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O Amor não esqueceu ninguém – Gary R. Renard

Postado às 15:37 do dia 09/01/15

O Amor não esqueceu ninguém é o último da trilogia iniciada com O Desaparecimento do Universo (DU), de Gary R. Renard. Terminá-lo dá aquela sensação chata de perder uma excelente companhia. (O único consolo são as quase 1,5 mil página do UCEM, estas bem mais difíceis de ler rápido.) O que esperamos então deste final é saber como Gary conheceu sua atual esposa (um relato bastante banal, aliás), e mais algumas revelações surpreendentes sobre as artimanhas do ego. Aviso logo que o livro cumpre. E Gary nos avisa que este ele escreveu sem ter gravado as conversas com Arten e Pursah. Poderia acontecer da escrita ficar prejudicada, mas não foi o caso. Colaborou pra isso a tônica ter recaído muito mais nas experiências particulares de perdão do autor, às voltas com a fama trazida pela surpreendente venda do DU mundo afora, que sobre as teorias do Curso. Gary fala muito de si – e isso é bom, acredite. Zero petulância, zero cinismo, zero deslumbramento. Acompanhamos sua história como se fosse a nossa. Bem, você sabe que é a tua: ou então não se trata do não-dualismo radical do UCEM pra começo de conversa.
Abaixo seguem citações com comentários. Mal posso esperar um novo livro dele! Imagino que você também.

Perdão qunântico

“PURSAH: Exatamente. O perdão é uma mudança na forma como olhamos para as coisas, quer sejam situações, eventos ou outros pessoas. Mas não é fácil.
GARY: Nunca digo a ninguém que é fácil perdoar outras pessoas. De fato, isso é uma droga porque elas não merecem o perdão.
PURSAH: Isso pode parecer verdadeiro no nível da forma, mas depois de algum tempo, você percebe o fato de que é você quem está sendo perdoado todas as vezes em que perdoa os outros.” (p. 11)

– Perdão, milgares, tudo é a mudança na percepção. Gosto muito dessa definição. Uma coisa que li na Revista Língua Portuguesa, edição 100 mitos do português, foi que a palavra religião não vem do verbo religar, algo propalado em qualquer cursinho espiritualista, de yoga a Reiki. Religião vem da raiz latina que significa ler. Ler é perceber o significado das coisas. Ler é percepção. Perceba diferentemente. Isto o unirá a Deus.

“PURSAH: (…) Agora, em vez de limitar a pessoa com a qual você está interagindo àquela minúscula partícula de tempo e espaço, você deveria ignorar o corpo e fazer o que J fez. Você precisa pensar nessa pessoa como ilimitada. Em vez de pensar nela como parte de algo, deve pensar nela como sendo tudo. Se agir assim, isso vai afastá-lo do foco de ser uma ilusão e terá um resultado altamente positivo. Vai funcionar. Isso vai lhe poupar vidas de esforço, Se vir a pessoa como sendo tudo, nada menos do que Deus, então, é assim que um dia vai expermentar a si mesmo.” (p. 14-15)

– O curso é enfático: como você passa a olhar os outros é como você passará a olhar a si. É uma mudança no conselho Socrático: em vez de nos esforçarmos para conhecermo-nos a nós mesmos, melhor simplesmente assumir que somos ignorantes, mas que o outro é Deus; e logo veremos a nós mesmos como Deus. Não podemos olhar pra fora sem que isso modifique como nos enxergamos. É muito inteligente e prático.

“GARY: Sim. É como o dito budista de que julgar alguém é como beber veneno e depois esperar que a outra pessoa morra. Todos os julgamentos são realmente autojulgamentos, e todo perdão é realmente autoperdão.” (p. 24)

– Boazinha esta do julgamento. Dá pra entender.

“GARY: (…) E o perdão é tudo o que é necessário para levar a uma festa de amor.” (p. 58)

– Não é possível discordar.

“TADEU: (…) E ele me ensinou como perdoar partindo de um estado de causa e não de efeito. Essa é outra coisa que não pode ser enfatizada o suficiente. Você não pode perdoar as pessoas pelo que elas fizeram. É isso o que o Curso cham de ‘Perdão para destruir’. Perdoar dessa forma é uma perda de tempo.” (p. 111)

– O parágrafo continua e é a lição mais importante do livro e do Curso. Perdoar pela causa. E a causa é que nunca ninguém fez nada do que vemos, porque nada disto aqui existe de fato.

Onde a porca torce o rabo

“A maioria dos sistemas espirituais tenta equilibrar corpo, mente e espírito. Eles são todos igualmente importantes, mas essa não é a abordagem do Curso. Com o Curso, você aprende como usar a mente para escolher entre o corpo, que é o grande símbolo de separação do ego, e o espírito, que no Curso é a perfeita unicidade e não deve ser confundido com a ideia de uma alma individual, que ainda é uma ideia de separação.” (p. 9)

– Sabe aquele ditado de que quando você acha que sabe todas as respostas a vida vem e muda todas as perguntas? O Curso é isso: ele muda as perguntas. É bem difícil compará-lo a qualquer religião (não é religião), e a comparação com qualquer filosofia sempre fica capenga (porque ele é prático).

“GARY: Sim. Quero dizer, as pessoas me procuram algumas vezes no intervalo de um workshop e pensam que precisam desistir de dinheiro, sexo, suas metas e sonhos, e até de seus relacionamentos. Tenho novidades para elas: daqui a trinta ou quarenta anos, vão ter que fazer isso de qualquer forma. O corpo não vai durar para sempre. Então, por que não usar esse tempo para construir algo que durará pra sempre? Essa é a diferença entre construir uma casa sobre a rocha e sobre a areia. E quer saber de uma coisa? Você ainda pode ter a areia também! Pode viver sua vida normal, perdoar conforme segue em frente, e ainda construir sua casa sbre a rocha de Deus. Esse é um caminho espiritual muito prático porque não é sobre mudar sua vida – ele é sobre mudar sua mente a respeito da sua vida.” (p. 26)

– É claro que somente um país como os Estados Unidos poderia ser berço de um caminho espiritual onde se tem a rocha e a areia. Mas, tirando isso, sim, verdade: as religiões e filosofias falham porque querem isso ou aquilo da gente, que vivamos assim ou assados. Chega, né? A vida é experiência do impoderável. Mais fácil viver, apenas, do jeito que for, com as regras da moda vigentes. No final, você se rende, aceita, porque areia ou rocha são apenas metáforas.

“PURSAH: (…) Deixe o Curso ser o que é: uma obra-prima espiritual, não uma declaração social.” (p. 27)

– Pêlo em ovo – hummm, nunca algo inteligente pra se buscar; apenas uma perda de tempo.

“ARTEN: Foi por isso que Einstein fez uma pergunta séria: a raça humana é boa?
GARY: Dada a natureza do ego, essa é uma pergunta legítima. Sob o domínio do ego, a raça humana é, na melhor das hipóteses, dividida entre bons e maus, e isso em um bom dia.” (p. 44-45)

– Rs sem comentário. Humor é assim: se você acrescentar “e isso em um bom dia”, vira piada.

“GARY: Então, como perdoo o passado?
PURSAH: Da mesma forma que perdoa o que está bem na sua frente agora. O que é a memória exceto uma imagem em sua mente? E o que é isso que você está vendo nesse exato momento a não ser uma imagem em sua mente?” (p. 132)

– Passado é imagem + investimento emocional nesta imagem.

“PURSAH: (…) Não é suficiente descrever o erro. É necessário ter algo pelo que substituií-lo.” (p. 139)

– Sabe aquele lance de crítica construtiva? vai por aí.

“GARY: (…) Nós não temos que comer tanto quando pensamos que precisamos. É outra forma de o ego conspirar para nos enraizar no corpo.” (p. 158)

– Gentem, mas era só isso que faltava pras dietas finalmente darem certo: o perdão. Rs

La garantia no soy yo

“GARY: (…) Quando pede ajuda a um poder maior do que você mesmo, em vez de confiar em seus próprios talentos e habilidades, você realmente está desfazendo a ideia da separação em sua mente em vez de reforçá-la. Quando faz coisas por conta própria, está fortalecendo a ideia da separação para si mesmo. Mas colocar o Espírito Santo no comando é a saída. Reserve apenas dez segundos pela manhã e diga: ‘Espírito Santo, você está no comando de todos os mesu pensamentos e ações hoje’. “”(p. 17)

– Você já passou pela educação católica, então foi pro espiritismo, gnose, daí pro yoga, então pro budismo; chega no UCEM e pode dar um medo danado deixar o Espírito Santo no controle. Aliás, em nossa sociedade, quem é que deixa qualquer outra coisa no comando da própria vida?!

“TOMÉ: Na verdade, você está olhando para o Espírito Santo aparecendo em seu sonho de uma maneira que possa aceitar e entender. O Espírito Santo realmente reconhece suas ilusões, mas sem acreditar nelas. E o Espírito Santo aparece para você de um jeito que vai funcionar melhor para você naquele momento. O Espírito Santo é amor, perfeito amor, assim como Deus. Mas  amor se mostra para você como uma forma, porque é a única maneira de conseguir ouvi-lo.” (p. 96)

– Acho bem lógico, você não acha também?

“ARTEN: (…) O riso definitivamente é do Espírito Santo, desde que não seja à custa de outra pessoa.” (p. 133)

– Sim. Me preocupa sempre quando alguém diz que os bem-humorados estão mais perto de Deus porque sempre sou tão carrancuda…

Ego, eguinho meu

“ARTEN: Sim, não se esqueça do básico. Você pode pensar: Por que deveria ser importante se vou fazer coisas saudáveis quando são os meus pensamenos que dirigem tudo? A resposta é simples: você está tentando educar seu ego. O ego quer que você pense que é um corpo. Você quer que seu ego seja desfeito para que possa ir para casa, para o que realmente é. Para ajudar o ego a relaxar e se permitir ser desfeito, você faz algumas coisas corporais enquanto parece estar aqui.” (p. 80-81)

– Portanto: alimente-se bem, mexa seu corpitcho.

“ARTEN: (…) Você se torna apegado a regras e religiões, mas quando tem apenas preferências, não tem que ficar preso a um resultado. É uma escolha que você faz. Mas não é algo sobre o que tem um excesso de zelo.” (p. 82)

– Na próxima vez em que lhe perguntarem por que você é vegetariano, você responde: porque eu prefiro – e ninguém vai encher seu saco. Sacou?

“PURSAH: A repetição parece existir no tempo, mas se a mensagem certa estiver sendo repetida, ela desfaz o tempo. O tempo, como o espaço, é apenas uma ideia de separação. Parece haver épocas diferentes e locais diferentes. No entanto, não existe nada assim. Tudo no universo de tempo e espaço é baseado na separação. Tudo tem um começo e um fim, uma fronteira ou um limite. Você aprendeu a não se deixar levar pela importância aparente do universo. Não estamos dizendo que não possa apreciá-lo; só não pode torná-lo real.” (p. 143)

– Cosmogonia UCEMica. So cool!

“ARTEN: (…) A visão do Curso a respeito do tempo é de entortar a mente. Isso é assim porque o tempo tem um paradoxo. Por um lado, o tempo é holográfico. Tudo acontece de uma vez só e, de acordo com o Curso, já terminou. Passado, presente e futuro acontecem simultaneamente, como Einstein demonstrou; algo com o que o Curso concordaria, exceto que o Curso diria que apenas pareceu acontecer. Então, à parte do modelo holográfico, existe a falsa experiência de linearidade. A propósito, o modelo holográfico é falso também porque, em última instância, como dissemos, o tempo é apenas uma ideia de sepração.” (p. 150)

– Quando a gente lê coisas assim, fica inevitável pensar que o creacionismo já moldou o que pensamos ser o Universo. Hoje, lutamos para que ele não seja mais ensinado nas escolas e até o Papa Francisco já disse que o homem evoluiu do macaco. Se, no futuro, lutaremos para que a cosmogonia do UCEM seja encarada também apenas como arroubos religiosos-místicos, só o tempo – que, aliás, não existe – dirá (ou melhor, já disse).

revisto por Mayra Corrêa e Castro © 2015

RENARD, Gary. R. O Amor não esqueceu ninguém: a resposta para a vida. Tradução Grupo Mera. São Paulo: Grupo Mera, 2013.


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Leia a resenha de outros livros de Gary e também relacionados ao UCEM:
O desaparacimento do universo, de Gary – clique aqui
Sua realidade imortal, de Gary – clique aqui
Um guia para o perdão, das fundadoras do Grupo Mera – clique aqui

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