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Desvendendo o Maha Lilah e ML, o Jogo do Autoconhecimento

Postado às 12:37 do dia 10/04/19

Há grande chance de você não ter ouvido falar no Maha Lilah, dada a onipresença do tarô no Brasil como jogo de tabuleiro com cartas usado com finalidade de autoconhecimento. Mas se você já se aventurou pelo yoga e pela filosofia hindu, as chances aumentam, dado que Harish Johari é um autor conhecido no meio e já escreveu sobre o Maha Lilah.

Esta edição , publicada em novembro de 2018 pela Editora Laszlo, é especial, pois não apenas traz o texto de Johari, traduzido para o português, em que o jogo do Maha Lilah é explicado conforme a tradição dos Vedas, mas traz também o texto de Denise Mascarenhas, estudiosa do tabuleiro, que o interpretou segundo sua experiência em atendimentos com o público brasileiro. São, portanto, 2 livros:

  • Maha Lilah: o Jogo do Conhecimento, de Harish Johari;
  • Desvendando o Maha Lilah, de Denise Mascarenhas.

Além desses dois livros, o kit também traz dois jogos de cartas, um dado, o tabuleiro impresso em pano, na forma de toalha de mesa, e um blend de óleos essenciais produzido especialmente para o momento do jogo.

Maha Lilah, kit

Imagem: Editora Lazlo

No estudo de Denise Mascarenhas, ela trouxe sugestões de óleos essenciais para serem inalados quando, no tabuleiro, o movimento do dado leva o jogador para situações desafiantes. A ideia que sustenta o Maha Lilah é a do espelhamento entre o macrocosmo e o microcosmo, e de que o caminho pelo tabuleiro tem potencial de representar nosso papel no jogo da vida. Aliás, lilah significa jogo, o jogo de Brahman.

Assim, cada movimento no tabuleiro coloca o jogador em contato com seus movimentos anímicos, direcionando-o para conflitos, sua resolução e oportunidade de crescimento espiritual. É possível jogar o Maha Lilah com propósitos semelhantes aos do tarô? Sim, pois ambos dão seu melhor como instrumentos de revelação da consciência do jogador, mas apelam a sensibilidades diferentes, assim como quem pratica yoga tem uma sensibilidade diferente daquele que se identifica, digamos, com o Tai Chi.

É preciso mergulhar na visão de mundo dos textos sagrados do hinduísmo para entender a proposta do Maha Lilah. O que está em jogo não é a felicidade, como frequentemente, no Ocidente, resumimos nossos objetivos em vida, porém a desilusão, isto é, a perda do estado ilusório de separação entre a Realidade Absoluta e a realidade do indivíduo. Assim, podemos resumir o jogo do Maha Lilah como os estados de consciência que nos levam do estado de separação ao estado de fusão com a Consciência Absoluta, Brahman. A meta é a iluminação da consciência, ou volta-se eternamente a um corpo encarnado, ou seja, ao jogo do Lilah.

Veja citações comentadas do livro de Johari.

 

Matrix

“Enquanto a ilusão, maya, é o próprio mundo fenomênico, a delusão, moha, é o apego ao fenômeno como única manifestação de realidade. A delusão obscurece a mente, tornando-a inapta a perceber a verdade.” (Johari, 2018, p. 44)

– É sempre bom atentar para os termos escolhidos, ainda mais quando temos que transpor significados de outra cultura para a nossa. Delusão é um delírio, uma alucinação. Enquanto ilusão é nossa própria condição mental (afinal, maya é o mundo que vivemos), delusão é como um estado patológico de maya, é você arredar o pé na experiência e jurar de pé junto que ela é a única coisa que existe. Desde Descartes e Bacon, todos somos deludidos, em menor ou maior grau.

 

Caridade

“A caridade é um dos mais importantes pilares do plano do karma. É a força motivadora por trás das mais elevadas atividades humanas institucionalizadas. É a combinação da compaixão com a inclinação do terceiro chakra para a organização” (Johari, 2018, p. 69)

– Existe um argumento bastante cínico pra não se fazer caridade: você não se tornar vaidoso por a praticar. Não caia neste engodo: antes um vaidoso que abre a carteira, que um humilde que se recusa permanentemente a abri-la.

 

Dharma

“Ação consciente é dharma: ação consciente adequada à realidade do momento. Aprender a agir conscientemente é aprender a agir de acordo com os princípios do cosmo. Assim, dharma é a ação de acordo com o conhecimento cósmico.

Há dez sinalizações do dharma, todas as quais têm de estar presentes se a ação estiver de acordo com a lei do dharma: firmeza, perdão, autocomando, autocontrole (não roubar), limpidez (pureza), controle dos órgãos dos sentidos e dos órgãos de trabalho, intelecto, conhecimento correto, verdade e ausência de raiva.” (Johari, 2018, P. 69-70)

– É muito comum traduzir-se o termo dharma por “dever”. Mais comum, ainda, é trazer os conteúdos de ética e moral para entendê-lo. O perigo, nesses casos, é atribuir ao dharma o que ele não faz: criar uma espécie de paraíso na Terra, onde todos os humanos serão automaticamente bons, e cordiais e não-violentos. Dharma é a condição na qual você desencarna da materialidade. É uma meta, perseguida diariamente; contra ela, o karma. Tente soterrar seus vícios sob uma capa de bondade e sob uma autoimagem de pessoa justa e você estará acumulando karma, pois é dharma de todo ser humano reconhecer-se um merda antes de tentar ser um santo.

 

Galerinha do bem

“Fazer o bem requer o conhecimento do que é correto. O conhecimento correto (casa 45) pode levar o jogador à experiência do bem cósmico diretamente, a partir do quinto chakra. O jogador que chega aqui não oferece resistência ao fluxo do dharma. Ele simplesmente faz o seu trabalho, o que quer que as forças cósmicas peçam a ele.” (Johari, 2018, p. 162)

– É tentador acreditar que as forças cósmicas falam diretamente a você e o mandam ser um bosta, manipulando as pessoas, fazendo-as sofrer porque, assim, elas “despertarão pra verdade”. Gurus, ou melhor, os falsos gurus costumam sustentar que têm canal aberto com as forças cósmicas e desta forma devastam a vida de seus discípulos. Uma regrinha prática pra saber se as forças cósmicas estão falando realmente com você, ou se você é que está dando uma de Hitler achando que manda nas forças cósmicas, é sempre se questionar: a força cósmica está mandando eu fazer algo com alguém ou só a mim mesmo? Se for apenas a si, se você modificar a apenas a si, preocupar-se apenas com seu próprio comportamento e não ficar de butuca no comportamento alheio, então, sim, tem chance de você estar alinhado ao seu dharma. Entenda: a jornada da iluminação da consciência é egoísta, mas no sentido mais altruísta do termo: se há algo que você pode fazer num conflito é modificar apenas a si, dando a oportunidade legítima de que o outro modifique a si próprio sem sua interferência. As forças cósmicas não usam mega-fone e nem estão em grupos de whatsapp: preferem sempre sussurrar sua mensagem no pé do ouvido, porque o lance delas é o tête-à-tête. Elas não espalham fake news, nem espalham true news: ela não espalham news, entende? Diálogo um pra um: o que elas falam é só pra você e pra mais ninguém. Não amole o dharma dos outros.

Mayra Corrêa e Castro (C) 2019

JOHARI, Harish. Maha Lilah: o jogo do autoconhecimento. Tradução Wilson Bentos. Belo Horizonte: Editora Laszlo, 2018.

MASCARENHAS, Denise. Desvendando do Maha Lilah. Belo Horizonte: Editora Laszlo, 2018.

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