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O evangelho de Coco Chanel – Karen Karbo

Postado às 19:39 do dia 19/06/12

Relutei um pouco antes de comprar o livro. Acabava de ler O Segredo do Chanel nº 5 e pensava se não receberia apenas informações redundantes de uma edição oportunista. No final, venceu meu fetichismo: comprei O evangelho de Coco Chanel escrito por Karen Karbo. A leitura foi interessante, mas não imprescindível. O Segredo é tão bem escrito, tão revelador das incoerências de Coco que pouco sobra a ser dito. Mas há uma frivolidade neste O Evangelho que é irresistível.

Lemos revistas de moda porque queremos fugir para a terra da Barbie. Lemos sobre Coco Chanel porque ela foi o primeiro ícone Barbie, em que pese não ter tido curvas, nem seios grandes, ter trabalhado como um camelo a vida toda. Mas ela teve inúmeros namorados e morava numa suíte do Hotel Ritz. Mais Barbie impossível. Ah, e não me venha dizer que Chanel libertou as mulheres dos espartilhos! Primeiro porque não foi ela, foi Poiret; segundo porque a liberdade dos espartilhos foi substituída pela ditadura da magreza, atributo que Chanel, magra como um menino na puberdade, tratou de valorizar como ninguém tinha feito antes e para todo o sempre, amém.

Enjoy, darling!

 

Chanel pirata

– Uma das coisas que descobri neste livro é que as norte-americanas não compram Chanel para andar na rua como as revistas brasileiras de celebridades querem nos fazer acreditar. Não compram. O que elas compram são falsificações de Chanel, gentilmente chamadas, no livro, de Chanel Alternativo. A autora diz que o Chanel alternativo é a opção elegante para quem não quer jogar dinheiro fora. Então resta a pergunta: e por que insiste em vestir Chanel? A resposta é esta:

“O fator básico no uso do que é Chanel Alternativo é a insolência. (…) O estilo Chanel Alternativo comunica ao mundo que você está ligada em Chanel mas não é escrava de Chanel. Ele diz: ‘Chanel era iconoclasta; eu também sou.’” (p. 17)

– Minha opinião? Hum, não tenho tanta certeza. Sou leonina, ou compro o original ou não compro, porque acho ridículo. Mas leoninos não são iconoclastas: eles querem ser os próprios ícones, não é mesmo?

 

 

Envelhecimento

– Chanel morreu idosa (e magra). Eu nunca tinha lido uma declaração dela sobre o que era envelhecer. Aliás, quem lembra que Chanel foi uma velha diante de Kate Moss vestindo casaquinhos de tweed ou diante de Audrey Tautou sendo paquerada por um garotão num trem? Veja o que Karen escreveu sobre isso:

“A crescente exasperação de Chanel com a sua clientela em processo de envelhecimento ressoa nos comentários – extravios das suas máximas sempre vigorosos – que ela emitiu numa entrevista dada à Vogue em 1938: ‘Aos 40 anos as mulheres renunciavam à juventude em favor da elegância, do porte e da fascinação misteriosa, uma evolução que as deixava ilesas. Agora elas medem forças com as muito jovens usando defesas que só podem ser classificadas de ridículas.’” (p. 186)

– Não é uma declaração maravilhosa?! Mulheres, please, menos. Tudo bem que você não precise virar uma elegante aos 40 anos; podemos empurrar a data pros 50. Mas calça justa, decotão e peitão, cabelão e aquele rosto esticado e bronzeado é ridículo! O mais engraçado deste trecho do livro é o que vem depois:

“Chanel estava na meia-idade, e uma vez que vivemos em tempos deselegantes vou pôr as cartas na mesa: ela estava na menopausa.” (p. 186)

– Hahahahaha. É muito cruel reputar o famoso mau-humor de Chanel à menopausa, mas é engraçadíssimo. Infelizmente, a recusa da menopausa é em si o que torna as mulheres contemporâneas ridículas.

 

 

Luxo

– A dificuldade de escrever sobre conselhos dados por Chanel é separar a pessoa Coco da indústria de luxo que é a marca Chanel. Coco foi órfã, só não virou prostituta sabe-se lá por quê. Tornou-se a mulher mais rica da França em sua época; aliás, a primeira milonária. Não sei o que Coco pensaria sobre o atual estado de futilidade do desejo de moda. Mas parece que Karen teve uma boa sacação a respeito e tenho que aplaudir o parágrafo que escreveu:

“O luxo é uma necessidade que começa onde a necessidade termina.

Algumas pessoas acham que o luxo é o oposto da pobreza. Não é. É o oposto da vulgaridade. O luxo é o oposto do status. É a capacidade de ganhar a vida sendo você mesma. É a liberdade de recusar viver de acordo com o hábito. Luxo é liberdade. Luxo é elegância.” (p. 211)

– Lembrou o Joãozinho Trinta? Eu também. Ninguém gosta de pobreza, não só os pobres. Ricos e pobres, todos queremos luxo ou o comunismo teria vingado. Não conserte o capitalismo: conserte a raça humana.

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

 

KARBO, Karen. O evangelho de Coco Chanel: lições da mulher mais elegante do mundo. São Paulo: Seoman, 2010.

 

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