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Óleos essenciais como flavor (pra ingestão)

Postado às 19:03 do dia 23/08/18

Abaixo copio a postagem que escrevi pra explicar aos meus alunos sobre a questão da venda de óleos essenciais como flavorizantes no Brasil. Leia com atenção.

OEs como flavor postagem meu facebook 17ago18 page (2)

Imagem de trecho da postagem. Clique pra abrir diretamente no Facebook.

“SOBRE OES vendidos como flavor:
Respostas e informações.

Alunos, estou postando aqui um resumo da parada, pra vocês já entenderem do riscado.

1) Flavor significa Sabor. Sabor é a combinação de paladar e cheiro. No Brasil, flavor é chamado de aroma (porque perfume só se aplica a cosméticos – isso é um jargão da indústria). Então, aroma = flavor = sabor.
2) No Brasil, aroma é categorizado na Anvisa como aditivo alimentar.
3) Existem inúmeros tipos de aditivos, como os intencionais e os incidentais. Os intencionais são colocados de propósito no alimento e incluem, além dos aromas, corantes, espessantes, acidulantes, etc.
4) O aditivo chamado Aroma pode ser do tipo natural, natural idêntico ou artificial.
5) O aditivo natural pode ser óleo essencial, desde que listado na Farmacopeia Brasileira.
6) O aditivo do tipo Aroma não precisa ser registrado na Anvisa. Basta que ele seja notificado.
7) A diferença entre registro e notificação é importante. Notificado significa que a Anvisa apenas aprova um rótulo de um produto que não possui nenhuma alegação nem, a priori, nenhum risco. Funciona assim em alimentos, funciona assim em cosméticos.
8) Portanto, um aroma vendido por uma industria alimenticia requer apenas ser notificado, seja ele natural, natural identico ou artificial.
9) Quem pode comercializar um aroma é uma industria de alimentos.
10) Uma industria de cosmeticos que ja venda oleos essenciais precisa abrir um novo galpao industrial pra poder abrir seu ramo alimenticio. Tudo deve ser independente, inclusive o quimico ou engenheiro responsavel.
11) A Anvisa, quando aceita a notificação de um aroma, não fiscaliza se ele é natural, se é artificial, se diz que é natural mas é sintético, se está sem diluição ou com diluição. A Anvisa subentende que o fabricante vende o que colocou no rótulo e o vende pra a finalidade que está no rótulo.
12) O fabricante, conforme o nicho de mercado que quer atingir, pode decidir vender diferentes qualidades de um aroma. Assim, digamos, a Dr. Oetker os vende ao grande público, colocando no mercado um aroma artificial ou natural identico que já vem diluído em propilenoglicol, álcool etílico e que contém aroma e corante. Os fabricantes de xaropes pra aromatizar bebidas, como Monin e 1883 Routin, os diluem em açúcar de beterraba, ácido cítrico e outros ingredientes aditivos. Há aromas em pó, também. Veja que um aroma natural de baunilha, comumente vendido em solução etílica, é mais concentrado, e sobretudo devido ao alto valor da baunilha.
13) É totalmente possível, portanto, vender um aroma composto 100% por óleo essencial não diluído.
14) Um aroma natural composto 100% por óleo essencial não diluído significa que a Anvisa aceita a notificação deste produto como adequado para o consumo humano. Isso não significa, no entanto, que o produto estará adequado ao consumo humano. Todos conhecemos lotes de leites, biscoitos e até de remédios que vira e mexe são recolhidos pela Anvisa porque vêm contaminados ou fora dos padrões esperados quando de suas notificações.
15) O fato de um aroma natural composto 100% de óleo essencial ter tido sua notificação aceita pela Anvisa não significa que se espera que ele seja usado pra todos os fins de consumo humano fora do que é adequado para a categoria na qual ele foi notificado, a saber, a de aroma.
16) Um individuo é livre para ingerir o que quiser: sabonete, shampoo, álcool de cozinha, 1 litro de óleo de girassol, veneno de rato, lubrifante vaginal, barbitúricos, 1 litro de cachaça, pimenta em pó, 2 litros de chá de boldo, óleo essencial seja este notificado como cosmético, seja este notificado como aroma alimentar.
17) O fato de um individuo ter liberdade individual de ingerir o que ele bem entender não isenta quem vende o que ele ingeriu de alerta-lo sobre os riscos. No caso de uma intoxicação, a empresa pode responder judicialmente por nao ter sido explicitamente clara sobre o modo de uso daquele produto.
18) Espera-se que um aroma seja usado pra flavorizar alimentos. Normalmente, como aromas artificiais são substâncias sem princípio-ativo, fabricantes de alimentos não ficam muito preocupados de vende-los ao consumidor final e, neste caso, preferem vender um aroma diluido, seja por questoes de custos, seja por questoes de segurança.
19) A industria alimenticia, no entanto, deve seguir regras bem estabelecidas em RDCs sobre o quanto de aditivos do tipo aromas naturais pode colocar nos seus produtos. Uma das razões pra haver estas regras é pra que os produtos alimenticios nao se tornem fitoterapicos disfarçados. No entanto, os niveis que a industria usa de aromas naturais raramente excede o que seria razoavel, seja porque o poder flavorizante da substância natural é grande, seja porque ela é cara, seja porque ela é escassa e sofre sazonalidade.
20) Quando um oleo essencial é envasado num frasco e vendido como aroma natural, espera-se que seja usado como de fato um flavorizante. Se quem o comprar fará isso ou não, é responsabilidade desta pessoa, em primeiro lugar, e responsabilidade compartilhada da empresa que o vende, em segundo lugar.
21) A Anvisa, ao aceitar a notificação de um aroma natural composto 100% por óleo essencial não está endossando o uso terapêutico desta substância.
22) Caso um produto assim tivesse o endosso dela, ele seria um suplemento alimentar com benefícios provados e testes de toxidade estabelecidos, ou um fármaco.
23) Possivelmente, a comercialização direta ao consumidor de óleos essenciais como aromas naturais, sem que os mesmos estejam diluídos, é algo que apenas empresas de aromaterapia têm interesse de fazer, sobretudo em frascos de 15 mL. Dado o poder flavorizante dessas substâncias concentradas, dada sua baixa resistência ao cozimento uma vez adicionadas aos alimentos que irão pro fogo/forno, dado seu preço, escassez, sazonalidade e facilidade de oxidação, é difícil pensar numa empresa de alimentos querer comercializá-los ao consumidor final, pois o produto seria caro, demoraria pra ser consumido como flavorizante, estragaria na prateleira e não serviria a todos os tipos de preparos culinários, ainda mais porque requerem ser previamente diluídos. Assim, reforça-se a ideia de que empresas de aromaterapia intentam que o uso desses aromas naturais compostos por 100% por óleo essencial seja não como flavorizante, mas como substância terapêutica dentro dos preceitos da aromaterapia.
24) Para o indivíduo, não é crime ingerir óleos essenciais, não é crime querer ingeri-los com finalidade terapeutica. Tudo que existe é saber ingerir uma substância que é ativa farmacologicamente falando. Há inumeras razões pra não ingerir, há inumeras razoes pra ingerir. Saber quando, quanto e se você é a pessoa que pode ingeri-la requer treinamento, formação em aromaterapia clínica ou uma consulta com um aromaterapeuta clínico que, de preferencia, tenha estudado numa escola com renome e esteja filiado a alguma associação, seja ela de aromaterapia, seja ela de terapeutas integrativos e holísticos, pois tanto em um quanto em outra associação se exige a assinatura, concordância e respeito a um código de ética.
25) Então, entenda: o fato da Anvisa aceitar a notificação de óleos essenciais para consumo humano por ingestão não significa que ela autorizou o seu uso como qualquer outra coisa diferente de um flavorizante. Quantas gotas você precisa pra flavorizar uma água? Um exemplo: 1 gota de óleo essencial de hortelã é capaz de flavorizar 2,5 tubos de pasta de dente ou 31,25 tabletes de chiclete ou 125 balas de hortelã. É isso que a Anvisa espera que você faça com um aroma natural de menta feito com 100% de óleo essencial de menta. Fazer algo diferente disso é por sua conta e risco mas, se você entrar em risco e entender que isso ocorreu devido à falta de instrução adequada da empresa no rótulo do produto, você poderá processa-la.
26) Ha pelo menos 2 empresas legitimamente brasileiras prontas pra requererem notificação de OEs como aromas naturais. É apenas uma questão de tempo e lançarão também seus aromas compostos de óleos essenciais, puros ou diluídos, não sei.
27) Obrigada por ter lido até aqui. Leitura, instrução, bom senso e seriedade são o compromisso da Casa Máy e o meu pessoal com cada aluno meu. Por isso é que não vendo óleo essencial, nao ganho comissão por indicar nenhuma empresa, não ganho com propagandas em meu canal do You Tube. A única maneira como ganho dinheiro é vendendo curso. Isto é independência intelectual – o valor máximo na Casa Máy que faz com que você, meu aluno, tenha certeza de que a gente não faz conversa de marketing nem conversa de vendedor de óleo essencial disfarçadas de educação: a gente ensina de verdade, mesmo que isso seja impopular e mesmo que o que ensinemos te jogue um balde de água fria na cara. Em nosso ensino, você pode confiar.
Mayra Correa e Castro”

 

Publicado em 17 de agosto de 2018 no meu facebook.

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