Casa Máy > As Melhores Partes - Posts > coletâneas > Folio Columns 2003-2014 – Luca Turin

< voltar

Folio Columns 2003-2014 – Luca Turin

Postado às 15:26 do dia 27/12/17

Luca Turin sabe escrever. E também sabe cheirar, e sabe fazer ciência. Leitores deste blog e alunos já o conhecem: é ele o biofísico por trás da revisão da Teoria Vibratória do Olfato, cuja saga acadêmica foi brilhantemente retratada pelo amigo e jornalista Chandler Burr no livro O Imperador do Olfato. Mas a polêmica, a saga e a teoria (a teoria esperançosamente não…) são águas passadas.

Luca Turin Georgakopoulas org

Luca Turin, 2013. Foto: Georgakopoulas.org

Co-autor de um guia imprescindível sobre perfumes, The A-Z Guide of Perfumes, junto com sua esposa, Tania Sanchez, Luca é um cientista nômade. Não no sentido do que vem estudando – olfato -, algo que faz há um tanto de tempo. Mas nômade porque já trabalhou em vários lugares. Na época desta foto, ele estava na Grécia pesquisando o sentido o olfato em drosófilas. Mas estava se despedindo dos gregos, uma vez que o projeto científico chegava ao final. Então ele palestrou no TEDxAthens e se mudou para a Alemanha onde, pelo que pude averiguar, permanece até hoje.

Gosto de pensar em Turin como um Oscar Wilde das ciências, como um dândi-cientista. Primeiro é um cara brilhante, uma mente privilegiada que faz conexões onde ninguém ousou fazer. Segundo, é um globetrotter. E se os salões do século XXI são as salas das universidades de ponta, onde encontraremos as conversas mais interessantes, onde tudo que é excitante está sendo pensado e sonhado, Luca as frequentou todas. (Ele sempre recorda que sua estada no MIT foram 2 dos melhores anos como cientista em sua vida.) Mas no que realmente eu penso que ele e Wilde se aproximam é na enorme capacidade de nos entreter com seus pontos de vista sobre o que é sensacional e o que é absolutamente idiota na vida. Como Wilde, Luca escreve bem, fala bem. Também consegue ser um maldito polêmico charmoso que nos cativa com sua sagacidade e rapidez de raciocínio ao mesmo tempo em que “doesn´t give a damn shit” pra isso tudo.

No final, trata-se de dois românticos empolgados com um século novo, mas saudosos da inocência do século antigo.

***

O livro Folio in Columns 2003-2014 é a reunião de crônicas que Turin escreveu para uma revista Suíça, a NZZ Folio. Durante 7 anos, só falou de perfumes (duftnote, notas sobre perfumes, em alemão), e então ficou sacudo. Mas os editores deixaram que ele escrevesse sobre o que quisesse, o que se seguiu pra nosso deleite e sorte. Ele escreveu as colunas em inglês, que então eram traduzidas para o alemão. Sua esposa, prefaciadora da coletânea, comenta que Turin sempre reputou ao tradutor o sucesso de seus textos. Mas ela duvidava. Também passei a duvidar. Os textos do livro, tais como originalmente escritos em inglês, rendem ótimas tardes de leitura. De preferência, com uma taça de vinho na mão. Ou com uma xícara de chá e uma manta de tricô nos pés. Eventualmente, também pode ser à beira da praia com um drink escarlate. Luca é um eclético (ele prefere a denominação de Doctor Universalis, veja no Ted). Sua escrita, suas ideias, sua inteligência e estilo também o são.

in Folio Luca Turin

Abaixo comento alguns trechos favoritos. Como estão em inglês, traduzo-os para o português. É ridículo que este livro não esteja disponível em nossa língua. Mas está em Kindle, então fica pelo menos mais fácil comprá-lo.

Divirta-se.

 

Escritor, autor e escrivinhador

” (…) Apenas um escritor de maior ambição e talento que a média dos editores de beleza poderia jogar no lixo mitos da perfumaria e, ao mesmo tempo, construir novas lendas.” (posição 212 Kindle, Foreword)

– Tania Sanchez, esposa de Turin, é quem lhe rasga o elogio. Concordo. E acrescento: apenas um escritor cujo ganha pão não seja viver de resenhas de perfumes poderia criticar a reputação de toda uma perfumaria fundamentada em flankers demais e em obras-primas de menos.

“Mas todo texto já foi traduzido duas vezes, dos pensamentos do autor para não importa qual língua ele usou para escrevê-los, e de volta na linguagem do pensamento na cabeça do leitor. Um bom texto permite boas traduções em ambas as direções, tendo em mente que todos falamos diferentes dialetos de pensamento. Adicionar, entretanto, outra tradução no meio não é tão danoso assim como muitos pensam. A famosa frase ‘poesia é o que se perde na tradução’ aplica-se para o ato de escrever, e provavelmente para o de ler, portanto, ao próprio ato de traduzir.” (posição 3259 Kindle, sobre Original vs. Translation)

– Traduzir é impossível; traduzir é a atividade mais banal que fazemos todos os dias.

 

Esta coisa chamada perfume

“Perfumes são criaturas manhosas, e a menor mudança [neles] é como um erro tipográfico numa senha; nada acontece. Dez minutos depois, as portas da memória abrem totalmente.” (posição 255 Kindle, sobre Blue Stratos)

– Uma das reclamações mais frequentes de heavy users é a mudança nas formulações dos perfumes ao longo dos anos. Muda-se a fórmula, e ainda que trocentos avaliadores olfativos jurem que o cheiro permaneceu o mesmo, nosso olfato é que é manhoso pacas: ele dirá que o perfume não tem o mesmo cheiro. Então Luca comemora que um perfume reformulado consiga abrir a mesma memória olfativa de antes. Na real, acho que não deveríamos nos importar tanto. É simplesmente mágico que alguma coisa neste mundo pós-moderno consiga passar refratário a cópias..

“Cheirar milagrosamente nos permite ver as moléculas, e as regras da perfumaria são as do mundo invisível.” (posição 804 Kindle, sobre Perfume Time)

– Quando você escrever um livro sobre perfumes, #ficadica desta citação pra abertura do prólogo, tá?

“Borrifar perfume na pele quente é como soltar um tiro de largada numa praia cheia de diferentes tipos de pássaros; os menores voam primeiro, e as garças e pelicanos demoram um pouco mais. Aliás, se a praia fosse uma fita olfativa e uma molécula de musk fosse do tamanho de um pelicano, a fita estaria a 200 quilômetros de distância.” (posição 807 Kindle, sobre Perfume Time)

– Quando ensino sobre volatilidade, fixação, pirâmide olfativa, uso uma metáfora parecida: imagine uma maratona, os magrinhos avançam rápido, mas não a completam porque não têm de onde tirar energia; os gordinhos demoram pra pegar o ritmo, mas quando pegam têm reservas pra queimar e continuar correndo.

“Agora existem oficialmente quatro tipos de perfumaria: normal, nicho, vintage e natural. Normal é o que você encontra em todos os lugares; nicho é o que você espera que os outros não achem; vintage é que você acha apenas se souber o que está procurando. E onde está a coisa natural? Nas lojas de produtos naturais, ao lado das lâmpadas de sal-rosa.” (posição 923 Kindle, sobre The Art of Natural)

– Luca, vou te contar: os perfuminhos naturais estão nas lojas de aromaterapia, bem.

“O capitalismo detesta o vácuo, então por conta da demanda popular, os aromaterapeutas começaram a criar fragrâncias. Sem surpresas, suas criações supostamente são Boas para Você. Esta estratégia de marketing não é pior que a usual ‘use isto e todos se sentirão atraídos por você’, mas é tão fácil quanto de ser empiricamente refutada.” (posição 931 Kindle, sobre The Art of the Natural)

– Por conta disso é que hoje as pessoas acham que aromaterapia é sinônimo de criar fragrâncias com ingredientes naturais. Não é a mesma coisa. Aliás, caso você não saiba, perfumes sempre foram feitos – e  ainda o são – com alguns (poucos) ingredientes naturais (no passado, com todos). E ninguém diria que Catarina de Medici fazia aromaterapia, ou que Napoleão usava aromaterapia – ou que o Chanel N.5 é em parte aromaterapia. Visse? Sacaste?

“Meu dia a dia no trabalho é criar moléculas para a indústria de fragrâncias e aromas. Ingenuamente pensei que, se pudesse criar algo que cheirasse bem, fosse poderoso, não-tóxico, e barato de se fazer, eu ganharia meu sustento para sempre. Eu estava errado. Toda santa vez, o mais experiente perfumista de uma casa de fragrância pedia por algo completamente diferente e muito mais misterioso. O que eles querem não é um simples cheiro, mas um material ‘que dê um efeito’.” (posição 1302 Kindle, sobre Special Effects)

– Nós também, consumidores, queremos um efeito quando vestimos um perfume. Não se trata de pôr um cheiro na pele, mas de passar uma mensagem. Difícil, bem difícil.

“A ausência de musks é como fechar um olho enquanto se usa um óculos 3D. A cena é a mesma, mas a profundidade não existe mais.” (posição 1306 Kindle, sobre Special Effects)

– Um perfume plano pode ser criado de muitas formas: sem musks, ou com um excesso deles. Neste último caso, é quando o perfume vira um buraco negro.

“Salicilatos tornam uma composição floral banal num perfume de fato, com peso majestoso e alcance. Hedione tem a mágica habilidade de tornar as coisas coruscantes, de preencher os espaços entre os ingredientes com um ar líquido e fresco. Iso-E-super, muito antes de Julian Schnabel ter a ideia da tela, permitiu que perfumistas pintassem-na com veludo preto.” (posição 1308 Kindle, sobre Special Effects)

– Sou uma viciada em Iso-E-super, e na mesma medida com que meu nariz rejeita tudo que tem dihidromircenol.

“Deve haver algum fundo de verdade no lance da química da pele, já que nas etapas finais da criação de uma fragrância, os perfumistas sempre perseguem seus colegas para borrifar em seus braços esperando ver toda a variação de efeitos do perfume. Eles não fariam isso se não existisse alguma diferença de pele para pele, não? Então o que acontece exatamente? Eu faço objeções ao termo química, já que não acontece de dois elétrons terem uma ligação feita ou quebrada, mas fico feliz com o termo física da pele. Sua pele é feita de proteínas e gorduras. Como cuecas de seda (seda é, afinal, proteína de lagarta) ou manteiga, ela absorverá cheiros. A extensão em que isso ocorre dependerá de fatores complexos como o quanto você esfrega a pele, e quanto de gordura você coloca nela (cremes) ou retira (sabonetes). Isso inquestionavelmente afeta a maior parte volátil da fragrância, os primeiros dez minutos. Mas se isso bagunça o resto precisa ser testado por experimentos adequados, e até onde eu sei já é assunto de um relatório interno de 200 páginas da Givaudan. Mas tente explicar isso para pessoas que estão presas no trânsito de manhã.” (posição 1470 Kindle, sobre Personal Physics)

– Falo isso há anos: a pele não altera o perfume. A pele altera a percepção do perfume. Brigada, Luca. De nada, Mayra.

“Algumas fragrâncias desta época [Era do Jazz] parecem ter sido criadas com a fumaça do cigarro em mente para que se misturassem a ela no momento do uso, como se misturam gin e tônica. Era como se o cheiro criado precisasse de uma audiência; o perfume era a música, a fumaça do cigarro era a plateia ruidosa.” (posição 1508 Kindle, sobre Jus Add Smoke)

– Tenho certeza absoluta que nenhum perfumista, quando cria fragrâncias de banheiro, cria tendo em mente a audiência cocozística do entorno. Se criassem, talvez pudessem de fato disfarçá-la, em vez de apenas torná-la mais e constrangedoramente evidente.

“As frutas têm personalidades: pêssegos são generosos, maçãs robustas, peras aristocráticas, damascos gentis, mangas imponentes, lichias pacifistas, abacaxis brilhantes. Mas maracujás são o versátil curinga no baralho, talvez a única fruta que mereça a estranha alcunha tutti frutti.” (posição 1648 Kindle, sobre Passionfruit)

– Sempre achei que o jasmim tivesse cheiro de tuti-fruti que, pra mim, lembra muito o cheiro de uma sapatilha melissinha.

“Uma análise completa das moléculas emitidas pelo maracujá feita pela empresas Haarmann and Reimer em 1998 revelou 180 diferentes moléculas nunca antes vistas, 47 das quais são compostos sulfúricos, com cheiros variando de repolho podre a esgotos entupidos.” (posição 1655 Kindle, sobre Passionfruit)

– E nós que achávamos que o indol era tudo que havia de escatológico no reino encantado dos odorantes florais…

“Assim como drinks, em perfumaria os grandes clássicos são abstratos. Martini é Chypre; Manhattan é Chanel N.5; gin-tônica é Pino Silvestre; marguerita é Chanel pour Monsieur.” (posição 1872 Kindle, Cocktails)

– Não sou grande bebedora de coquetéis, então não saberia dizer…

 

Dândies como nunca mais

“Como sempre, a elegância consiste em se manter fiel a si enquanto se está aberto a qualquer coisa.” (posição 260, sobre Mitsouko Soap)

– Autenticidade sem excentricidade, esta é a fórmula.O resto é freak.

“Nunca subestime o talento francês para o refinamento; de Debussy à Nouvelle Cuisine, eles fazem novas coisas belas, inéditas e sutis como ninguém mais faz.” (posição 1108 Kindle, sobre L´Artisan Parfumeur)

– A francófona aqui tá repetindo mentalmente oui, oui.

“Julgar bem é quase sempre pouco mais que um sábio exercício de preconceito. Pressionados pelo tempo, a maioria de nós se torna escrupulosamente justa apenas quando não tem alternativas.” (posição 1256 Kindle, sobre Eta Libre d´Orange)

– Sou muito cética com relação a qualquer altruísmo. Sempre achei que o mais altruísta é alguém vaidoso do próprio altruísmo.

“Existem poucos prazeres maiores que frustrar o pessimismo.” (posição 1270 Kindle, Etat Libre d´Orange)

– Sim, sim, como quando você faz exame de sangue e descobre que, apesar das tranqueiras que come, seu colesterol e triglicérides continuam normais…

“Uma brisa de repente misturou a névoa de seu cigarro com seu perfume e me fez perceber o quanto sinto saudades de se fumar em locais públicos. Agora que isso não existe mais, podemos perceber que a fumaça é a fala do cheiro, exalada com todas as letras. Era o equivalente olfativo de uma conversa em grupo, na qual você poderia escolher prestar atenção ou ignorar como barulho. Eu diria que você poderia estar no escritório e falar (ou usar um perfume) francamente com alguém do seu lado sem que ninguém percebesse. Ande num bar nos dias de hoje e o ar sem cigarro parecerá estranhamente silencioso. Qualquer cheiro de comida ou perfume gritará nu e límpido, como uma fotografia médica.” (posição 1502 Kindle, sobre Just Add Smoke)

– Sempre foi questão se um perfumista cheiraria melhor sendo não-fumante. Não se sabe. Sabe-se apenas de um perfumista que, parando de fumar, ficou desesperado que não reconhecia mais os cheiros de seus ingredientes sem o verniz do cigarro.

“Algumas ideias são como canivetes suíços: elas não fazem nenhuma tarefa realmente bem, mas a atração de ter uma grande escova de dente e um pequeno machado na mão se prova irresistível.” (posição 1559 Kindle, sobre Anthropine)

– E é por isso que continuamos comprando máquinas de lavar roupas que também, teoricamente, secam-nas.

“Talvez porque as frutas tropicais tiveram que competir com poderosos cheiros de decomposição pela atenção de pássaros, elas decidiram jogar sujo. Adicionar minúsculas quantidades de podridão num, de outra forma, cheiro convencional de fruta é tão revigorante quanto descobrir que seu colega físico teórico foi, no passado, um dançarino de streaptease.” (posição 1660 Kindle, sobre Passionfruit)

– Tenho certeza absoluta que você nunca mais olhará um físico teórico com o mesmo respeito.

“Existem outras formas [de beleza]: o sublime, no qual não tomamos parte, como a beleza de picos de montanhas ao pôr do sol ou o cheiro de rosas; e existe o fofo, como a beleza de filhotinhos, gatinhos e cheerleaders. A perfumaria vive sob a constante ameaça do sublime e do fofo. Ingredientes naturais esplendorosos tentam-nos a sublimar o minimalismo, de onde a proliferação de vetivers idênticos, olíbanos, etc. Fofice, por outro lado, é uma espécie de nanismo artístico, o equivalente criativo a cozinhar apenas com vegetais “baby”. (posição 1963 Kindle, sobre Getting Used to Beauty)

– Perfumes gourmands são nanismo artístico

 “A última coisa que a arte quer é imitar a natureza. A natureza já se imita bastante suficientemente.” (posição 2134 Kindle, Art vs. Nature)

– A última coisa que a natureza quer talvez seja imitar a arte.

“(…) a democracia foi, e ainda é, um luxo.” (posição 2321 Kindle, Athen vs. Athens)

– Não julgue precipitadamente as opiniões políticas de Luca antes de ler todo o texto sobre Atenas, onde viveu como pesquisador. Depois de ter lido – ou mesmo sem ler, bastando ser suficientemente aberto pra tanto -, você chegará a mesma conclusão sobre a democracia.

“O conhecimento requer atenção, e o amor requer respeito.” (posição 2359 Kindle, Just Enough vs. Far Too Much

– Estamos eu e meu marido quase há 30 anos juntos (começamos a namorar aos 16 anos). Eventualmente nos perguntam como pode durar tanto. Nunca respondo que é amor. Amor é apenas o ponto de partida. Dura porque há respeito. Nenhum amor sobrevive à falta de respeito.

“Mas no momento eu direi isto: fazer ski é conversar, fazer snowboarding é transar.” (posição 2439 Kindle, sobre Skiing vs. Snowboarding)

– Eu sei o que é conversar, eu sei o que transar. Mas não faço a menor ideia do que seja esquiar ou fazer snowboarding.

“Tanto na paz quanto na guerra, a logística importa tanto quanto a estratégia.” (posição 2458 Kindle, sobre Voltage vs. Current)

– E no Brasil faltam ambos, estratégia & logística.

“Pode ser argumentado que um pouco de amnésia se torne indistinguível da virtude Cristã.” (posição 2752 Kindle, sobre Forgiviness vs. Memory)

– Perdoar é esquecer.

“Dopamina é definitivamente Vênus, a molécula da recompensa sensual. Serotonina é Atenas. Mexa com ela e você se torna visionário ou perturbado. Acetilcolina é Hefasto, trabalhando na sala de máquinas. É pouco sensato perturbá-lo. A Amanita muscaria perturba e faz você se sentir muito mal. O ácido amino-gamabutírico é a pacifista Irene, correndo por todo o lado, apagando incêndios, forçando os circuitos neuronais a se abraçarem a fazerem as pazes.” (posição 2819 Kindle, sobre Prometheus vs. Epimetheus)

– Turin daria um bom professor de cursinho, inventando jeitos de aprendermos o que é impenetrável.

“Frequentemente se diz que a primogenitura é percebida como simples, estável e razoável. As infindáveis disputas sucessórias provam o contrário, e eu queria sugerir em vez disso que ela reflete o desejo inveterado da humanidade pelas apostas.” (posição 2946 Kindle, sobre nature vs. Design)

– Existe uma teoria que explica as personalidades das pessoas por sua posição de nascimento entre irmãos. Evidentemente que ela não se aplica no contexto chinês.

“E de verdade, muito da diversão na vida vem das decisões precipitadas. Humor, afinal, consiste principalmente em ser rápido e certeiro. (posição 3086 Kindle, sonbe Intuition vs. Supercomputer)

– Meu pai, que era um grande fã de Jô Soares e se tinha em conta de um bom piadista, sempre nos dizia que humoristas são os caras mais inteligentes que existe. Ele também tinha uma grande vaidade de sua mente.

 

Pequenas indulgências

“Como outros prazeres que não custam caro, como livros de bolso grossos e curtas corridas de táxi, sabonetes podem fazer alguém irracionalmente feliz. Sabonetes são a coisa real do progresso, responsáveis por mais vidas salvas que a penicilina.” (posição 267, sobre Mitsouko Soap)

– Se você já pôde se ensaboar com um pure olive fatto a mano tenho certeza de que entendeu c-a-d-a p-a-l-a-v-r-a do que Luca disse.

“Meu herói Michel Faraday (1792-1867) teve uma vida estranhamente irreprovável. (…) Uma das esquisitices deste gênio gentil foi seu amor por velas. Sobre elas ele escreveu seu único livro, compilado a partir de palestras que ele deu a crianças. Ele lhes disse que as velas são ‘a porta mais aberta para passar ao estudo da filosofia natural’.” (posição 615, sobre Candles)

– Você conhece as pequenas paixões de um gênio por seus heróis. Você conhece a modéstia de heróis por aquilo que os encanta.

“Alguns poucos perfumistas, no entanto, levam velas a sério como Michel Faraday fez (…) Uma é Patricia de Nicolaï; sua Maharadjah orna uma casa com um glitter invisível, enquanto sua Vétiver de Java foi uma vez acertadamente descrita a mim por uma amigo como ‘boa o suficiente para iniciar uma pequena religião´.” (posição 630 Kindle, sobre Candles)

– Preciso concordar: já fui batizada na fé do vetiver.

“Sites que vendem suspensórios possuem categorias que prosaicos comerciantes de cintos e fivelas podem apenas imaginar: patrióticos (bandeiras), profissões (medições com fita ou teclas de piano), até camuflagem e glitter. Suspensórios são os emoticons do vesturário masculino: eles permitem que o mundo saiba como você se sente.” (posição 3172 Kindle, sobre Squeeze vs. Suspend)

– Agora você rola a página até lá em cima de novo e dá uma boa olhada na roupa do Luca na foto.

 

Grandes indulgências

“Confesso não me comover com isso [encomendar perfumes personalizados em tradicionais casas de fragrâncias]. De um ponto de vista estético, perfumes são um produto compartilhado, industrializado, mais parecidos com vinhos, música e livros em vez de pinturas ou joias, e existe algo de feio em pedir para um grande artista fazer algo apenas para você. De um ponto de vista comercial, não consigo entender o que faz com que estes bem pagos profissionais (e as casas que os empregam) aceitem algo assim. Além disso, por que desperdiçar uma boa ideia com uma ricaça quando você poderia ter todo mundo usando o mesmo perfume?” (posição 750 Kindle, sobre Bespoke)

– Querida, não estamos falando de você encomendar um perfuminho natural com nossos artesãos (que são ótimos, aliás) aqui no Brasil e lhes pagar 2 mil, 3 mil reais. Não estamos falando desta quantia, nem que fosse 5 mil! Estamos falando de 30 mil euros, 50 mil euros, ok, darling. Estamos falando de você mobilizar uma Guerlain só pra fazer um perfuminho seu.

“Considero perfumes feitos sob medida tão tolo quanto ter um romance escrito especialmente para você, e acho quase todos os perfumes naturais invertebrados. A combinação, ou seja, um perfume natural encomendado, tem, portanto, a mesma atração irresistível para mim que uma placa numa rodovia na Borgonha dizendo, “Pegue você mesmo seus escargots”. (posição 1399 Kindle, sobre Dubrana)

– Você pode não concordar com Luca, mas é irresistível rir das comparações dele. Aqui, duas ótimas: um perfume natural ser invertebrado (descreve maravilhosamente bem), e esta da placa “Pegue seus próprios escargots”!

 “Se doce é pecado, amargo é virtude.” (posição 856 Kindle, sobre Bitterness)

– Pecado é viver na amargura.

“Quando me deparei pela primeira vez com a Etat Libre d´Orange, presumi, com base em experiências passadas, que esta perfumaria de nicho tinha todos os sinais dos valores esnobes de exploração: ótimo nome e conceito bacana, mas fragrância de merda.” (posição 1259 Kindle, sobre Etat Libre d ´Orange)

– É, queridão, precisa ser Luca Turin pra quase xingar a Etat Libre.

“O propósito do luxo pode estar no fato de manter uma certa analgesia digna, baseado no princípio de que a vida é uma longa visita ao dentista.” (posição 2148 Kindle, sobre Pain vs. Luxury)

– Impossível discordar.

 

A emenda superou o soneto

“Em ambos os casos, no entanto, a cópia foi indiscutivelmente melhor que o original. Perfumaria ainda é uma arte clássica na qual, como Charles Colton uma vez disse, imitações são o mais sincero elogio.

O fato é que perfumes, como as espécies, usualmente evoluem de forma incremental. Quando muito próximos, podem mesmo se cruzar para produzir raros e esplêndidos híbridos.” (posição 394 Kindle, sobre Floral Hybrids)

– Pergunte ao acionista se ele concorda com a ideia de que cópias são o mais sincero elogio e depois me diga a resposta.

“A perfumaria natural pode estar esperando por um novo Guerlain, armado não com baunilha, mas, desta vez, com alguma especiaria que ninguém de fora da província de Sichuan ouviu falar ainda. Mas tudo isso já não foi feito antes da invenção da química? Surpreendentemente, não. A perfumaria natural séria existe em apenas um punhado de países, cada qual usando um pequeno número de ingredientes tradicionais. Novos métodos de extração e o comércio global agora conspiram para prover uma paleta sem precedentes. A perfumaria natural declara não estar presa aos critérios estéticas da perfumaria clássica. Se ela sobreviver à regulamentação da União Europeia e à toda baboseira New Age, sua arte talvez possa nos entregar o que promete.” (posição 937 Kindle, sobre The Art of Natural)

– Você não fique bravo com a opinião do Luca. Proibido ficar. Lembre que ele já falou muito mais horrores da perfumaria sintética que da natural, tá? Em vez de emputecer, ria. Aprecie o lado verdadeiro da história acrescentando o exagero pra deixá-la engraçada.

“Excelentes graus de óleo essencial de lavanda vêm de várias partes do mundo, mas adicionar a quantidade exata de outras coisas para tornar a lavanda um perfume de verdade é difícil. Ela é uma nota pouco cooperativa, no meio do caminho entre o topo e o coração. Não consegue evaporar em segundos como as notas cítricas fazem, mas fenece antes de você terminar o café-da-manhã. Estendê-la meramente com madeiras ou notas herbáceas não resolve: é o colorido errado.” (posição 1038 Kindle, sobre Lavender)

– Ler este parágrafo causa uma estranheza danada, porque aprendemos que a lavanda conserta tudo. Mas atente pra diferença: Luca não fala da lavanda como uma das notas de um perfume. Ele fala da lavanda como sendo o tema principal do perfume.

 

Envelhecer sem charme, mas com os mesmos dentes

“Um perfume envelhecido, como um amigo que você não vê há anos, pode assustá-lo de primeira, mas seu rosto mais jovem logo começa a surgir.” (posição 445 Kindle, sobre In Search of Lost Perfume)

– Nós, amigos velhos de lembranças juvenis, sempre somos indulgentes com nossos amigos, porque é uma indulgência que se estende a nós próprios.

 

Envelhecer do jeito que se queira, com ou sem dentes

“A prática aceita na indústria é que apenas novas fragrâncias precisam estar totalmente compatíveis com a IFRA. Fragrâncias antigas podem ficar como estão, mais ou menos como você poder dirigir um Armstrong Siddeley de 1949 em rodovias embora ele não tenha airbags.” (posição 575 Kindle, sobre IFRA e Guerlain)

– E, acrescente-se, apenas empresas signatárias da IFRA devem produzir fragrâncias com conformidade total com suas normas. Isso significa que você ainda pode fabricar um carro sem airbags em sua oficina e sair com ele pela rua.

 

Nunca envelhecer

“Apenas a pequena piscina de cera derretida [de uma vela] é fluida o suficiente para as moléculas fragrantes nadarem até a superfície, onde o calor as ajuda decolar. Afora o gradual crescendo da vela enquanto acesa, o que espertamente nos mantém ignorantes do que de fato está ocorrendo, a liberação do perfume da vela é, como a chama, graciosa mas constante. A piscina de fragrância é constantemente renovada, então a fragrância permanece inalterada, sem notas de topo ou fixativas. A fragrância de velas não são melodias, mas acordes sostenuto num órgão.” (posição 619 Kindle, sobre Candles)

– Se há um jeito de você ter sempre a impressão de juventude eterna de uma fragrância, coloque-a numa vela.

“CK One não é tanto um perfume quanto uma máquina do tempo. A maior parte das fragrâncias opera alegremente numa escala de tempo logarítmica, com cada fase ocupando um espaço dez vezes mais comprido que o anterior: seis minutos para as notas de topo, uma hora para as de meio, e o resto do dia para as de fundo. (…) Mas o CK One faz isso diferente, parando o tempo completamente.” (posição 1158 Kindle, sobre The Time Machine)

– Luca diz que talvez o sucesso do CK One seja o fato de que ele não evolui, modificando-se, mas está sempre com o mesmo frescor, como se sempre estivéssemos com 20 e poucos anos.

“Não há dúvidas de que um pouco de dificuldade e um monte de variedades o mantêm jovem, ou, em alguma medida, entretido, o que pode resultar quase na mesma coisa.” (posição 2242 Kindle, sobre Youth vs. Age)

– Meu irmão costuma dizer que o segredo de continuar motivado a trabalhar 8 horas por dia é ter um bom e velho carnê de prestações.

 

Deus fez

” Osmanthus é assunto diferente. A planta em si, O. fragrans tem, como o jacinto e a tuberosa, um daqueles cheiros que Deus deve ter composto enquanto estudava química orgânica. Saponáceo, polvoroso, definitivamente não-comestível, é o Wedgwood azul para o nariz.” (posição 563 Kindle, sobre Sunday)

– Você não precisa saber o que é um Wedgwood azul pra entender que o cheiro do osmanthus é especial, mas te conto, com a ajudazinha da Wikipedia. Wedgwood é o nome de um ceramista britânico que, no século XVIII, depois de (3 mil) tentativas, chegou numa liga cerâmica que imitava vasos e artefatos antigos. Ele os fez numa cor azul que depois veio a ser conhecida como o azul Wedgwood. Então, veja você, que o azul Tiffany não é nenhuma ideia original.

 “Vetiver tem um status à parte na perfumaria. É um dos poucos materiais para o qual não existe um substituto sintético bom. Trata-se de uma erva amada por engenheiros civis, que cresce como o demônio, tem um sistema radicular imenso (onde o óleo essencial está) e por isso segura a terraplenagem. Ele tem uma personalidade tão forte que as fragrâncias com vetiver são basicamente arranjos em vez de composições, razão pela qual a maioria é chamada Vetiver-qualquer-coisa. A grande questão é, assim como para o cacau, quanto arranjos serão suficientes. Alguns dirão que nenhum: o vetiver tem seus amantes de ‘chocolate amargo’, sempre buscando por algo no frasco que cheire igual às raízes.” (posição 655 Kindle, sobre Roots)

– Quando você é um aromaterapeuta e usa o óleo essencial de vetiver para uma infinidade de situações terapêuticas, desde emocionais (ele aterra, ela seda, ele acalma), até físicas (varizes, rugas, pele seca, manchas, prevenção de estrias, picadas de insetos, caspa, seborreia, inflamações, anemia), você fica se perguntando a troco do que gastaria seu parco dinheiro num perfume com vetiver. Me fiz esta pergunta até cheirar o Vetiver da Guerlain. Então não fiz mais. Vetiver é mesmo como um chocolate amargo: você experimentará todos achando que um dia conseguirá encontrar lá o cacau. Naturalmente, isso é uma quimera: apenas a minhoca deve conhecer o verdadeiro cheiro de vetiver.

“As abelhas se especializam em flores, e para algumas flores o sentimento é mútuo. As abelhas apenas podem enxergar ultravioleta (se você usar um filtro solar, você parecerá uma mancha escura para elas), azul e verde. A lavanda, a mais azul das flores azuis, não gasta tempo atraindo insetos menos diligentes, e transforma faixas inteiras da Haute Provence para Apis mellifera azuis. Eu devo ter sido abelha operária numa vida passada dada a minha preguiça na questão: amo tanto o cheiro da lavanda quanto sua cor.” (posição 1029 Kindle, sobre Lavender)

– A lavanda é assim: quer apenas o Mediterrâneo francês, e no seu ócio criativo decidiu se pintar inteira de uma cor só, desta forma sobra mais pra tempo pra fazer nada.

“Dizem que a flor do maracujá é um alucinógeno suave, o que talvez explique porque missionários na América do Sul, que ‘descobriram1 a planta, viram-na como uma coroa de espinhos, cinco estames representando as cinco chagas de Cristo, cinco pétalas e cinco sépalas representando os dez apóstolos (excluindo-se, convenientemente, Judas e Pedro), e os três estigmas como os três cravos na cruz.” (posição 1639 Kindle, sobre Passionfruit)

– O que eu diria sobre isso? Digo nada não, que Derrida já se deu ao trabalho de dizer tudo sobre as maluquices interpretativas…

 

Cara de bonita

“Especiarias são para a perfumaria o que o bronzeado é para a beleza; ele melhora o rosto mas também o queima. Misturadas juntas, especiarias são o Baywatch das fragrâncias, sugerindo uma profusão de saúde às expensas irreparáveis do indivíduo.” (posição 599 Kindle, sobre Spices)

– Luca Turin é muito elegante nesta metáfora, eu a diria de forma mais chula: são como um jeans apertado: te deixa com a bunda gostosa, mas te dá candidíase.

“Saltos altos têm uma propriedade mágica. Da mesma forma que os homens geralmente não veem a maquiagem, eles não reparam no salto.” (posição 2528 Kindle, sobre Flats vs. Heels)

– Também não reparam em aplique, megahair, unhas de porcelana, silicone, sutiã com enchimento, botox na boca, bronzeamento artificial, cílios postiços e cinta redutora. E dizem que não reparam em celulite, embora nunca se pôde provar que isso seja verdade.

 

Os ossos do orifício

“Mas reverter uma legislação é tão difícil quanto colocar pasta de dente de volta no tubo, e perfumistas devem trabalhar com as regras.” (posição 1184 Kindle, sobre Mitsouko´s Facelift)

– Alguém conta isso pro Temer? Assim talvez ele desista de reformar a Previdência (ou talvez fique mais birrento ainda pois enfiar a pasta de dente no tubo é o que ele tomou pra si como dever de ofício…).

“Olhando para trás, toda a excitação que eu já senti estudando veio com professores que sabiam mil vezes mais do que diziam. Em resumo, eles até poderiam estar perdendo seu tempo me ensinando, mas não estavam desperdiçando o meu.” (posição 2364 Kindle, sobre Just Enough vs. Far Too Much)

– Certa vez, comentamos eu e uma amiga que ensinamos, a troco do que nossos alunos nos agradeciam por lhes ensinarmos se afinal de contas eles estavam nos pagando para isso? Mas dá pra entender: há professores que, mesmo sendo pagos, não ensinam. Estes nos fazem perder um tempo enorme.

 

Higiene

“Um cientista esperto a cargo de melhorar o cheiro dos sabões de roupa de uma grande firma de produtos detergentes me explicou como sua tarefa se tornou difícil não apenas devido a custos, regulamentação ambiental, e pelo fato de que o sabão em pó já é praticamente perfeito, mas por um problema fundamental: limpar roupas significa, basicamente, tirar tudo que é oleoso delas, e fragrâncias são oleosas. Inventar um perfume que fique na roupa durante a lavagem como uma lapa grudada na pedra durante uma tempestade não é fácil. Ele resumiu assim: “Nós tiramos o cheiro, e então o colocamos de volta”. Isto me fez pensar que fazemos o mesmo toda vez que tomamos banho. Nós lavamos todo o cheiro e sujeira (e, na minha opinião, um pouco de nossas almas também, embora eles pareçam surgir de volta), então nos enxugamos e borrifamos algum cheiro de novo no corpo.” (posição 1238 Kindle, sobre Clean)

– Realmente, é um pouco idiota. Boa parte das lutas diárias da humanidade é idiota: lavar louça (ela volta a ficar suja), arrumar a cama (ela volta a ficar desarrumada), passar roupa (ela volta a se amassar), cortar as unhas (elas voltam a crescer), fazer dieta (o corpo volta a engordar).

“Indústrias de sabões são os partidos políticos da perfumaria: uma pequena mudança no percentual de participação no mercado representa uma grande vitória. (…) Por que a Guerlain não fabrica um amaciante de roupas luxuoso? Provavelmente porque não compraríamos. Objetos também pertencem a castas, e parece que gostamos que seja assim. Telefones devem fazer um trabalho medíocre reproduzindo a voz humana, hambúrgueres devem ser gordurosos, painéis de carros devem ser de plástico fingindo ser de couro, produtos para lavar devem ter um cheiro agradável mas obediente, sem adornos – numa palavra, cordato. Para emprestar uma frase Vitoriana, devem saber seu lugar, abaixo das escadas.” (posição 1728 Kindle, sobre Magic Moments)

– Certa vez passei um Veja Flores no piso de casa e imediatamente fiquei incomodada. Não que o cheiro fosse ruim, o contrário. Mas não sabia o que era. Quando fiz o link do cheiro com o lugar onde primeiro o senti, matei a charada: o piso de casa cheirava o Flowers by Kenzo. Nunca mais comprei este Veja. O chão simplesmente parecia estar vestido para uma festa em vez de simplesmente limpo.

 

Cientistas sendo cientistas

“Algumas descobertas científicas são lidas como contos de fadas, com a vantagem adicional de serem verdades. E o melhor jeito, o mais satisfatório e fora de moda de contá-las ainda é a monografia, um livro adequado para você ler na cama ou na banheira.” (posição 3287 Kindle, sonre The Sound of Impossible Objects)

– Deus tá vendo você encher uma banheira morna, colocar nela algumas gotas lavanda e mergulhar no banho segurando um paper de farmacologia de óleos essenciais. Deus vê isso todo santo dia, ô como vê.

 

Escrito por Mayra Corrêa e Castro (C) 2017

TURIN, Luca. Folio Columns, 2003-2014. Kindle Edtions: Tania Sanchez, 2015.

Comentários

Galeria de Fotos do Pinterest

Assinar Newsletter