes que só cabem lá na (imbatível) prosa de Lobato. Com crianças aprendendo inglês na escola, comemorando Halloween e tudo o mais, não tem como voltarmos atrás e defender um purismo que, de resto, nunca houve em cultura nenhuma há um booom tempo na história da humanidade. Se os heróis de nossos filhos são personagens como Kay, Jay, Cole, Lloyd, Nia, Sensei Wu e Lord Garmadon dos Ninjagos, que assim seja e continuaremos falando português do mesmo jeito.
Voltando ao livro de Celly, vemos o garoto, Daniel Conrad, do seu point of no return, quando ele perde a magia, à sua redenção, na velhice. Talvez seja o ponto fraco da história, uma acelerada até a vida adulta de Daniel da forma como fazem os últimos episódios de novelas, em que letreiros e telespectadores benevolentes preenchem o enredo de “10 anos depois”, “20 anos depois”, etc.
De qualquer forma, não impede que você, se tiver também boa disposição no coração, não aprecie a leitura. É de uma autora, de uma autora brasileira, de uma autora brasileira paranaense, de uma autora paranense publicada por uma editora da região metropolitana de Curitiba. Zero eixo Rio-São Paulo, percebeu? Se isso não for mágico o suficiente pra você, então você também perdeu a magia.
Celly, sucesso em sua carreira, parabéns pelo livro. E parabéns também à Carolina, pois os desenhos têm muita personalidade.

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro © 2015

 

BORGES, Celly. Menino que perdeu a magia, O. Ilustrações de Carolina Mancini. São José dos Pinhais: Página 42 Editora/Fantas, 2014.

 

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