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Comece algo que faça a diferença – Blake Mycoskie

Postado às 22:10 do dia 01/05/15

Fofo e inteligente e bonito. Blake é tudo de bom e criou uma empresa fofa, inteligente e bonita. E lucrativa. Em Comece Algo que Faça a Diferença, ele conta como tirou a Toms Shoes do papel, desde o momento em que teve a ideia, quando viajava pela Argentina e conheceu o modelito de sapato nacional – a alpargatas – , e ao mesmo tempo a realidade de milhares de crianças pobres que nem alpargatas tinham – até a fase em que a empresa já tinha se tornado bastante conhecida, tendo feito parcerias com gigantes como Ralph Lauren, Microsoft e Facebook.

Com o lema One For One ™, Blake construiu a Toms em cima de um mote simples: para cada par de sapatos vendido, ele doaria outro a uma criança sem sapatos. No livro, ele quer, mais que dar dicas de negócios a empreendedores, inspirá-los para que façam com suas empresas algo humanisticamente relevante no mundo. E prova que, nesta jornada, ter capital pra investir não é garantia de sucesso nem impeditivo dele, que estagiários podem ser a melhor coisa que pode acontecer a uma start up, que o medo é algo presente na vida do empreendedor, que livros são mais que objetoso de consumo (são amigos), que a simplicidade faz diferença tanto na vida quanto no business, e que não é à toa que tem muita gente ganhando dinheiro ensinado a técnica do storytelling a empresários sem brilho próprio.

No Brasil, a tradução do livro ficou a cargo da Editora Voo, de Belo Horizonte, que aderiu ao mote, e doa um livro novo a uma criança necessitada para cada Comece Algo… vendido. Tive a chance de ver como a ideia da Toms é forte num grupo de leitura do qual faço a co-mediação em Curitiba/PR: éramos em dezoito mulheres, e foram dezoito o número delas que saíram inspiradas a incluir a doação dentro de seus negócios ou planos de negócios.

Abaixo selecionei as melhores partes. Espero que se inspire também.

 

 

Coisas que não mudam

“Cada dia terminava com uma longa discussão sobre a forma correta de criar nossa alpargata. Por exemplo: eu tinha receio de que não fosse vender nas cores tradicionais da alpargata: azul, preto, vermelho e canela. Por isso, insisti que criássemos detalhes para os sapatos, incluindo listras, xadrez e um padrão de camuflagem. (Nossas cores mais vendidas hoje? Azul, preto, vermelho e canela. Vivendo e aprendendo.” (p. 17)

– Jovens são arrogantes. Gente nova, ainda que velha, num negócio novo, também é. Por isso que quando a gente recebe conselho de vó, tem que baixar a crista e ouvi-lo.

“Medo é muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina, isso porque vivemos numa sociedade que não gosta de conversar sobre isso. Como regra, somos muito mais impressionados pela ousadia.” (p. 57)

– Verdade, e isso é um porre! Ouvir histórias de superação apenas nos põe pra baixo, mas ouvir histórias de gente que também está errando, faz com que nos aceitemos como somos – e isso é o primeiro passo para a superação. No final, ambas as histórias serão motivadoras: mas com a primeira apenas alguns poucos se identificarão, e com a segunda, todos.

“A coisa maravilhosa dos estagiários é que eles são muito entusiasmados e tudo é novidade, por isso não perdem tempo ficando com medo, pois, estão animados por trabalhar com algo importante e significativo.” (p. 64)

– A coisa chata de estagiários é o tratamento paternalista da lei de 2008. No Brasil, não dá pra contratarmos estagiários imaginando que todo o esforço não-remunerado deles, no início de nossas empresas, será recompensado quando eles se tornarem nossos sócios na hora em que o negócio começar a dar dinheiro. No Brasil, não se empreende pra ganhar dinheiro: primeiro temos o dinheiro, então empreendemos (e muitos perdem o dinheiro que tinham. Com a SELIC alta, a pergunta é: por que raios o brasileiro com dinheiro empreende se poderia deixar a grana rendendo num banco? A resposta óbvia é que brasileiro adora empreender.)

“Quando comecei a empreender, estava frequentemente sozinho, então espalhei as minhas citações favoritas em todo o meu apartamento. Elas faziam eu me sentir como se nunca estivesse realmente sozinho.” (p. 66)

– Empreendedor = bicho solitário.

“Tim Ferriss, autor do best-seller Trabalhe 4 horas por semana, falou o seguinte sobre ‘o momento’: ‘Para todas as coisas mais importantes, o momento sempre está errado.’” (p. 71)

– Única exceção, porque exaustivamente comprovada: planejamento familiar.

“Quanto mais confiança nos outros você transmitir, mais confiarão em você. Estou convencido de que há uma correlação direta entre satisfação no emprego e quanto poder a pessoa tem para executar totalmente seu trabalho, sem que alguém fique em cima dela a cada passo.” (p. 143)

– Deve ser por isso que política é o melhor emprego do mundo no Brasil: eles fazem o que querem sem que ninguém os incomode!

 

 

Coisas que mudam

“As pessoas estão famintas por sucesso – isso não é nada novo. Mas o que mudou é a definição de sucesso. Cada vez mais, a busca por sucesso é diferente da busca por status e dinheiro. A definição ampliou-se, para incluir uma contribuição ao mundo e, ainda, trabalhar e viver nos seus próprios termos.” (p. 26)

– Daqui 50 anos, quando a geração Z tiver 60, poderemos saber se mudou mesmo a definição de sucesso, excluindo o quesito “dinheiro”. De toda forma, sim, hoje é possível, pelo menos até os 30, enquanto esta garotada ainda está morando com o pais, perseguir algo mais que apenas dinheiro. Quando eu tinha 18 era mais difícil, ainda que pertencesse à classe média: a faculdade tinha que ser pública porque meus pais não pagariam uma particular e, formada aos 22, era da facul direto pra um emprego que pagasse minhas contas, porque eu não estaria mais morando com eles.

“Capitalismo consciente é mais do que simplesmente ganhar dinheiro, apesar de isso também fazer parte. Tem a ver com criar uma empresa bem-sucedida que também conecta os apoiadores a algo que seja importante para eles e que possua um grande impacto no mundo.” (p. 40-41)

– Por volta de 1996 eu fazia uma pós-graduação em Negócios e ouvia pela primeira vez um professor dizendo que a principal função das empresas era gerar lucro pros acionistas. Nunca engoli esta história – nunca mesmo. E talvez por isso larguei minha carreira como executiva de marketing e fui abrir uma escola de yoga. Vinte anos depois, simplesmente não consigo mais enfiar tudo num mesmo saco: nem no saco do “capitalismo é uma merda”, nem no saco do “capitalismo é a salvação”. Simplesmente acho que há gente boa no mundo – que está usando o capitalismo como Blake, pra fazer diferença –, e há gente ruim – que continuará montando empresas pra sugar até a última gota de sangue de seus funcionários. E também acho que há e sempre haverá consumidores engajados com o social e com o meio-ambiente, assim como aqueles que estão buscando preço e fodam-se o social e o meio-ambiente. Então, é a gente aceitar que existe sombra, embora optemos pela luz.

“Grandes líderes servidores são inspiradores. Eles criam empregados leais, que estão ligados à empresa e à sua missão mais do que a suas próprias carreiras. Líderes servidores percebem que seu principal trabalho não é descobrir o que eles podem realizar e riscar da sua lista de coisas a fazer, mas quantas pessoas conseguem ajudar a cumprir suas próprias tarefas. Tem a ver com a certeza de que todo mundo na equipe está trabalhando em plena capacidade.” (p. 129)

– Sim, verdade, os chefes mudaram muito de uns quarenta anos pra cá. Mas fale isso pro acionista de uma empresa com mau resultado e veja o que ele pensa sobre ter um presidente-servidor.

“Apesar de existirem muitos aspectos da liderança servidora, uma das formas mais claras de construir o tipo de confiança de que você vai precisar para ser bem-sucedido é admitir seus próprios erros.” (p. 130)

– Sim, é bárbaro quem constrói confiança asim e também pede desculpas. E a forma mais obscura de construir esse tipo de confiança é através do medo, da sociopatia e das seitas.

“Você não precisa iniciar uma empresa ou um grande movimento imediatamente – pode começar simplesmente mudando sua mentalidade. Comprometa-se a ver o mundo através de lentes que mostrem como é possível iniciar uma mudança significativa.” (p. 161)

– Pra mim, o século XXI, a pós-modernidade, é: “Seja a mudança que quer ver no mundo” (Gandhi).

 

 

As Melhores Partes dos Livros que Li

“Eu me cerco de citações inspiradoras. Esse conselho fácil de seguir cumpriu um enorme papel na minha capacidade de superar meus próprios medos e inseguranças durante toda minha carreira empreendedora.” (p. 64-65)

– Pronto! Tá vendo a razão de eu dedicar horas da minha vida pra digitar estas citações a você aqui no As Melhores Partes? Também espero, profundamente, que as ame tanto quanto eu as amo e tanto quanto Blake as ama.

“Quando me mudei para um barco com sessenta metros quadrados, não tinha espaço para essas coisas. Despojei-me de muita coisa, vendendo e doando quase tudo, mantendo apenas os equipamentos de esporte e os livros que eu adorava. Um dia, quando tiver uma casa, quero ter uma biblioteca cheia de livros. Livros são diferentes de outras posses – são mais como amigos.” (p. 116)

– Concordo, concordo, concordo. E é tão difícil se desapegar deles. Toda vez que a gente empresta um livro a alguém, queremos consultá-lo e ele nunca mais foi devolvido. Por isso o As Melhores Partes: tudo de bom que li tá aqui, pra sempre.

 

 

revisto por Mayra Corrêa e Castro © 2015

 

MYCOSKIE, Blake. Comece algo que faça a diferença. Tradução Marcelo Barbão. Belo Horizonte: Editora Voo, 2014.

 

 

 

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