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O desaparecimento do universo – Gary R. Renard

Postado às 17:42 do dia 10/08/14

Em algum momento, aprenderemos que não há, mesmo, diferença entre o que está fora e o que está dentro – porque “Deus é”. Neste caso, duas opções distintas se apresentarão: ou manteremos nossa crença na realidade da matéria – daí continuamos a trilhar o roteiro de medo do ego – , ou lutaremos bravamente para aplicar o perdão a qualquer parte deste roteiro – optando pelo amor. Amor é Deus; Deus, aqui, é a Voz do Espírito Santo. Aprender a se unir a esta voz é perdoar. Quem ensina tudo isso é Um curso em milagres (UCEM), roteiro de autoestudo e treinamento mental ditado durante 7 anos a Dra. Helen Schucman por uma consciência que ela identificou como sendo a de Jesus Cristo.

Você pode acreditar que UCEM é, de fato, Jesus Cristo falando, mas, como avisa este O desaparecimento do universo, isso realmente não importa, uma vez que a mensagem é verdadeira e de fato opera modificações substanciais em nosso comportamento. UCEM foi publicado em 1975 e ainda hoje é pouco conhecido, mesmo dentro das comunidades espiritualistas. Entretanto, mais e mais pessoas vêm começando a estudá-lo, em grupos ou sozinhas, transformando radicalmente o que elas entendem ser uma vida espiritual. Identificado como “puro não dualismo”, o UCEM não é para todos – e isso também não chega a ser um problema. Como Gary Renard explica no livro, todos passaremos, em nossas variadas reencarnações, pelas crenças dualistas, não dualistas e pelo puro não dualismo. Qualquer uma pode trazer a iluminação embora o puro não dualismo consiga nos ajudar a alcançar a iluminação mais facilmente nos momentos atuais.

A história por trás de O desaparecimento do universo – um best-seller mundial – é simples: durante 9 anos, Gary Renard, um músico que ganhava seu sustento sendo corretor na bolsa de valores nos Estados Unidos – recebeu a visita de dois mestres ascensionados de nomes Arten (ele) e Pursah (ela). A missão deles era atender a um apelo muito particular de Gary: ele lamentava não ter vivido na época em que Jesus Cristo caminhava sobre a terra, tal admiração mantém por seus ensinamentos. Em função dessa dupla admiração e curiosidade acerca de Jesus, Gary já conhecia o UCEM, embora não fosse um estudioso regular do texto. Arten e Pursah vêm tanto para ensinar e motivar Gary a praticar as lições do Curso, quanto para ajudar no próprio despertar espiritual do autor que, dez anos depois (em 2002) da primeira visita, publicaria a compilação dessas conversas sob o nome de O desaparecimento do universo e se tornaria um dos professores do Curso mais famosos da atualidade.

Eu li este livro numa situação semelhante a de Gary em relação ao Curso, ou mais provavelmente inferior: pouco estudei o UCEM. Então, toda a terminologia própria do Curso, que é um bocado, mas um bocado difícil mesmo de ser compreendida, me desencorajava a continuar estudando-o. Como uma pessoa que sempre se dedicou às áreas de Humanas, estudei Filosofia, História, Psicologia, Linguística, Sociologia, e ainda vivi dos 7 aos 18 anos numa escola católica salesiana. Adulta, conheci, pratiquei e estudei o hinduísmo na sua vertente espiritualista do yoga. Portanto, termos como Jesus Cristo, Deus, Espírito Santo, sacrifício, ressureição, perdão, culpa, pecado, Éden, expiação, ego, sombra, medo, corpo, espiritualidade, matéria, alma eram todos entendidos ou como eu os usava até minha vida adulta, ou como eu os reinterpretei à luz das experiências que tive até meus 38 anos, quando deixei de praticar yoga. Em resumo: quando o UCEM fala, ou eu não entendo nada, ou entendo do meu jeito – o que absolutamente só me deixa com uma grande preguiça de aceitá-lo.

A leitura de O desaparecimento do universo colocou o UCEM na perspectiva correta: a do próprio UCEM. Sendo um texto tão difícil de ser lido, é comum que as pessoas que se dediquem a ele tendam a compreendê-lo dentro de suas limitações intelectuais, afetivas e espiritualistas. Não faço aqui um uso pejorativo da palavra “limitações”. Quero usá-lo no sentido de “entorno”, de “fronteiras”. O UCEM, como os mestres de Gary explicam, não pode ser entendido nem à luz da Bíblia – que, aprendemos, vem a ser um texto em que há menos palavras que o próprio Cristo falou do que de fato tenha falado – , nem à luz de qualquer outra filosofia espiritualista conhecida ou inventada. O UCEM só pode ser entendido a partir dele próprio e de sua radicalidade em afirmar que existe apenas uma verdade: Deus é real – o resto é metáfora.

Realmente não tenho certeza se o impacto do livro de Gary será igual para todos. Há sete anos atrás, tive uma aluna de yoga que insistentemente queria que eu lesse o UCEM, chegando mesmo a me enviar o PDF dele por email. Fico envergonhada de dizer que sequer abri o arquivo. Agora que entendi o nível de comprometimento que o UCEM reivindica, sei que, de maneira nenhuma, eu o teria lido naquela época. Mas no dia de hoje, O desaparecimento do universo trouxe uma sensação de perplexidade: ao mesmo tempo em que não pude deixar de concordar com vários pontos dele, ele é um troço tão louco, tão absurdo, que o mais sensato é você simplesmente fechá-lo e dizer “fui”. Só que não o larguei. Li o livro ininterruptamente durante uma semana, todas as noites, até de madrugada, pra vencer suas 416 páginas.

A lição do UCEM que me convenceu a continuar lendo O desaparecimento do universo foi de que a Natureza não é perfeita, de que o ser humano não é perfeito, de que o Universo não é perfeito. Como uma professora de aromaterapia devotada à sabedoria das plantas, estou sempre tentada a acreditar, como biologistas e físicos, que apenas uma inteligência perfeita, suprema, pôde ter criado o corpo humano, as flores, as montanhas e todas as estrelas que vemos quando olhamos para o espaço. Mas com minha experiência de vida, que já contou com seu tanto de dramaticidade – ou talvez apenas por uma inclinação de temperamento à melancolia e à depressão – tendo a achar que tudo isto aqui a que chamamos de vida é realmente uma merda: ela acaba. Então, quando os mestres de Gary vêm e dizem que aquilo que acaba não pode vir de Deus, minha intuição diz que não pode deixar de ser verdade. Foi neste ponto que tomei a decisão de dar crédito ao UCEM. Muito simplesmente, o UCEM diz que toda a vida e todo o Universo, até onde achamos que ele existe e além, é apenas sonho, como se nossa mente o projetasse e tivéssemos a nítida sensação de que realmente o vivenciamos no nível da matéria. É algo mais ou menos como naquele filme que já citei numa de minhas resenhas, o Total Recall. Sonhamos – e o sonho é tão real que acreditamos que ele existe.

Não sei como você pode fazer para acreditar neste pressuposto – é preciso que você sinta que isso faz sentido em alguma parte do seu ser. Se não fizer sentido de uma forma ou de outra, nem precisa se dar ao trabalho de ler O desaparecimento do universo ou mesmo o UCEM. Os demais ensinamentos vão explicar como o sonho aconteceu – quando uma parte da Mente acreditou que estava separada de Deus – , e como fazer com que o sonho acabe – perdoar, sem concessões, tudo que é do plano da matéria.

Meu próximo passo é iniciar a leitura sistemática do UCEM, desde a primeira página. Neste momento, estou escolhendo não participar novamente de um grupo de estudos, embora muitos digam que um grupo acelere a compreensão do Curso.  Algo que me deixou confortável em estudar o UCEM foi entendê-lo como um curso de treinamento mental. Os mestres de Gary disseram que o budismo, na atualidade, é a filosofia espiritualista mais sofisticada que existe no que se refere à compreensão da mente. Como venho observando no meu comportamento e no da maioria de meus colegas yogis, um após um tem deixado de ler os textos sagrados do hinduísmo para se dedicar aos ensinamentos e meditação budistas. Isso não pode estar acontecendo à toa. Mas, no meu próprio caso, embora eu tenha lido alguns livros de mestres budistas e participado de algumas palestras, o budismo não parece ser o meu caminho. Mas que haja, afinal, uma necessidade de modificarmos a mente e a percepção depois de tanto asana e pranayama, isso de fato há. Quero ver como o UCEM me ajudará nisso. Encará-lo depois da leitura de O desaparecimento do universo será mais fácil – talvez a palavra não seja “fácil”, tampouco “simples”: será menos nebuloso. Quando aparecer o termo “ego”, por exemplo, eu não o entenderei tal como Freud. Gary tornou clara a compreensão de vários termos-chaves do UCEM.

Mas tenho inúmeras dúvidas que espero consiga sanar com o Curso – e, se não conseguir pela simples leitura do texto e prática do Livro de Exercícios – buscarei num próximo livro que – se for bom – , tenha certeza de que estará resenhado aqui pra trilharmos juntos este roteiro.

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro © 2014

 

RENARD, Gary R. O desaparecimento do universo. Tradução Grupo Mera. São Paulo: Grupo Mera, 2014.

 

 

 

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