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História sem nenhum craque de futebol

Postado às 09:38 do dia 16/02/18

Infelizmente, não me resta nada a não ser relatar como o Código de Defesa do Consumidor poder ser manipulado à nossa revelia.

No dia 16/jan, comprei um álbum de figurinhas e 100 pacotinhos desta editora pro meu filho. A conta foi paga com a mesada dele, que junta a de meses justamente pra comprar coisas como essas.

album panini

Imagem: Panini Comics do Brasil

No dia 17/jan o pedido foi postado e eu comecei a rastreá-lo no site do Correios diariamente, pois crianças são ansiosas. No dia 22/jan, notando que o status do envio mostrava que o pedido havia saído de SP mas ainda não tinha chegado em Curitiba, escrevi a eles para dizer que a entrega estava com problemas. Eles me responderam que eu deveria aguardar os 6 dias úteis solicitados. Note que eu já sabia que a mercadoria não chegaria, porque os Correios trabalham de uma forma que fica muito claro quando a mercadoria se extraviou ou não.

Ao final dos 6 dias úteis, como a mercadoria não tinha chegado, novamente abri um chamado no call center da Panini e a mesma me pediu 7 dias úteis de prazo.

Ao final dos 7 dias úteis, como eles não me retornaram, liguei no call center e quis um status do que ocorria. Desta vez, a atendente me pediu mais 48 horas de prazo.

Então, neste momento, recusei e disse que o Código de Defesa do Consumidor me dava o direito de solicitar o cancelamento da compra caso ela não tivesse sido entregue. A atendente disse que não era possível estornar a compra via cartão e de nenhum outro modo. “Discutimos” um pouco, ela se recusou a me colocar em contato com um supervisor e quanto eu finalmente ameacei entrar no Procon, no Reclame Aqui e nas redes sociais, ela me pediu um momento e me deixou no mudo.

Quando retornou, antes que eu pudesse ter dito qualquer coisa, ela me avisou que tinha solicitado o reenvio da mercadoria. Eu lhe disse que eu não queria o reenvio, que eu queria o cancelamento da compra conforme o que me assegura o Código.

Então ela me disse que eu tinha todo o direito de cancelar a compra, mas apenas no momento em que o correio viesse me entregá-la: bastaria eu recusar a entrega, que a entrega seria devolvida e o estorno seria feito. Argumentei que a Panini estava me forçando a aceitar a solução deles, ao que ela disse que era tudo o que poderia fazer.

Neste momento, anotei o protocolo de atendimento e desliguei. Não pude pessoalmente ir ao Procon em horário comercial devido ao meu trabalho nesta última semana, mas imprimi o formulário que deverei preencher pra enviar ao correio. Neste meio tempo, abri um reclamação no Reclame Aqui.

Hoje, sábado de manhã, no meio do que consideramos Carnaval, recebo um telefonema da Panini me informando que eu já tenho um novo código de rastreio pra mercadoria que será reenviada. Eu explico tudo de novo à atendente e digo que eu não solicitei o reenvio, que eu solicitei o cancelamento da compra e que a empresa está me forçando a aceitar o reenvio, manipulando o Código de Defesa pra que eu aceite de maneira forçada a compra. Ela ouviu toda minha queixa, inclusive se colocou no meu lugar, concordou comigo, mas o posicionamento da empresa não mudou.

E é assim, porque você precisa anacronicamente ir pessoalmente ao Procon, quando as compras são feitas habitualmente pela internet é que somos vítimas de empresas que inventam regras de cancelamento quando na verdade nunca tiveram intenção de cancelar nada.

Se a Panini realmente olhasse pra quem são seus consumidores – como uma criança de 11 anos que junta sua mesada e aguarda ansiosamente um álbum de figurinhas – o mínimo que ela faria seria estornar minha compra, e entregar o álbum e os pacotinhos mesmo assim. Isso seria o mínimo.

Ganhar dinheiro estampando em álbum a foto de jogadores de futebol, que são considerados craques pra crianças, é fácil. Difícil é ser craque na hora de reverter uma péssima experiência de compra com a mãe desta criança.

Panini, vocês poderiam ter feito um gol nos 45 minutos do segundo tempo. Mas a partida será decidida na prorrogação, porque eu vou, pessoalmente, ao Procon contra vocês. Por 105 reais – mas também pra vocês aprenderem a não manipular clientes que são mães de crianças que amam futebol.

Se você é pai ou mãe ou tutor de crianças que também juntam mesada pra comprar figurinhas de álbum de futebol e se identificou com minha história, por favor, compartilhe-a.

 

Publicado em 10/fev/18 no Facebook.

Escrito por Mayra Corrêa e Castro (C) 2018

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