Casa Máy > As Melhores Partes - Posts > contos > Contos negreiros – Marcelino Freire

< voltar

Contos negreiros – Marcelino Freire

Postado às 12:32 do dia 13/10/13

A melhor experiência que você teria com Contos Negreiros, do escritor pernambucano Marcelino Freire (1967), é se o próprio autor selecionasse um para ler em voz alta. Tive essa oportunidade: em oficina ministrada durante a Semana Literária do SESC, em Curitiba (set/13), ele nos leu o conto “Totonha”, arrebatador. De sua garganta sai uma companhia de teatro inteira. Além disso, imbuídos que estávamos por seu daemon – a  inspiração pra que buscássemos contar a história que apenas a nós cabe contar – , Totonha, o nome de uma tia do escritor que não queria ser alfabetizada – , ganhou status de grito de guerra. Todos saíram motivados.

Daí vem o livro, a leitura silenciosa que fazemos ouvindo nossa própria vozinha na cabeça. Perde um pouco do impacto, ainda que a dicção de Marcelino esteja lá. São 16 contos – ou cantos, como são nomeados no livro – trazendo à luz marginalizados: negros, bandidos, putas, gays, pobres e desajustados do sistema. E sempre parece que são eles mesmo a falar, tal a força das construções sintáticas, que estilizam a fala cotidiana, e os inúmeros pontos de interrogação, que trazem a perplexidade daqueles narradores pra dentro de nós.

Não tenho como selecionar melhores partes desse livro, porque as frases de Marcelino não são epigrafais; são, antes, melodias cujo significado vai se construindo linha após linha, até que se capta o refrão. E, você sabe, um refrão só é bom porque vem dentro da música.

Nem por isso você deve deixar de comprar e ler o livro. É 10!. Aliás, um tira-gosto: vídeo no You Tube da leitura de Totonha pelo próprio Marcelino. Ressalva: os risos da plateia foram desnecessários.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro ® 2013

 

FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2012, 6ª edição.

Talvez você prefira comprar o áudio-book do livro, narrado pelo próprio autor.

Comentários

Assinar Newsletter