Marketing Olfativo ou Harmonização de Aromas e Ambientes?

 

Nos workshops que dou sobre aromas e ambientes, uma pergunta que sempre surge é como escolher o “cheirinho” do local: levando em conta aqueles que o frequentam ou levando em conta aquilo que a marca quer transmitir? Bem, esta é uma pergunta fácil de responder: primeiro – e sempre – você leva em conta as pessoas que ficarão em contato com o aroma mais e menos frequentemente; depois – e apenas depois mesmo -, é que você leva em conta aquilo que a marca quer transmitir.

Aromas interferem no comportamento – fato. Não é possível criar um aroma – sobretudo se em sua composição forem acrescidos óleos essenciais puros, que possuem diversas propriedades terapêuticas, – sem entender que haverá pessoas que ficarão o tempo todo inalando-o: você mesmo, seus familiares ou seus funcionários; e, depois, seus convidados ou clientes, que terão uma experiência olfativa menos frequente com o aroma.

Podemos achar excepcional o aroma de capim-cidreira para salas de espera de consultório, pois irá abaixar a ansiedade dos pacientes. Mas imagine a secretária, como ficará sonolenta. Ou podemos curtir demais o aroma de canela com laranja e cravo-da-índia para aromatizar uma festa, porque passará um clima de alegria e prosperidade, exceto que o chef preparou um jantar com ervas finas e ficará maldizendo seu aroma porque se sobrepôs ao buquet de seu jantar.

O texto abaixo, que você lê também no catálogo da Mostra Morar Mais Por Menos – Curitiba, 2010, escrevi em parceria com minha amiga Carla Winikes, para exemplificar nossa filosofia quando criamos aromas para ambientes.

Neste ano, tivemos a oportunidade de criar o aroma exclusivo da mostra, que você poderá sentir andando pela casa, em determinados ambientes, e também em um dos brindes que será dado aos arquitetos e designers participantes, contendo um minispray do aroma da mostra.

Espero que as analogias do texto mostrem que o marketing olfativo é apenas uma ferramenta de venda e branding, mas a harmonização de aromas e ambientes é um instrumento para criar bem-estar.

Um abraço de cheiro, Mayra.

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Marketing Olfativo ou Harmonização de Aromas?

 

Existe um ponto de contato interessante entre vinhos e óleos essenciais. Ambos dão safras. O aromatologista é o sommelier de plantas aromáticas.  Tanto quanto um sommelier monta a adega com diferentes rótulos de uma mesma uva para apreciar as conotações de diversos châteaux, um aromatologista compara lavandas cultivadas mundo afora ou aprecia a evolução do aroma de um óleo essencial conforme o método ou tempo de sua extração. Vinhos e aromaterapia aproximam-se, fundamentalmente, por sua dependência do olfato e do terroir.

Para imprimir um pouco mais de beleza ao chamado marketing olfativo, começamos a olhar a criação de aromas ambientais como se fôssemos harmonizar um vinho, muito mais que meramente vender uma garrafa, ainda que excelente. Há diferenças.

O marketing olfativo olha uma marca e diz: “Ok, marca, este é seu cheiro.” É como um maître chegar aos convidados e lhes dizer que o vinho que irão tomar é um cabernet sauvignon sec maravilhoso, que expressa perfeitamente todas as qualidades de um vinho, quando a dama ao lado tinha a expectativa de brindar com um frisante demi-sec.

A experiência de uma refeição é formidável quando vários aspectos se somam: o ambiente, o menu, os amigos, o propósito de se reunirem e, claro, a bebida. Quando fazemos a harmonização de um aroma a determinado ambiente, buscamos criar uma sinergia olfativa com óleos essenciais que recrie esta mesma experiência:

Usamos matérias-primas naturais que evoluem como um bom vinho; buscamos formulações exclusivas que tornem aquele bouquet de aromas memorável como a melhor lembrança que você tem de um jantar perfeito; e buscamos sinergias que promovam o reencontro das expectativas entre clientes, sócios e funcionários.

A sinergia aromática que criamos para a mostra Morar Mais Por Menos Curitiba é o reflexo desta nossa crença: que o marketing olfativo é um savoir-faire, mas a harmonização de aromas e ambientes é um savoir-vivre. Criamos aromas não apenas porque gostamos de vender, mas porque amamos viver.

Una-se aos convivas!

 

Mayra Corrêa e Castro e Carla Winikes.

 

Míni CV:

Mayra Corrêa e Castro é linguista, publicitária e aromatologista. Proprietária do estúdio Casa Máy no Juvevê. www.casamay.com.br

Carla Winikes é designer e empresária. Proprietária da loja Sensorial Bazzar no Alto da Glória. www.sensorialbazzar.com.br

6 comentários em “Marketing Olfativo ou Harmonização de Aromas e Ambientes?”

  1. Bom dia!

    Sou deficiênte visual (baixa visão), e gostaria muito de conhecer um pouco mais sobre o markething olfativo. Qual é o campo de trabalho, é fácil conseguir um trabalho nessa área. Claro que como deficiente já me beneficio do sistema de cotas, mas mesmo assim, gostaria de saber mais deltalhes sobre o curso e de onde procurar emrpego nessa área.

    • Oi, Everli. Agradeço por ter acessado meu site.
      Eu não saberia muito responder a sua dúvida, embora eu possa lhe dar dois nomes de pessoas que trabalham com deficientes visuais (100% ou parcial), em São Paulo/SP, em projetos que visam instrumentalizá-los em avaliação olfativa: a primeira pessoa é a cosmetóloga Sônia Corazza. Você pode contatá-la pelo site http://www.soniacorazza.com.br/ ou, ainda, através do email sonia@belezainteligente.com.br A segunda pessoa é a consultora Renata Ashcar, que é a curadora do Museu do Perfume em São Paulo. Ela também tem um site: http://www.renataashcar.com.br/ O email dela é renataashcar@renataashcar.com.br Desculpe não poder ajudar mais do que isso. De qualquer modo, conseguindo acessar essas duas profissionais, você estará falando com quem poderá lhe passar todas as dicas aqui no Brasil. Um abraço, Mayra.

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