Casa Máy > As Melhores Partes - Posts > autoconhecimento > O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz – Debbie Ford

< voltar

O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz – Debbie Ford

Postado às 22:44 do dia 29/04/12

As pessoas têm uma má vontade incrível com literatura de auto-ajuda. Eu não tenho, pelo contrário.
Na estantes da minha casa de infância, quando era caro comprar livros (ainda é!), lia o que estivesse disponível. Sempre li rápido, então traçava o que estivesse sobrando. E foi assim que topei, muito cedo, com O Poder do Subconsciente e Segredos do I-Ching, de Joseph Murphy, com A Arte da Guerra, de Sun Tzu e com as encantadoras peças de teatro de Maria Clara Machado – que conto como das primeiras leituras de minha meninice – e as fábulas contidas n´O Tesouro da Juventude.

Este hábito – e gosto – pela literatura de auto-ajuda conservo nos dias atuais. Via de regra, sempre estou lendo, ao mesmo tempo, 1 livro de auto-ajuda, 1 romance, 1 livro técnico, 1 livro-reportagem. Meus livros de auto-ajuda, compro todos na Mahatma Livraria, da Angélica Ayres, que prefere chamá-los de livros para a expansão da consciência. E não posso discordar dela! Se este povo mal-amado entendesse que precisamos alimentar o espírito tanto quanto o corpo e o intelecto, parariam com a implicância com autores que dedicam sua vida a ajudar os outros.

Bem, um dos livros bacanas que li recentemente de auto-ajuda me foi indicado pela minha querida psicoterapeuta: O Lado Sombrio dos Buscadores da Luz, da autora Debbie Ford. Não foi uma leitura com a qual simpatizei de bate-pronto, mas depois a autora foi me desarmando à medida que contava de suas frustradas incursões na sombra, até que por fim me rendi e pude aproveitar bastante da leitura. Quando eu vejo um livro que me chama atenção, compro-o. Não ligo se não vou lê-lo imediatamente: é o livro que escolhe o leitor, e não o contrário. Eu fui ler O Lado Sombrio quando estava pronta para entender a mensagem e, por estas coisas que acontecem a quem se entrega às sincronicidades da vida, foi mais ou menos na época em que tomava confiança de dirigir novamente, depois de 20 anos. Pois é. Agora vamos às melhores partes da minha leitura.

Sobre a pertinência do tema do livro:
“Mas estamos sempre precisando de novos recipientes e de uma nova linguagem que seja contemporânea ao transe pelo qual passa a humanidade.” (p. 11)
– Debbie poderia ter escolhido usar a palavra época, mas escolheu transe. Já ganhou o meu respeito como escritora.
“A escuridão não significa somente o aspecto negativo, refere-se a algo que está fora do alcance da luz ou da nossa consciência.” (p. 11)
– Não custa nada lembrar que a gente ouve o galo cantar e não sabe onde e por isso fica rotulando de mau tudo aquilo que é sombrio em nossa personalidade. Debbie vem dizer que é justamente o contrário! Mas pra isso você terá que ler o livro todo.
“O maior pecado pode ser uma vida não vivida.” (p.12)

Sobre o quanto teimamos em carregar desculpas:
– Debbie conta uma história zen para ilustrar como ficamos presos a pessoas que “nos fizeram mal”:
“Existe uma história zen sobre dois monges que, voltando para casa, chegaram às margens de um rio em que havia uma correnteza muito forte. Quando se aproximaram do rio, eles viram uma mocinha que não conseguia atravessar. Um dos monges pegou-a nos braços, carregou-a em meio às águas agitadas e depositou-a em segurança do outro lado. Então, os dois seguiram viagem. Finalmente, o monge que atravessara o rio sozinho não aguentou mais e começou a repreender o irmão: ‘ Você sabe que é contra nossas regras tocar numa mulher. Você quebrou nossos votos sagrados’. O irmão respondeu: ‘Irmão, eu deixei a mocinha junto à margem do rio. Você ainda a está carregando?’” (p. 104)
– Não é uma história mesmo fofa? Neste mundo zen, muitas vezes somos acusados de incoerência, ou de termos cometido atos contra algum preceito pelo qual nos guiamos. Quer saber? Deixe a mocinha na outra margem do rio e continue sua jornada.

Sobre a importância de mudarmos a percepção que temos de nossa sombra:
“A transformação leva segundos; é uma mudança de percepção, uma troca das lentes através das quais você está olhando. Se olharmos para o mundo como se fôssemos um martelo, tudo parecerá um prego. Se passarmos de martelo a parafuso, tudo parecerá semelhante a uma porca. Nossas percepções são sempre distorcidas pelo que vemos em nós mesmos e pelas decisões que tomamos sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, do que gostamos ou não. […]
Sei que esse é um conceito difícil para a maioria das pessoas aceitarem. Fomos ensinados a nunca dizer coisas negativas a nosso respeito. Se eu acordar me sentindo imprestável, espera-se que eu faça de conta que não estou me sentindo desse jeito.[…]” (p. 107)
– Tenho refletido sobre esta praga que é o politicamente correto desde que comecei ler O Cânone Ocidental, que é um livro de crítica literária do autor Harold Bloom (pretendo postar sobre ele aqui também assim que finalizá-lo). Entendo, respeito, compartilho e muitas vezes faço questão de apoiar publicamente causas das minorias. Afinal, eu também sou minoria: mulher, latino-americana, vegetariana… Mas percebo que o fato da gente não poder mais falar mal das coisas sobre as quais usualmente falávamos está nos enrustindo. O mundo não é cor-de-rosa e não poder falar abertamente de nossos preconceitos é um modo de não nos livrarmos deles. Pense nisso e veja se concorda comigo.
“ Quando você é regido internamente pelo fato de não querer ser alguma coisa, em geral você se torna o oposto. Isso lhe tira o direito de escolher o que, de fato, quer fazer de sua vida.” (p. 112)

Sobre a necessidade de olharmos para nosso mundo interior:
Aqui Debbie traz uma citação retirada do livro Conversations with God, de Neale Donald Walsch:
“’Se você não for para dentro, vai ficar de fora´” (p. 125)
– E não é mesmo?
“Estamos com raiva de nós mesmos por não persistimos, por não honrarmos a força divina que existe dentro de nós, por não permitirmos nos expressar tão verdadeiramente quanto de fato desejamos. Acreditamos estar bravos com nossos pais porque eles nos reprimiram no princípio de nossa vida. Na realidade, estamos com raiva de nós mesmos por perpetuarmos aquela repressão. […] Aprendemos que é uma tarefa difícil ir atrás dos nossos sonhos; mas talvez ainda não tenhamos percebido que é até mais difícil viver dia após dia sabendo que não os estamos perseguindo.” (p. 104)
– Ai que soco no estômago, né, não? E Debbie continua nos socando:
“Começamos a renunciar a partes de nós mesmo por causa de nossas convicções mais profundas, que estão sempre relacionadas coma  família e com a infância mais remota. […] A dor que você sofreu quando tinha 2, 6 ou 8 anos está logo abaixo da superfície de sua consciência. […] A maioria das pesoas jamais explora suas convicções mais profundas para verificar se as escolheu conscientemente. Toda semana, conheço gente que quer ser artista ou escrever livros, mas tem a mais absoluta certeza de que não será capaz de realizar seus desejos. Quando pergunto a esssas pessoas por quê, elas me dizem que não são suficientemente talentosas ou educadas para isso. Confiam em suas razões, mas não em seus sonhos.” (p. 141)
– Fala sério: não é mesmo um soco na boca do estômago?

Sobre o dharma:
Debbie cita um tal de Dr. David Simon sobre o que significa dharma. Foi uma das definições mais interessantes que já li, incluindo todas as minhas leituras hinduístas e yogis. Veja:
“’No conceito de dharma, ou propósito, está contidaa ideia de que não há partes de sobra no Universo. Cada um de nós entra no mundo com uma perspectiva única e um conjunto de talentos que permite a todos desenvolver um aspecto nato de inteligência que jamais foi expresso. Quando vivemos em dharma, servimos a nós mesmos e àqueles atingidos pelas nossas decisões. Sabemos que estamos em dharma quando não conseguimos pensar em outra coisa para fazer na vida além do que já fazemos.’” (p. 206)
– E Debbie continua, para nos apaziguar:
“Não entre em pânico se você não souber qual é o seu dharma ou propósito neste momento; apenas comece a fazer esse trabalho e confie em que as respostas afluirão de você. Suas vozes interiores etão ali para guiá-lo. Muitas vezes as pessoas ignoram suas intuições e os guias internos, e assim silenciam a parte que mais pode ajudá-las. Quando você sabe que poderia estar fazendo uma coisa e constantemente faz outra, você está matando o seu espírito e negando a sua essência. Isso dificulta a revelação de sua visão.” (p. 206)
– Bem, agora foi um chute direto no saco, hein?!

revisto por Mayra Corrêa e Castro
FORD, Debbie. O lado sombrio dos buscadores da luz; recupere seu poder, criatividade e confiança, e realize seus sonhos. São Paulo: Editora Cultrix, 2009, 4ª edição.

Posts Relacionados

Comentários

Galeria de Fotos do Pinterest

Assinar Newsletter