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HP e o Cálice de Fogo – J. K. Rowling

Postado às 19:57 do dia 05/01/18

Chegamos nos grandes tomos da série Harry Potter: O Cálice de Fogo, A Ordem da Fênix e As Relíquias. Agora venceremos mais de 500 páginas de leitura e as coisas também começam a se avolumar em Hogwarts. A molecada experimenta as delícias da adolescência, rola uma baladinha e novas paqueras chegam à escola. Mas a encrenca também fica grossa: Voldemort deixa de ser brincadeira de criança.

HP e o Calice de Fogo

Harry Potter e o Cálice de Fogo tem aventura e fofoca suficiente pra segurar a gente do começo ao fim. E tem também a segunda personagem feminina mais nojenta de toda a série (são três no total): Rita Skeeter. Felizmente, Hermione dará uma enquadradada legal nela até o final do volume.  Eu li o romance em 2002, voltei a ele agora no finzinho de 2017. Nestes 15 anos, apenas o filme ficou na minha cabeça, então me surpreendi da quantidade de informação que ficou de fora na adaptação. Uma delas é que havia meninos também a bordo da carruagem de Beauxbatons.

Quando estive na Universal em Orlando, chorando miseravelmente de emoção enquanto andava pelo Beco Diagonal e por Hogsmade, assisti ao show de dança de Beauxbatons e Durmstrang. Meninas de azul, em passos de balé com fita, meninos de marrom, em passos de polka com acrobacias e um bastão nas mãos. Foi lindo, e passei o mico de ser a única que assobiava e gritava porque, bem, sou brasileira e é assim que a gente vibra, não é?

Mas deixemos de papo e vamos logo às minhas partes prediletas no …Cálice de Fogo. E se você descobrir como enviar uma corujinha ao Krum, me avisa. Hermione sabe, mas não quer contar.

 

Coisas nas quais enfiamos o dedo

“Espremer as bubotúberas era nojento, mas dava um estranho prazer. À medida que estouravam cada tumor, saía dele uma grande quantidade de líquido verde-amarelado, que cheirava fortemente a gasolina. Os alunos o recolheram em garrafas, conforme a professora orientara e, no fim, haviam obtido vários litros.” (p. 157)

– Desnecessário explicar estes estranhos prazeres de enfiar o dedo e espremer algo. Não tem quem não o compreenda.

 

Trabalhar sob pressão

“Às duas da manhã, Harry estava ao pé da lareira, cercado por uma montanha de objetos – livros, penas, várias cadeiras viradas, um velho jogo de bexigas e o sapo de Neville, Trevo. Somente na última hora ele, realmente, pegara o jeito dos Feitiços Convocatórios.

– Está melhor, Harry, está muito melhor – disse Hermione, parecendo exausta, porém muito satisfeita.

– Bom, agora sabemos o que fazer na próxima vez que não conseguirmos lançar um feitiço – disse Harry, atirando um dicionário de runas para Hermione, para que pudesse tentar mais uma vez -, me ameace com um dragão. Certo… – Ele ergueu a varinha novamente. – Accio dicionário!” (p. 276)

– Também Harry Potter é do time dos que trabalham melhor sob pressão. Você não precisa mais se envergonhar de funcionar assim também. Aliás, devo mencionar, campeões de reality shows, todos, trabalham melhor sob pressão. Harry poderia ter ganhado algum deles, não poderia, algo tipo Survivor?

 

Meninos

“Hermione estava parada e nervosa entre os dois, olhando de um para outro. Rony abriu a boca, inseguro. Harry sabia que ele ia se desculpar e, de repente, descobriu que não precisava ouvir desculpas.

– OK – disse, antes que Rony pudesse falar. – Esquece.

– Não – disse Rony, eu não devia ter…

– Esquece.

Rony riu nervoso para Harry e este retribuiu o sorriso.

Hermione caiu no choro.

– Não tem motivo para chorar – disse Harry espantado.

– Vocês dois são tão burros! – exclamou ela, batendo o pé no chão, as lágrimas caindo nas vestes. Então, antes que qualquer dos dois pudesse impedi-la, a garota os abraçou e saiu corremdo, agora decididamente aos berros.

– Maluca – concluiu Rony, balançando a cabeça. (…)” (p. 286)

– Sim, Hermione: burros, aquela coisa da profundidade de uma xícara e tal. E, Rony, você bem que vai gostar desta maluquinha, fica esperto.

“Mas todas as vezes que ele viu Cho naquele dia – no intervalo das aulas, depois do almoço, e uma vez a caminho da aula de História da Magia – ela estava cercada de amigas. Será que a garota nunca ia a lugar algum sozinha? Será que ele talvez pudesse surpreendê-la quando estivesse entrando no banheiro? Mas não – parecia até que ela entrava ali também com um séquito de quatro ou cinco colegas. (…)” (p. 314)

– “Na ida ao banheiro”; certamente o pior lugar pra você abordar uma menina. E, cá entre nós, se ele tivesse convidado Cho encarando o séquito, certeza que ela até dava um jeito de desmarcar com o Cedrico, num dava naum? Ah dava, ô se dava.

“(…) Em lugar disso, seu olhar recaiu sobre a garota ao lado de Krum. Seu queixo caiu.

Era Hermione.

Mas ela não parecia nadinha com a Hermione. Fizera alguma coisa com os cabelos; não estavam mais lanzudos, mas lisos e brilhantes e enrolados num elegante nó na nuca. Estava usando vestes feitas de um tecido etéro azul-pervinca, e tinha uma postura um tanto diferente – ou talvez fosse meramente a ausência dos vinte e tantos livros que ela normalmente carregava às costas. E sorria – um sorriso um pouco nervoso, era verdade -, mas a redução no tamanho dos dentes da frente era mais visível que nunca. Harry não conseguia compreender como não a vira antes.” (p. 329)

– Preciso confessar que, por mais que eu ache que Hermione abriu as portas pra toda uma séria de novas heroínas femininas em livros e filmes – inteligentes, fortes, astutas, corajosas -, aqui voltamos ao chavão do patinho feio que vira cisne. No filme, a questão dos dentes dela foi omitida (e seu vestido foi feito na cor rosa), então esta transformação ficou menos evidente. Anyway, meninos são tolos: só reparam na beleza evidente (exceto Krum, que reparou antes que todos. O que me faz lembrar do endereço dele pra uma coruja…). Ah, e não quero deixar de registrar o adjetivo lanzudo trazido pela tradução de Lia Wyler. Que palavra! Esta tradutora é um show. Os cabelos de Hermione tinham frizz, mas lanzudo (que tem a aparência de novelos de lã) parece perfeito, não parece?

“Rony lançou um olhar irritado.

– Vítor? – disse ele. – Ele ainda não lhe pediu para chamá-lo de Vitinho?

Hermione olhou para o garoto surpresa.

– Que é que há com você?

– Se você não sabe – disse ele sarcasticamente -, não sou eu que vou lhe dizer.

Hermione encarou-o demoradamente, depois Harry, mas este sacudiu os ombros.

– Rony, que é…

– Ela é da Durmstrang – vociferou Rony. – Está competindo contra o Harry! Contra Hogwarts! Você… você está… – Rony obviamente estava procurando palavras suficientemente fortes para descrever o crime de Hermione – confraternizando com o inimigo, é isso que você está fazendo!” (p. 334)

– Mas é óbvio que se trata de uma confraternização, se é que você me entende, Rony! Deixa a guria confraternizar, rapaz. Confraternizemos todos, aliás! Viva às confraternizações!

“Uma das melhores consequências da segunda tarefa foi que todo mundo ficou muito interessado em saber os detalhes do que acontecera no fundo do lago, o que significou que, uma vez na vida, Rony estava conseguindo dividir as luzes da ribalta com Harry. Este reparou que a versão do seu amigo sobre os acontecimentos mudava sutilmente cada vez que ele os contava. A princípio, Rony narrava o que parecia ter sido a verdade; pelo menos batia com a história de Hermione (…) Uma semana mais tarde, no entanto, Rony estava contando uma história emocionante de sequestro, em que ele lutara sozinho contra cinquenta sereianos armados até os dentes que precisaram dominá-lo antes de amarrá-lo.” (p. 404)

– Você identificou o papel de Rony na jornada de Harry, né? Porque ele é bastante óbvio: trata-se do bufão, trata-se daquilo que alivia o fardo do herói, a tensão da história, aquele que diz a verdade sem se responsabilizar por ela. Previsível, mas necessário; caricato, mas adorável.

” – Nos cumprimentamos com uma curvatura, Harry – disse Voldemort, se inclinando ligeiramente, mas mantendo o rosto de cobra erguido para Harry. – Vamos, as boas maneiras devem ser observadas… Dumbledore gostaria que você demonstrasse educação… curve-se para a morte, Harry…” (p. 525)

– Duelo de mocinhos ingleses. Manter a pompa de realeza faz parte.

 

A terceira idade segundo Dumbledore

” – Ah, eu nunca sonharia em presumir que conheço todos os segredos de Hogwarts, Igor – disse Dumbledore amigavelmente. – Ainda hoje de manhã, por exemplo, a caminho do banheiro, virei para o lado errado e me vi em um aposento de belas proporções que eu nunca vira antes, e que continha uma coleção realmente magnífica de penicos. Quando voltei para investigá-lo mais de perto, descobri que o aposento desaparecera. Mas preciso ficar atento para reencontrá-lo. É possível que só esteja acessível às cinco e meia da manhã. Ou talvez só apareça com a lua em quartil ou quando quem procura está com a bexiga excepcionalmente cheia.” (p. 331)

– Apenas um velho encontraria a Sala Precisa quando estivesse pensando em seu esfíncter urinário.

” – E o que você acha que aconteceu com Bartô Crouch, ministro? – perguntou Moody num rosnado.

– Vejo duas possibilidades, Alastor – disse Fudge. – Ou Crouch finalmente enlouqueceu, o que é muito provável e tenho certeza de que você concorda, dada a sua história pessoal, perdeu o juízo e saiu vagando por aí… (…)

– Ou então, bem… – Fudge pareceu constrangido. – Bem, não vou julgar até depois de ver o local onde ele foi encontrado, mas você diz que foi pouco além da carruagem da Beauxbatons? Dumbledore, você sabe quem é aquela mulher?

– Considero-a uma diretora competente e uma excelente dançarina – acrescentou Dumbledore rapidamente.” (p. 461)

– Dumbledore é muito elegante. Fosse eu e já teria esfregado na cara do Crouch quantas mulheres são vítimas de violência em comparação a homens.

 

Siga as pistas

” – Ah, Rony – disse Hermione, sacudindo a cabeça ceticamente -, já achamos que Snape estava tentando matar o Harry e acabou que estava tentando salvar a vida dele, lembra?” (p. 382)

– A gente duvida até o final, mas quantas vezes JK fez a gente ler que o Snape protegia Harry?!

 

Hermionices

” – Existe uma maneira de fazer! – disse Hermione zangada. – Simplesmente tem que existir!

Ela parecia estar tomando como ofensa pessoal o fato de a biblioteca não ter informações úteis sobre o assunto; a biblioteca jamais lhe falhara antes.” (p. 387)

– Também já fiquei puta com o Google gritando que ele tinha que me voltar o resultado que eu buscava, tinha que voltar. #tamojunta

 

Punições

” – Por mais fascinante, sem dúvida, que seja sua vida social, Srta. Granger – disse uma voz gélida [Snape] em atrás deles – , devo lhe pedir para não discuti-la em minha aula. Dez pontos a menos para Grifinória.

– Imagine um ônibus. Dentro dele um sujeito toca na tela do celular e imediatamente põe em voz alta a mensagem de áudio que ele recebeu por whats. Daí ele grava uma mensagem de voz como resposta. Espera o retorno, ouve-a novamente em voz alta e nós, sentados, nem ao menos temos chance de dizer “dez pontos a menos para  Grifinória”.

 

Animais Fantásticos

“- Pode se comprar um desses como bicho de estimação, Hagrid? – perguntou o garoto [Rony] excitado, quando o pelúcio dele tornou a mergulhar no solo sujando suas vestes de lama.” (p. 432)

– É um prazer todo novo reler Harry Potter depois de Animais Fantásticos ter ido ao cinema…

 

JK escrevendo como JK

“Havia ali uma bacia de pedra rasa, com entalhes estranhos na borda; runas e símbolos que Harry não reconheceu. A luz prateada vinha do conteúdo da bacia, que não lembrava nada que Harry tivesse visto antes. Ele não sabia dizer se a substância era líquida ou gasosa. Era brilhante, branco-prateada e se movia sem cessar; sua superfície se encapelava como água sob a ação do vento e, então, como uma nuvem, se dividia e girava lentamente. Parecia luz liquefeita – ou vento solidificado -, Harry não conseguia decidir.” (p. 464)

– Não bastasse tudo que JK inventou, tudo que sonhou e conseguiu pôr no papel de tal forma que tornou crível pra milhões de leitores no mundo inteiro de que “existe” um mundo bruxo, ela vem com esta descrição do líquido na penseira, linda descrição. Se você reparar bem, ela descreve o estado supercrítico da matéria.

“O homem magro saiu do caldeirão, com o olhar fixo em Harry… e o garoto mirou aquele rosto que assombrava seus pesadelos havia três anos. Mais branco do que um crânio, com olhos grandes e vermelhos, um nariz chato como o das cobras e fendas no lugar das narinas…

Lorde Voldemort acabara de ressurgir.” (p. 511)

– A gente inté para de respirar, num é? Crendospai.

 

Escrito por Mayra Corrêa e Castro (C) 2018

 

ROWNLING, J. K.. Harry Potter e o Cálice de Fogo. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.

 

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